Sobre a resolução que proíbe cesarianas eletivas antes de 39 semanas e os riscos da cesárea eletiva para o bebê.

20 de julho de 2016

Relato da Adriana – Nascimento Helena – Parto Natural 27/04/2016

16 de julho de 2016

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Meu marido e eu adiamos ter filhos após o casamento por uns três anos. Achávamos que devíamos nos adaptar bem a vivência um do outro antes de nos adaptarmos a um bebê.

Em 2011 decidimos tentar engravidar. Parei com a pílula, esperamos, e não aconteceu. Depois de um ano tentando, desistimos por um tempo.

Em 2013 decidimos tentar novamente. Parei com a pílula e esperamos. Nessa altura eu já queria muito ter um bebê. A ponto de a cada mês chorar de frustração quando a menstruação vinha.

Passou-se um ano e nada. Eu me perguntava por que Deus demorava tanto pra nos dar um bebê, ainda mais quando escutava histórias de mulheres que engravidavam um mês após pararem com o anticoncepcional.

Chegou o ponto que decidimos procurar ajuda médica. Então procuramos uma clínica de fertilização. Talvez tivéssemos algum problema que não sabíamos.

Estávamos certos! Embora fosse algo muito fácil de resolver, gastamos muito para que fosse tratado. Eu simplesmente não ovulava como deveria. E assim fizemos o tratamento com medicação, injeções e o coito programado. Fizemos o tratamento por três meses e nada. A médica passou um exame chamado histerossalpingografia. Se minhas trompas estivessem bloqueadas, com esse exame seriam liberadas pelo líquido introduzido. Estava tudo ok! A médica nos disse que, se no próximo mês não conseguíssemos, iríamos ao próximo passo: Inseminação. Nessa altura já pensávamos que se fosse preciso fazer até fertilização in vitro, nós faríamos, tamanho era o nosso desejo de ter filho.

Após seis meses paramos com o tratamento, pois estava pesando muito no orçamento. Mas continuamos tentando longe do consultório.  Mais um ano passou e, nada. Eu já estava em depressão por não conseguir. Apesar de todos falarem que era por causa da ansiedade, eu não podia acreditar que isso pudesse influenciar, mas ok.

Tentamos seguir nossas vidas e a cada atraso na menstruação eu me animava, mas a animação passava assim que eu fazia o teste e dava negativo. Eu tentei de tudo que me falavam, tomei água inglesa, que a propósito tem o gosto horrível, e outras coisas!

Em 2015 aconteceram muitas coisas. Meu marido e eu abrimos nossa empresa em junho. No fim do mesmo mês fui ver minha família no Ceará. Em agosto começamos a reformar nossa casa. Eu já até tinha desencanado um pouco. Estava fazendo curso de inglês e violino. Estava curtindo tudo. No início de setembro de 2015, meu marido e eu fomos à uma feira de climatização em São Paulo chamada Febrava. No avião eu passei muito mal. Vomitei no saquinho e durante todo o dia me senti mal. Quando voltamos comentamos com meus sogros e disseram que eu deveria fazer o teste. Eu nem queria, pois, uma semana atrás eu havia feito teste por conta de atraso e tinha dado negativo. Eu não queria criar expectativa, mas resolvemos comprar. Fiz e fiquei esperando a urina subir a haste. Primeiro risco apareceu, ok. A urina foi subindo, subindo… e apareceu o segundo risco, fraquinho, mas estava lá!!!! Eu não pude acreditar!!!! Parecia um sonho. Chamei meu esposo para ver.

Antes, pensava em inúmeras maneiras criativas de contar para ele, mas a felicidade foi tamanha que não me contive. Quando ele viu o segundo risco, nos olhamos e nos abraçamos bem forte. A partir dali minha vida mudou. Comecei a ter enjoos horríveis. Coisas que adorava comer, não suportava mais…senti vontade de comer sabonete, sabão em pó e por aí vai.

A data prevista do parto era 22 de maio. E descobrimos que teríamos uma menina, uma princesinha.

Eu sempre quis ter filho de parto normal. O termo parto humanizado era novo para mim. Tinha muito medo da cesariana, do corte, da dor. E não queria que meu bebê fosse simplesmente arrancado da minha barriga.

Pesquisei muito sobre o parto humanizado e um dia caí no blog da Cris. Devorei o máximo de informação do blog dela. Então havia decidido! Queria uma doula! E queria que fosse a Cris! Conversei com ela por facebook, perguntei como funcionava e quanto custava. E minha surpresa foi enorme quando descobri que ela era a melhor amiga da minha vizinha. Assim pude conversar com ela algumas vezes e já criar um elo de confiança antes mesmo de engravidar.

Assisti a muitos vídeos de parto e me emocionava a cada um deles. Assisti O Renascimento do Parto, li artigos… Estava me munindo de toda informação possível. Já tinha em minha mente que meu corpo era capaz, sim! Que eu havia nascido pra isso.

Uma das partes mais difíceis foi não ter o apoio de alguns familiares, ouvir dizerem que eu não era capaz, que ia sofrer muito. Que cesárea era melhor. Que se existia cesárea porque eu ia querer sentir dor?

Ouvi este tipo de comentário a gestação inteira. Quando souberam que iria contratar uma doula, alguns acharam besteira da minha parte, desperdício de dinheiro… enfim.

Os dias foram passando… e no dia 17 de abril tive meu aniversário e já estava ansiosa para a chegada da Helena no mês seguinte. Aos poucos estava finalizando as compras do enxoval. Faltavam apenas algumas coisas que precisava comprar pra mim. No dia 25 de abril, à noite, notei o tampão na calcinha e já mandei mensagem para o dr. Fernando Pupin, mas ele me disse que o trabalho de parto poderia levar semanas ainda. Então me tranquilizei e fui dormir. Pela manhã perguntei para o Pupin se poderia tomar buscopan pois estava sentindo muita cólica. Ele disse que poderia, pois se fosse trabalho de parto não ia adiantar de qualquer maneira.

Na manhã seguinte fui almoçar com o Fer no Continente Shopping e fui nas lojas comprar pijamas pois o DPP estava próximo e eu não tinha pijamas quentes.  As cólicas se tornaram mais fortes, as cólicas iam e vinham, e quando estava na Renner, me pendurava nas araras a cada contração.

Fizemos as compras e voltamos para casa da minha sogra, onde estávamos morando por conta da reforma da minha casa.

Os familiares diziam que ainda não era a hora, mas no fundo eu já sabia que a hora estava chegando, pois sabia o que estava acontecendo em meu corpo. A tarde tentei descansar um pouco, pois havia aprendido em um dos encontros com a Cris, que eu deveria descansar enquanto o parto ativo não começava, pois, o parto seria exaustivo e as vezes as mulheres se entregam pelo cansaço e não pela dor.

Tentei descansar, mas a dor estava aumentando. A noite o Fer foi para a faculdade, mas no meio do caminho pedi pra que voltasse. Entre 19:00 e 20:00 mandei mensagem para o dr. Pupin dizendo que estava com muita dor e o que ele achava de eu ir à maternidade. Ele sugeriu que eu fosse para que o plantonista me avaliasse. Enquanto aguardava o Fer voltar, tomei um banho e comi um misto quente. Quando ele chegou, pegamos a bolsa da Helena e tudo que precisávamos e colocamos no carro. Durante o trajeto, fui sentindo muita dor, mas suportável. Chegamos na maternidade, o Fer deu entrada na recepção. Eu apenas sentei na poltrona e esperei. O Fer quem manteve o dr. Pupin e a Cris informados, pois queria ficar o mais quieta possível. Quando o plantonista me atendeu, fez o exame de toque e constatou 4 cm de dilatação! O Pupin sugeriu que eu fosse para casa e esperasse evoluir.

Fomos para casa e tentei dormir. Não consegui. Passei a noite inteira apenas cochilando entre uma contração e outra. Nenhuma posição na cama ajudava mais. As 6:00 do dia 27 de abril, acordei o Fer e disse que tínhamos que voltar na maternidade pois as contrações haviam aumentado. O Fer ligou para o Pupin e para Cris pra avisar. Tomei banho e avisamos meus sogros, e minha sogra quis ir junto. Passamos para buscar a Cris e lembro que estava frio e chovendo. Eu não queria conversar com ninguém durante o trajeto. Falei o mínimo possível.

Chegamos na maternidade, o Fer deu entrada e eu já fui para o quarto. A partir daquele momento, não lembro de muitas coisas, apenas flashes. O Pupin fez exame de toque e eu estava com 5 cm de dilatação. Pensei: poxa, passei a noite sofrendo pra só evoluir um centímetro! Na minha cabeça achava que já chegaria com uns 8 cm. Mas pensei: bom, já estou na metade do caminho, e não foi tão difícil, então vou dar conta!

Eu estava com muita fome, pois não havia comido nada. Pediram algo para eu comer, mas estava demorando muito. A Cris dizia para eu me movimentar na bola, andar, me mexer de algum jeito. E eu sabia que precisava, mas estava com tanta fome e as contrações pareciam me deixar ainda mais exausta. Tentei deitar, na esperança de que a dor desse uma trégua, mas parecia ser muito pior estar deitada. Meu café havia chegado, devorei como se nunca tivesse comido, tamanha era a minha falta de energia por conta da fome.

Então, segui o conselho da Cris e fui pra bola, e era incrível o quanto eu conseguia rebolar bem entre uma contração e outra, mas quando a contração vinha, eu só queria que passasse logo.

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Algumas vezes fiquei sentada na bola embaixo do chuveiro, e quero agradecer a pessoa que descobriu que estar embaixo do chuveiro sentada na bola aliviava, porque realmente aliviou muito pra mim.  Entre uma contração e outra, conversávamos, ríamos… e foi indo assim, tranquilo, pois tinha o chuveiro com água quente. Quando me cansava do chuveiro eu saía e sentava na cadeira.

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Entre uma contração e outra eu cochilava ou descontraía. Por um momento pensei: “Me sinto como se tivesse naquele programa, Um bebê por minuto”, por causa de todo o apoio e descontração que eu via em alguns episódios e eu estava tendo o mesmo.

Até ali parecia ser mais fácil do que eu supunha. Pensava…se for só isso, vou tirar de letra!

O dr. Pupin veio e perguntou sobre o resultado do exame do estreptococus. Eu havia feito dois dias atrás e não havia saído o resultado ainda. Então ele me receitou antibiótico por precaução. Ele me avaliou e estava com 7cm! Parecia estar próximo, mas o tempo passava e evoluía pouco, eu achava. Um tempo depois uma enfermeira veio e me deu antibiótico na veia. Particularmente, não lembro, mas sei que tomei. Acho que é isso que chamam de partolândia, quando está apenas teu corpo ali, você não consegue nem pensar direito.

Na hora do almoço trouxeram o meu, mas eu não quis comer, me parecia que se eu comesse ia acabar vomitando.

Fiquei com pena da Cris, do Fer e da minha sogra nos momentos das contrações que eu apertava a mão deles. E quando a contração vinha, a massagem que a Cris fazia nas costas, aliviava um bocado. Mas quando o Fer e minha sogra tentavam ajudar passando a mão na barriga na hora da contração, doía!

Lá pelas 14:00 o Pupin veio ver como estava a evolução e parecia que o espaçamento entre as contrações havia aumentado, ou seja, o ritmo havia diminuído. Ele disse que se não tivesse evoluído, teria que estourar a bolsa e até fazer uso de ocitocina, se necessário. No momento fiquei triste. Queria que tudo seguisse seu rumo naturalmente como havia aprendido, sem intervenções. Mas se tivesse que ser assim, então que fosse.

O Pupin fez o toque e a bolsa estourou na hora. Dali em diante, quase não tinha espaço entre as contrações. A Cris, sempre me dizendo que eu deveria fazer algum exercício, me mexer. Andamos pela maternidade e a cada contração eu me agarrava na Cris. Voltamos pro quarto, fui para o chuveiro, mas não ajudava mais. A Cris me dizia para me agachar quando a contração viesse. Eu tentava, mas nessa altura eu só queria que aquilo tudo acabasse logo. Estava ansiosa, esperando a vontade de fazer força, pois sabia que nesse momento as contrações parariam e a dor seria outro tipo. Então, chegou o momento que achei que não aconteceria: pedi anestesia.

A Cris com toda paciência me disse que naquele momento não adiantava mais. Só ia retardar o trabalho e que eu já tinha ido tão bem e tão longe…

Demorou mais um tempo e eu pedi novamente, eu estava sentindo uma pressão muito grande na pélvis. Eu queria que arrancassem ela de mim. Tirassem de uma vez! A Cris disse que é nessa hora que as mulheres pedem arrego, mas que ia melhorar dali a pouco.

A sala de parto já estava vaga, então, saí do chuveiro com muita dor, parei perto da porta do banheiro, me segurei no Fer e na minha sogra e chorei.

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Estava querendo entregar os pontos nessa hora. Foi muito difícil ter que caminhar até a sala de parto, sendo que o quarto que eu estava era praticamente ao lado. A pressão embaixo estava cada vez mais forte, mas ainda não senti a vontade de fazer força.

Assim que chegamos na sala de parto a dor das contrações desapareceu e deu lugar a outro tipo de dor, a pressão embaixo fortíssima. Nessa hora soube que precisava empurrar. A sala estava muito quente. Pedi que fizessem algo, sabia que a sala tinha de estar quentinha pra receber a Helena, mas achava que ia desmaiar, levando em conta que não tinha almoçado. A Cris se revezou um pouco com minha sogra em me abanar, e aquilo já aliviou muito o calor.

Nos meus sonhos, pensava em parir na banheira, numa água quentinha e eu mesma poder pegar a minha pequena. Mas quando entrei na sala, sentei no banquinho de parto e não quis mais sair dali. Meu marido sentou numa poltrona atrás de mim, e me ajudava, segurando minha mão, e me incentivando a empurrar. A Cris me ajudava a levantar e me agachar quando vinha o puxo.

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O Pupin fez um toque em mim, e nessa hora eu berrei, minha vontade era de xingar ele, mas não é do meu feitio, só disse pra ele parar por favor, berrando! Veio mais um puxo. O Pupin disse que a bordinha do meu colo estava com dificuldade de fazer a última dilatação e disse que ele poderia ajudar, se eu quisesse, se não demoraria mais. Eu já não tinha mais forças nem para falar, só acenei sutilmente com a cabeça que sim. E na contração seguinte, ele fez o que tinha de ser feito, não senti.

A partir dali foi mais rápido e a cada puxão eu fazia mais força. Houve um momento que eu sentir queimar, pensei que aquilo deveria ser o circulo de fogo. Empurrei mais algumas vezes.

Meu marido atrás de mim dizia: você consegue amor, empurra mais um pouco, já consigo ver a cabeça dela.

Eu lembro de ter pedido pra Cris tirar o espelho, eu não quis ver, não sei o porquê, eu tinha assistido tantos partos na internet, mas não quis ver o meu.

Sabia que após a saída da cabeça, o resto seria mais fácil, eu sentia ela mexendo a cabecinha, e depois de dois empurrões, ela nasceu, ali no chão mesmo (nas mãos da Cris)!
Meu outro sonho se realizou quando o Fer conseguiu cortar o cordão umbilical.

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Eu estava exausta como nunca tinha estado! Achei que eu fosse chorar no meu parto, pois sempre chorava assistindo outros partos na internet. Mas não chorei, estava em transe, apenas olhei pra ela e não pude acreditar que aquele bebê tão lindo havia saído de mim. Perguntei para o Pupin se ela era minha mesmo. Estava em êxtase e feliz por ter conseguido o parto dos meus sonhos. Olhei para o meu marido e ele estava em prantos de emoção.

Ajudaram-me a subir na maca. Ouvi dizer que a saída da placenta era outro parto, foi tudo tranquilo, veio uma contração e com a ajuda do Pupin ela saiu. Enquanto ele verificava meu períneo já me trouxeram um suco e um misto frio, estava exausta e faminta. Houve uma pequena laceração e ele deu três pontos. Enquanto isso pude ver o pediatra fazendo os procedimentos na Helena.

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Em seguida a trouxeram e ela já mamou.

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Após isso fomos para o quarto. Estava feliz! Feliz por ter conseguido o parto dos meus sonhos!

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Mas só obtive isso graças a equipe que me amparou. Ainda mais que não pude contar com a presença dos meus pais, pois, eles moram no Ceará.

Cris, com toda sua paciência, preparação e segurança que me foi transmitida desde o início, quando descobri o seu blog.
O Pupin, que além de ser um ótimo médico, deixava-me sempre a vontade pra falar sobre qualquer coisa, além da confiança que me transmitia sobre tudo que me falava.
A minha sogra que me incentivou a fazer exercícios durante a gravidez, e meu marido que me impressionou, estando ao meu lado, presente em todas as etapas do parto, já que ele achava que não conseguiria.

Foi uma experiência incrível. Incrível o sentimento que tive, de um poder indescritível. Que depois disso eu era capaz de fazer qualquer coisa. Obrigada Cris, por ter me ajudado em todas as etapas e por ter me ajudado a ter a chance de saber o quanto eu sou poderosa.

Adriana Stadinick

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