Relato da Camila – Parto Natural Isabela – 13/10/2014

30 de janeiro de 2015

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Relato de Parto,

Meu nome é Camila, tenho 29 anos, sou mãe de primeira viagem e este é o meu relato de como conheci a Partolândia.

Marquei minha passagem para a Partolândia em janeiro de 2014, em dia e horário que não sei precisar. Nada foi programado, mas quando eu e meu namorido (Junior) soubemos do acontecido a felicidade tomou conta de nós.

Não irei fazer um diário sobre minha vida, mas acho importante destacar que permaneci ativa durante toda a gestação, me alimentei bem, procurei valorizar momentos de tranquilidade e ignorar aqueles contrários a isso. E, acima de tudo, amei minha gestação, amei minha barriga, desde o princípio amei minha filha. Tive bons sonhos!

Descobri que estava grávida com cinco semanas. Desde já, começamos a procurar médicos obstetras que atendessem próximo a Imbituba, cidade onde moro. Até então não tinha nenhum pensamento crítico a respeito dos médicos obstetras, mas já desejava um parto normal. Acabei iniciando o meu pré-natal com uma médica de uma cidade vizinha. Na primeira consulta, já levei alguns dos exames gestacionais, dentre eles, o de toxoplasmose, a qual não sou imune. Ao verificar os exames, a médica questionou se eu tinha gatos. Eu tenho duas gatas, uma jovem de 6 anos e uma idosa de 16 anos. A médica recomendou que eu desse as gatas para alguém cuidar durante a gestação. Contrário a isso, nunca mais voltei ao consultório e passei a pesquisar médicos humanizados.

Realizei meu pré-natal com a Dra. Roxana Knobel, e ela foi muito importante para minha gestação transcorrer numa boa, junto das minhas gatas, cachorros, sem estresse. Se alguma insegurança existia a respeito da minha capacidade em parir, esta insegurança era diminuída a cada mês, a cada consulta. Afinal, também somos animais! E nós, mulheres, nascemos perfeitas para dar vida a vida! E se é assim, busquei e idealizei um nascimento humanizado para minha filha, livre de intervenções humanas desnecessárias, e me permiti passar pelo processo que a natureza humana determinou.

Enfim, vamos ao parto!

Meu parto tinha data prevista para o dia 07/10/2014, quando estaria com 40 semanas.  A opção de parir em Florianópolis me trazia um pouco de preocupação, pois além de ser um trajeto de 80km, que muitas vezes fica completamente engarrafado, eu tinha medo da viagem atrapalhar o desenvolvimento do trabalho de parto, em razão da mobilidade reduzida dentro do carro. Ao mesmo tempo sonhava acordada que iria entrar em TP na madrugada, assim como que minha filha nasceria na água, pressentia que o sinal do meu TP seria a perda do tampão mucoso e que ela nasceria antes do dia 07/10. É claro que nem tudo é como sonhamos.

A semana do dia 07 chegou e nada. Não sentia nada. Absolutamente nada. Pensava: “Cadê os pródomos”? No dia 07, tive consulta com a Roxana e ela me solicitou um ultrassom para ver como estavam as coisas. Me programei para fazer o exame somente no dia 13/10, um dia antes da próxima consulta, quando completaria 41 semanas, e fiquei confiante que entraria em TP antes disso. Apenas observei diariamente os movimentos serelepes de minha filha. Mas nem tudo está sob nosso controle e comecei a ficar um pouco insegura quanto a minha capacidade em parir… uma pressão. Sabia que após completar 41 semanas teria que me submeter a algumas intervenções. Eu não desejava isso. Chegou a passar pela minha cabeça a possibilidade de agendar uma cesariana caso passasse de 41 semanas completas, afinal de contas se a natureza não despertou o trabalho de parto em mim é porque eu não deveria passar pela experiência, mas tentei relaxar e esquecer.

No dia 10/10/14, pela manhã, durante minha caminhada diária, senti como se tivesse feito xixi sem querer e na hora só pensei que era coisa de grávida. Em casa, tive a certeza de que não era xixi, mas sim uma gigantesca meleca transparente, pensei que pudesse ser o tampão, mas não havia sangue. Em seguida entrei em contato com a Cris e com uma amiga que também é doula (Carol) para verificar se aquilo era o tampão. Ambas confirmaram pela descrição. A partir deste momento comecei a sentir cólicas muito fracas, dor de barriga seguida de diarreia (até hoje não sei se isso ocorreu por conta do psicológico diante da vontade de entrar em TP, ou por conta do fisiológico). No início da tarde as cólicas passaram e só sentia a minha pequena filha saltitar na barriga. O dia 10 passou… o dia 11 passou ileso… chegou o dia 12…

Ah o dia 12… que dia. Namorei demais minha barriga! Ah, não somente a barriga! Namorei!

Era domingo, caminhamos por dentro da lagoa com os cachorros, conversamos, nos divertimos, tiramos fotos. Almocei em casa com um casal de amigos. Durante a tarde, comi praticamente uma barra de chocolate (contrariando as recomendações da Dra. Rox… Kkkk), como se meu inconsciente estivesse se despedindo dos chocolates para enfrentar um longo período de amamentação…e Ops, novamente, parecia que eu tinha feito xixi nas calças… isso lá pelas 15h30… dessa vez não era tampão, era um líquido que achei que fosse xixi mesmo.

Umas 19 horas estava assistindo TV e resolvi ligar para minha irmã para comentar sobre o fato de eu estar involuntariamente molhando as calças e, ao levantar para pegar o telefone… Ops… saiu líquido novamente. Comuniquei a Cris sobre a perda desse liquido e ela recomendou que eu colocasse um absorvente para ver se era a bolsa rompida. Fiz a recomendação e segui vendo TV. Perto das 20h, senti uma cólica diferente e avisei o Junior que achava que era uma contração, mas ia começar a marcar no aplicativo para acompanhar as repetições. Em seguida, vieram quatro delas em intervalos que variavam entre 10 e 15 minutos, elas duravam mais de 1 minuto. Então resolvi comunicar a Cris e, em seguida, a Dra. Roxana, que me orientou a tomar um banho, jantar e que tentasse dormir, e, caso as contrações apertassem, que eu fosse para Floripa (até então estavam super tranquilas, eram cólicas diferentes, mas muito tranquilas, neste momento acreditei que iria para Florianópolis somente na segunda-feira pela manhã). Contei sobre as contrações para a minha amiga Carol, que antes de partir para Porto Alegre, passou aqui em casa e ficamos conversando por cerca de uma 1h30 e esse tempo passou despercebido.

Por volta das 21h30, estávamos eu e o Junior em casa e as contrações começaram a vir um pouco mais fortes, mas completamente suportáveis, com intervalos entre 8 a 6 minutos, duravam mais de 1 minuto. Neste momento comecei a perceber que não conseguia me sentar quando as contrações vinham, era horrível ficar sentada, tinha muita necessidade de caminhar e me mexer, deste modo passava bem por elas. Nesta hora, lembramos da função da viagem até Florianópolis e veio a preocupação quanto ao andamento do TP, pois se no início do TP não conseguia ficar sentada, quando elas ficassem fortes não iria conseguir ficar no carro. Decidimos então ir para Florianópolis e nos hospedar num hotel (recomendação da Cris). Avisei a Cris e fui tomar banho. Isso era 22h30 e as contrações estavam entre 6 e 5 minutos, tive uma com intervalo de 2 minutos e a duração aproximada de 1 minuto. Depois do banho elas continuaram irregulares a maioria variando entre 7 e 5 minutos e poucas com intervalo inferior a 4 minutos (ainda bem tranquilas). Quando estava arrumando minhas coisas resolvi ler o material da Cris sobre as fases do TP para ter uma ideia em que momento eu estava e ai percebi que podia estar longe, pois as contrações não tinham estabelecido regularidade e o intervalo entre elas indicavam que eu ainda estava na fase latente, então, coloquei na mala coisas para passar o tempo no hotel, entre elas, esmalte, alicate de unha, acetona, pinça.

Às 23h conversei com a Cris novamente e relatei que as contrações estavam mais fortes. Então, antes de ir para o hotel, ela me pediu para passar na maternidade Ilha (onde ela estava atendendo um parto) para a médica plantonista avaliar a minha situação.

Saímos de casa às 23h30. Durante a viagem não consegui contar os intervalos, vim no banco de trás do carro, sempre me movimentando de um lado para o outro, mas a posição que fiquei a maior parte do tempo foi de sapinho.

A viagem foi muito tranquila, chegamos na maternidade às 00h30. Fui avaliada pela médica plantonista às 00h40. E??? Quem diria, 7cm de dilatação, colo sei lá o que, apagado sei lá o que (não entendi nada… sei que era bom), mas me concentrei e não criei expectativas e só ouvia as risadas de um empolgado pai. Demorou um pouco para eu subir para a sala de parto. Logo a Roxana chegou, só de vê-la já fiquei bem mais tranquila e segura.

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Fui para a sala de parto por volta da 1h30, em seguida entrei na banheira, logo já estava com dilatação total. Lembro que eu mesma me examinei, coloquei o dedo e senti a cabeça da minha filha, faltava somente a pontinha do dedo para ela coroar.

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A partir de então, a emoção tomou conta da racionalidade, eu estava finalmente na famosa Partolândia. Me entreguei, aceitei todo o processo fisiológico, não notei o tempo passar, assim como em nenhum momento pensei em analgesia ou em desistir. Apenas acreditei no meu corpo e deixei o coquetel dos hormônios do amor tomarem conta de mim. Não há sofrimento na Partolândia. Pelo contrário, há intensos momentos de prazer. Relaxei na banheira e entre uma contração e outra cheguei a cochilar. A cada nova contração recebia massagens feitas ora pela Cris, ora pelo Junior. Lembro de uma deliciosa massagem no pé feita pelo Junior. Que privilégio poder parir e nascer assim. Fiquei na banheira aproximadamente até as 4h45, e nada da Isabela coroar.

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Tive que sair da banheira, pois tanto relaxamento fez as contrações perderem a intensidade. Já fora da água lembro de sentir dores nas costas, mas isso ficou registrado na minha memória como algo muito rápido, uns cinco minutos de muita dor. Em seguida, fui examinada na cama pela Dra. Roxana e ali senti dor, algumas contrações e tive que fazer força.

Por volta das 05h30, fui para a banqueta e ali, com a ajuda do Junior, que, orientado pela Dra. Roxana, pressionava meu quadril pelas costas para ajudar abri-lo, tive que fazer bastante força, mas nada da Isabela coroar. Então, a Dra. Roxana me falou que teria que fazer aplicação de ocitocina sintética para intensificar as contrações. Nesta hora eu tive um momento de lucidez e lembrei que não desejava nenhuma intervenção, e quando veio uma contração fiz uma força bem intensa que fez a Isabela coroar livre de qualquer intervenção artificial.  Senti o calor de sua cabecinha (acho que era o famoso círculo de fogo).

Após isso, a Dra. Roxana sugeriu que eu fosse para cama, pois ela havia percebido que eu conseguia fazer mais força na posição ginecológica. Voltei para a cama por volta das 5h50 e Isabela nasceu de parto natural, às 06h03 do dia 13/10/14, linda, perfeita e saudável. Fui a primeira pessoa a ser vista por ela e, já no meu peito, continuou conectada no cordão umbilical por quase 15 minutos, recebendo doses extras de sangue.

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Após o parto, a Dra. Roxana me explicou que o que dificultou meu expulsivo foi o fato da Isabela ter encaixado todo o topo da cabeça e estar virada de frente para mim. O normal seria o bebê nascer olhando para trás e com a parte posterior do crânio encaixada.

Tive pouca laceração. Durante meu pós parto não tomei sequer uma aspirina. Não senti qualquer dor ou incomodo após o nascimento.

Enfim, o que posso transmitir para as futuras parideiras é que parto é um momento mágico. Conhecer a Partolândia foi a melhor experiência da minha vida e, que pode até ter havido dor, mas nunca sofrimento. O que menos lembro é da dor, ela não significou nada, não foi a protagonista, foi uma coadjuvante, mas necessária para o nascimento. Sem as contrações (dor) ninguém nasce. Então, futuras mães entreguem-se, não tenham medo, não sejam racionais neste momento, deixe a razão nas mãos da médica, da doula e, principalmente, da pessoa que vai amar este bebê tanto quanto você, ou seja, seu namorado, marido ou namorido. Permita que ele seja também protagonista desta história e tudo será mais fácil, pois ele será a sua razão fora do seu corpo. Somos perfeitas para parir.

E viva o parto humanizado! Parto com cor, parto com amor!

PS: Sei da precisão do horário, duração e intervalos das contrações porque utilizei um aplicativo de celular chamado Contraction Timer. A hora dos acontecimentos peguei nas conversas com a Cris Doula e a Natália Fotografa no Whatsapp. E a hora dos fatos durante o TP em razão do registro das fotos.

Mais fotos aqui

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Relato da Thais – Parto Natural Francisco – 16/11/2014

25 de janeiro de 2015

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Parto natural.

É quase impossível não virar um pouco ativista depois que vivemos a experiência de um parto natural. É por isso que compartilhamos nossas fotos, nossos vídeos e abrimos para quem quiser ver esse momento tão especial e íntimo das nossas vidas.

O tipo de parto não vai te fazer melhor mãe e nem mais mulher. Esse relato não tem como objetivo nenhum julgamento e é apenas para eu contar a minha experiência e talvez sirva para inspirar as futuras mamães da minha timeline Emoticon smile

Não sei ao certo dizer quando começou a surgir a vontade de ter um parto natural. Antes de engravidar eu não pensava muito sobre isso… o certo é que eu sempre tive muito medo de cirurgias ou qualquer intervenção médica. Por isso, depois que eu já estava decidida pelo parto normal e alguém me falava “nossa, que corajosa!!!!”, sempre pensava “coragem é de quem escolhe fazer uma cesária!”.

O parto normal é o parto via vaginal. Quando falamos em parto natural, além da via do parto ser a vagina, ele ocorre sem intervenções médicas como anestesia e indução. É a mãe e o bebê que fazem o parto… o médico fica ali assegurando que tudo está correndo bem para a mamãe e o para bebê, e a postos caso seja necessária uma intervenção.

O nosso parto foi natural. O Francisco nasceu na água, sem nenhuma intervenção médica. Na sala de parto estávamos acompanhados de nossa doula, a nossa querida Cristina Melo e do nosso médico que nos acompanhou durante o pré-natal. Escolhemos o ambiente hospitalar (nossa melhor escolha, já que o Francisco precisou ficar em observação nas suas primeiras horas de vida).

No dia 15 de novembro, quando completávamos 39 semanas + 3 dias, passeamos bastante e quando chegamos em casa no final da tarde eu percebi que estava sangrando um pouquinho. Depois de trocar algumas mensagens com o médico e com a doula, chegamos à conclusão de que a bolsa poderia ter rompido e a qualquer momento as contrações poderiam começar. No início da madrugada recebi uma mensagem do médico, perguntando como estávamos, mas ainda nada! Às 2h mensagem da doula, e ainda NADA!

“Acho que não é hoje”, pensei!

Não me lembro exatamente que horas começou, mas comecei a sentir um pouco de cólica e num curto intervalo de tempo eu já não conseguia mais contar as contrações! Chegamos à maternidade às 4h da manhã e às 8h45min nosso Francisco nasceu. As fotos retratam os últimos momentos do parto, o momento de transição e o expulsivo. Passei a maior parte do trabalho de parto no chuveiro, com a água quente caindo na barriga e no finalzinho fui para a banheira.

Conheci a partolândia.

Trabalho de parto é dor, é solidão, é força. É não ter pudor e deixar o nosso corpo fazer o trabalho dele. É gemer, cantar, rir e chorar. Tudo isso junto! É achar que não vai acabar nunca e depois de 1min ter os filho nos braços. É nunca se sentir tão frágil e forte ao mesmo tempo.

Se dói? Dói muito. Dói pra caramba! Mas sinceramente a dor não é a protagonista dessa história. Esse terror da dor foi plantado na nossa sociedade e está tirando a oportunidade das mulheres vivenciarem de forma mais plena o melhor momento de suas vidas. A dor faz parte mas é uma dor de VIDA! Você sabe porque está doendo. A cada contração você está mais perto de conhecer o amor da sua vida e por mais que a gente chegue a achar que não vai conseguir, em nenhum momento pensei em sofrimento. Dor é uma coisa e sofrimento é outra.

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Ouvi algumas vezes: “não sou bicho para ter filho assim”. Me desculpem mas somos bichos sim! E para mim, esse era o barato da história. A vida e minha condição de mulher estavam me dando uma oportunidade única! Parir naturalmente era um presente que eu não poderia negar! Sentir meu corpo se abrindo para a vida e pegar meu filho na água com as minhas próprias mãos, foi uma experiência maravilhosa e que me transformou. Quando lembro do sorriso e da serenidade do meu marido que ficou do meu lado durante todo o tempo, do carinho da nossa doula que cuidou tão bem de nós três (sim, a doula cuida da parturiente, do bebê e do marido) e da emoção que envolveu toda aquela manhã eu não penso na dor. Penso apenas que quando eu engravidar novamente vou esperar ansiosamente por esse momento.

Infelizmente no Brasil, quem deseja ter um parto natural e humanizado (parir no corredor do hospital é natural, porém não tem nada de humanizado) precisa mais do que desejar. Se eu posso dar um conselho, é importante ter uma doula. Ela vai te esclarecer e indicar o melhor caminho. Tenha certeza que o seu médico vai respeitar a sua vontade e não deixe para falar sobre o parto nas consultas finais.

Sou muito grata à nossa família que sempre nos apoiou nas nossas decisões, ao meu marido que engravidou e pariu junto comigo, não só me apoiando, mas participando ativamente de todos os momentos, à minha sogra, dona Eunice, que mesmo com toda sua bagagem e experiência como obstetra, nos abriu os caminhos para que ele fosse percorrido através das nossas próprias escolhas. E principalmente ao Francisco que encarou todas as contrações junto comigo e veio ao mundo para se tornar o melhor presente da minha vida.

Te amo, meu filho!
Vídeo do parto: https://www.youtube.com/watch?v=eTa1oGHx0ww

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