Movimentos e Posições que ajudam no parto

12 de setembro de 2014

Simplesmente demais!!

Cris Doula

Relato da Lara – Nascimento Íris (parto pélvico) – 11/07/14

25 de agosto de 2014

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Não sou médica, estudante de medicina, enfermeira e nem parteira. Mas tive uma bebê sentada sobre minha pelve por tempo suficiente para ler muito e tomar uma decisão importante quanto a via de parto.

Numa gravidez de bebê pélvico/podálico, o parto começa muito antes do dia do expulsivo. No nosso caso, começou na 27ª semana com um sonho. Foi a essa altura que eu literalmente sonhei com o nascimento de minha filha. Me vi numa banheira, acocorada, fazendo força, quando olhei para baixo e exclamei surpresa: “ tá saindo pelo pé!”. Acordei sentindo um frio na barriga que me acompanhou até o dia anterior ao nascimento. Eu sabia que bebê sentado era o que levava muitos obstetras a empurrarem uma cesariana, ainda que também soubesse que não é uma indicação absoluta para a cirurgia.

Meu desejo sempre havia sido parir naturalmente, com o mínimo de intervenções médicas possíveis.
Foi “só” um sonho, mas achei melhor avisar minha obstetra. Fizemos um ultrassom e, para nossa surpresa, a bebê realmente estava sentada. Ainda tinha tempo de sobra para que ela virasse de cabeça pra baixo (até a 36ª semana há plenas chances), mas minha médica avisou que se fosse o caso de um parto pélvico, ela não acompanharia por não ter experiência, e me indicou o nome de outro obstetra que acompanha este tipo de parto. (Aqui tenho que enfatizar o profissionalismo da minha médica – Obrigada pela sinceridade e respeito pelo meu parto, Nathália!)
Comecei, então, uma maratona de atividades para ajudar minha filha a dar uma cambalhota – homeopatia, danças, rebolados, bola de pilates, exercícios da Naoli, lanterna na barriga, compressas quentes e frias, meditação, massagens, entre outros.

Paralelo a isso, também lia sobre partos pélvicos. Meu desejo era que ela virasse, mas eu também queria estar preparada caso ela decidisse ficar sentada mesmo. Com o tempo e paciência cheguei aos artigos relevantes, estudos atuais com amostragens palpáveis sobre o assunto, que eram, em geral, tranquilizadores. Em muitos países desenvolvidos tal parto era tratado como qualquer outro, e a cesariana não era indicada só pelo fato do bebê estar sentado.

Quando no laudo da ultrassom da 37ª semana constou “apresentação pelvipodálica” (pés primeiro, a posição mais rara possível para um bebê estar!), resolvi utilizar minha última cartada: a tentativa de VCE (Versão Cefálica Externa), manobra em que o médico literalmente gira o bebê, amparando-o pelo lado de fora da barriga. Tive muito medo. Sentia que estava indo contra tudo que buscava desde o início da gestação, que era evitar intervenções médicas desnecessárias e respeitar a vontade de minha filha. Porém, fui convencida por dois médicos e a minha amada doula de que deveríamos tentar. Fizemos duas tentativas, em dias diferentes e com médicos diferentes. No dia dos procedimentos conversava muito com minha filha, explicando que sentiria uma pressão em seu corpo pois iríamos tentar ajudá-la a dar uma cambalhota.

Pedi que ela ficasse como se sentisse melhor. Se conseguisse virar, seria ótimo. Porém se ela quisesse continuar sentadinha sobre seus pés, também não teria problema: Nós daríamos um jeito de respeitar sua vontade no nascimento. Ela decidiu continuar sentada.
Ainda não sabíamos o que fazer. Eu e meu marido mantivemos segredo sobre a posição da bebê o tempo todo para nossos amigos e familiares, pois não cabia a ninguém tomar a decisão por nós, e não queríamos que ficassem preocupados ou nos julgando pela nossa escolha. Após a segunda tentativa de VCE, com 38 semanas + 3 dias de gestação, Dr. Pablo colocou tudo sobre a mesa: prós e contras do parto normal x cesárea, manobras, mitos e verdades, evidências e experiências. Ele se manteve neutro o tempo todo. Agreguei as novas informações a tudo que eu já havia lido sobre o assunto e era evidente que a balança era muito equilibrada. Os riscos e benefícios se equiparavam e a dúvida permanecia. Eu me lembro de olhar para meu marido e pedir com os olhos que ele tomasse uma decisão por mim, mas ele estava lá para me apoiar no que EU decidisse. E eu? Eu tive vergonha de falar o que estava pensando. Tive medo de me chamarem de louca, irresponsável e inconsequente, mas algo me dizia, desde a 27ª semana, que essa era a história da minha filha. Era assim que ela queria nascer. E ia dar tudo certo.

Por sugestão do Dr. Pablo, fomos ainda a encontro de seu pai, outro obstetra com experiência em partos pélvicos. Dr. Marcos trouxe mais experiências e evidências, e também não decidiu por mim. Ficou neutro, mas disse, ao final da consulta: “São tantas mulheres que entram aqui pedindo por uma cesariana sem qualquer necessidade, que quando chega alguém lutando pelo parto normal, mesmo com o bebê numa posição atípica, é uma honra para nós. Se você optar pelo parto normal, faço questão de acompanhá-la junto ao Pablo, se me permitir. Você terá dois obstetras e ficará ainda mais tranquila!” E assim, fomos pra casa com o coração aliviado. Conversamos e decidimos tentar o parto natural até onde fosse seguro para mim e minha filha. Caso houvesse alguma intercorrência, estaríamos no hospital, com um centro cirúrgico à disposição, e dois obstetras maravilhosos que sabiam o que estavam fazendo. A cesárea não foi rejeitada. Só ficou para plano B. Avisei minha doula que minha filha ia nascer pelos pés porque era assim que ela queria. A Cris me encorajou e disse que ia dar tudo certo. Agora sim, estávamos prontos para a chegada da Íris. E ela parece ter entendido isso..

No dia seguinte, às 07:30 da manhã, fui acordada por contrações que vinham de 4 em 4 minutos. Imediatamente acionei a doula e o obstetra, que pediu para me examinar. Chegamos ao consultório com 4 cm de dilatação e colo “finíssimo”, nas palavras dele! “Então eu acho que vai nascer hoje!” eu disse, ingênua. “Eu tenho CERTEZA que vai nascer hoje!” Ele respondeu rindo!

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Seguimos direto para a maternidade, internamos perto das 10h e entramos na sala de parto humanizado às 11h da manhã. Entrei na banheira e esqueci do tempo, do medo, do fórceps que tinha visto na mão do obstetra “para qualquer emergência”, do centro cirúrgico e da dúvida que vinha me acompanhando a semanas. Era óbvio que eu ia parir. Charles, meu marido, e a Cris se revezavam para massagear minha lombar durante as contrações. Dr. Pablo me tranquilizava, segurava minha mão e dizia: “você está indo muito bem!”. Nos intervalos das contrações cantávamos, ríamos, conversávamos… Falávamos de Caio Castro e John Mayer, enquanto as músicas que eu mais gosto, escolhidas ainda naquela semana, tocavam ao fundo. Nunca me senti tão relaxada e amada.


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Com 7cm de dilatação!

Com 7cm de dilatação!

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O ambiente que a Íris nasceu não poderia ter sido melhor. A tranquilidade era tanta, que eu sequer me lembrei que a posição dela não era convencional. Aceitei que seus pezinhos nasceriam primeiro, e para mim aquilo era absolutamente normal.
A natureza é tão sábia, que quando eu cheguei a pensar em analgesia, as contrações passaram a vir mais suaves, como se quisesse me convencer de que eu daria conta. E eu dei.

Após um expulsivo rápido, de 3 ou 4 contrações, Íris nasceu, às 14:26 do dia 11 de julho de 2014, com 3,290kg e 49 cm, chegando literalmente com o pé direito. Dr. Pablo a pescou na água e a entregou para mim. Charles se juntou a nós dentro da banheira, e Íris logo abraçou o dedo do papai com sua mãozinha. Olhar para ela foi emocionante e natural. Havíamos conversado tanto, que já nos conhecíamos muito bem. Quando a acomodei em meus braços, disse: “Oi filha! Bem vinda! A gente conseguiu. Tu nasceu como queria!”

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Parimos a Íris. Eu, o Charles, a doula e os obstetras. A dor foi minha, mas sem o apoio de um companheiro que nunca duvidou quando eu dizia que ia dar certo, sem o encorajamento da doula, e sem a experiência, paixão e dedicação dos obstetras, eu teria passado por um “parto indolor” (e incolor), sem necessidade real, e sabe-se lá com qual desfecho. O parto é da mulher, mas seria injusto, no meu caso, não dividi-lo com estas pessoas.

Não sou louca, não sou irresponsável, não sou bicho grilo e também não sou mais corajosa do que a maioria das mulheres. Você me diz que o parto normal podia ter dado errado? E desde quando a cesárea é garantida? O nascimento da minha filha foi um milagre? Sim, assim como todos os nascimentos são. 

Desejo que cada mulher se conheça a ponto de saber o que é melhor pra si e para seu filho, e que não sejam julgadas por tomarem decisões baseando-se nisso. Desejo que todas encontrem suporte capacitado para apoiá-las em quaisquer que sejam as escolhas, assim como eu encontrei. Desejo que as mamães que sabem dos benefícios de um parto normal não desistam, e tenham condições de ao menos tentar parir. Desejo que aos bebês seja dada a oportunidade de um nascimento respeitoso, independente de estarem vindo ao mundo de cabeça, bumbum, ou de pé, como a minha Íris.

Relato do Nascimento da Lara 01/12/13

16 de agosto de 2014

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Sou a Ana Paula da Silva Sandre, casada com Thiago de Carvalho Sandre e mãe da Bia, Mel e Lara. Esse é o relato do meu tão sonhado vbac2 (quase concretizado).

Tudo começou com a gravidez da Bia, nossa como desejava ser mãe!! Ela foi tão desejada, amada.. E td estava correndo bem durante a gestação. E desde o início falava para minha médica que eu queria parto normal. No fim já com 39 semanas ela fez toque e disse q precisava conversar sério comigo. Ela me disse q não queria falar antes por que sabia que eu queria parto normal, mas q achava que não ia dar porque o bebê  estava muito alto e era desproporcional para a minha bacia. As lágrimas escorreram dos meus olhos naquele momento, me senti frustrada, incapaz..sei lá uma mistura de sentimentos, no entanto pensei: “ela deve saber o que está dizendo e se ela está me falando é porque é dessa forma. ( aaaah se eu pudesse voltar no tempo…como eu era ignorante por falta de informação sobre parto).

Enfim caí na desnecessária em agosto de 2010 pela primeira vez. Quando a Bia estava com oito meses engravidei novamente, voltei na minha médica e ela me disse: ” Ana agora não vai ter jeito vai ter que ser cesárea pelo pequeno espaço de tempo entre uma gestação e outra.” E eu aceitei afinal ela sabia né e eu confiava nela, achava que ela sabia o que era melhor pra mim. Quando a Mel estava com 1 ano engravidei novamente. Nossa lembro como fiquei com receio de ir lá novamente, pensei que a médica me daria a maior bronca e ela já tinha decretado que eu jamais poderia fazer parto normal, afinal eu já tinha duas cesarianas. Em uma das consultas ela me perguntou: “Ana você quer q eu solicite o papel da laqueadura? Fiquei horrorizada, eu falei: “como? Laqueadura? Nem pensar.. Eu jamais faria.”

Sai de lá e fui pra internet, comecei a pesquisar sobre parto normal apos duas cesáreas pra ver se existia. Achei a Cris Doula e mandei um e-mail contando minha história. Ela respondeu e novamente lágrimas rolaram dos meus olhos. Ela havia dito que acreditava ser possível um vbac2 no meu caso. Me indicou a Rox. Foi paixão a primeira vista, era a médica que eu precisava. Com 40 semanas e 5 dias, de madrugada comecei a sentir uma cólica e pensei: “Acho que comi algo q não fez bem.”  Era o início de tudo, passei duas madrugadas com contrações irregulares, no terceiro dia já pela manhã sentia contrações mais fortes. Foi aí que liguei pra Rox, fui pra Florianópolis ainda naquela manhã. Cheguei lá e ela fez um toque, estava com 3cm de dilatação e o tampão saiu na mão dela. Eu estava toda animada, nem acreditava q tudo estava acontecendo e que era possível sim. Sai de lá fui p shopping andar e comer algo e as contrações foram intensificando, mas totalmente suportáveis.

Chamei a Cris e fui para o  hospital de novo, a Dra fez outro toque pra ver se  tinha evoluído ou se eu poderia voltar pra casa. A bolsa rompeu sem querer durante o toque. A Dra me internou, lembro de ficar falando muitas coisas com a Cris e meu marido, de dar risada, chupar chicletes.. Hehe.

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Mais com 7 de dilatação o bicho pegou, as contrações engrenaram, mil coisas se passavam na minha cabeça, no entanto não conseguia falar..foi então que o medo bateu, parecia que algo não estava certo. Comecei a pensar que não ia conseguir, comecei a sentir dor na cicatriz. Pedi analgesia, tomei duas. Mesmo assim não acabou de dilatar, parou em 8cm. Já eram 3 e pouco da madrugada, a medica examinou novamente e disse:  “Ana, tem alguma coisa errada e eu não sei o que é.”

Vamos fazer uma cesárea agora e talvez eu descubra o problema. Eu disse: ” tá bom” e chorei !! Lembro da Cris acariciando meus cabelos!! E a Dra não conseguiu descobrir, falou q meu útero estava ultra mega fino e que acha que a contração devia estava indo para a cicatriz. Disse:” Dra eu não queria dizer nada, mas eu não aguentava mais!” Ela deu uma risada carinhosa e disse: “Não é por isso que vou fazer a cesárea!”
Minha recuperação foi muito difícil, parecia que tinha sido atropelada por um caminhão hehe. Fiquei resfriada e com dor de cabeça durante um mês. Mais valeu a pena!! Faria tudo de novo!! Quem sabe um dia um vbac3!! De uma coisa não tenho dúvida:

“Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”(romanos 8:28).

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Um grande abraço a todas!!

Ana Paula Sandre

Relato da Morgana – Nascimento Clarice 28/07/2014

14 de agosto de 2014

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A conquista do meu VBAC!

O relato do meu VBAC (Vaginal Birth After Cesarean – Parto Normal Após Cesárea) começa muito antes de eu desejar ser mãe.

Tenho 29 anos, sou filha de um casal separado, cuja união tumultuada gerou duas filhas. A minha irmã tem 16 anos.

Aos 19 anos, minha mãe engravidou sem querer e aos 20 dela, eu nasci. Foi parto normal e minha mãe sempre relata que quando chegou ao hospital, quis ir ao banheiro, e quando a enfermeira a viu, mandou-a direto para a sala de parto, caso contrário eu nasceria numa privada!

13 anos após meu nascimento, minha irmã nasceu, também de parto normal. E minha mãe conta que passou a madrugada inteira com contrações e quando não agüentava mais, chamou meu pai e foram a pé para o hospital. À época, meu pai e eu morávamos a uma quadra do hospital, eu fiquei em casa dormindo na companhia de uma amiga e, às 6h, minha mãe deu à luz a minha irmã. Devem achar estranho eu dizer “meu pai e eu morávamos…”, é que meu pai era separado de minha mãe, mas ela, sozinha, planejou a gravidez, e meu pai foi pai de novo, mesmo os dois vivendo separados, inclusive em cidades diferentes… Sabe como é… quando a pessoa gosta, planeja e faz loucuras… Não sei se o nome disso é amor, mas o fato é que minha irmã veio ao mundo.

A partir daí, o tempo foi passando. Conversas sobre bebês, crianças, partos, sempre surgem nas famílias, na minha não foi diferente. Minha mãe tem mais duas irmãs, e ambas fizeram cesarianas. Mas minha mãe sempre gritou aos quatro ventos que mãe mesmo é aquela pare a criança de parto normal. Eu discordo dessa opinião dela e sempre achei desrespeitosa a forma como ela manifestava seu ponto de vista, pois para ela não interessava as circunstâncias que levaram a mulher a fazer a cesariana, o que vale mesmo é ser mãe de parto normal. Bom… Parir ou não é importante, hoje eu sei, mas não é a forma como o bebê vem ao mundo que determina se a mulher será boa mãe, até porque há mulheres que não parem, adotam, e são até mais mães do que muitas que trazem seus bebês no ventre.

Enfim… em 2011, após planejamento, meu marido e eu engravidamos. A Lívia estava a caminho.

Gestação e Nascimento da Lívia – 2012

Iniciei o curso de Gestantes e Casais Grávidos do HU, participei de palestras, li livros, artigos, comentários, blogs, sites, comentários e tudo o mais sobre o mundo da gravidez e maternidade… e eu pensava que conhecia o suficiente sobre parto normal e cesariana, fazendo da minha decisão de PN ser a mais coerente. Eu dizia que faria PN, mas que a cesariana seria uma opção em último caso. E o que significava “último caso”? Não sabia dizer e, hoje, ainda penso que não sei o suficiente.

Na madrugada de 09 de junho de 2012, pela 1h, senti que havia algo estranho, pois já não conseguira pregar o olho desde que deitara na cama. As contrações iniciaram, mesmo irregulares, e eu comecei a monitorá-las. Pelas 4h, quando já estavam mais intensas, acordei meu marido e falei que era necessário irmos para a maternidade. Pegamos a mala da Lívia, pronta há algumas semanas, arrumamos minhas coisas e fomos. A uma quadra da maternidade, a bolsa estourou e molhou um pouco o banco do carro. Esta era uma preocupação: a bolsa estourar e molhar minha cama, inutilizar o colchão, por isso embaixo do lençol havia várias camadas para evitar a molhaçada.

Chegando no Ilha Hospital e Maternidade, fui atendida pela médica plantonista, Halana, que fez o exame de toque e constatou 4 cm de dilatação. Fui internada, e o TP continuou a evoluir. A médica entrou no TP comigo, me ajudava na respiração, nas posições menos desconfortáveis, mas as contrações eram muito dolorosas. Eu queria PN, mas as dores estavam cada vez mais terríveis. E, infelizmente, o plantão da médica Halana finalizou às 8h, e assumiu outra médica.

Meu TP estava a todo vapor, cada contração era um sofrimento só, saia líquido, fluidos, sangue e lembro que eu tinha nojo de mim… a enfermeira Rosana dizia que era normal, que eu não precisava ter nojo, que eu não precisava ter vergonha caso fizesse cocô, isso eu lembro que morria de vergonha, mas não cheguei a fazer. Usei a bola, sentava no vaso sanitário para fazer xixi, mas não saía nada, usei o chuveiro, a banheira e nada das contrações aliviarem. Fiquei decepcionada com a banheira, pois eu lera que ali tudo ficava mais ameno… e quando entrei, nada. E a médica sentada no canto só dizia “se precisar de alguma coisa, estou aqui”. Quê? Estava nada… só o corpo dela estava ali, a cabeça estava em outro lugar.

Eu precisava de alguém para me orientar, mas não tinha esse alguém ali. O Tiago estava comigo o tempo todo, me apoiando, me massageando, mas não sabia o suficiente… enfim, ele não era uma doula. Vários toques foram feitos pela médica, durante as contrações, e eu reclamava muuuuito, e o último deu 9 cm… ela rompeu a bolsa novamente para ajudar a Lívia a descer… Estávamos quase lá, só que a partolândia é tão poderosa que me rendi a ela. A médica ofereceu analgesia, aceitei de imediato, ela fora chamar o anestesista que demoraria não mais que 20 minutos. Só que esses minutos duraram uma eternidade, quando ela voltou com ele, eu apelei para a cesariana. E o que eu ouvi diante dessa súplica?

“Tem certeza de que você quer a cesárea?” Ãhhhhhh?????? Certeza? Eu? Claro que não! Perguntei para o Tiago o que ele achava, em meio a contrações insuportáveis, ele concordou comigo. Ele sim tinha certeza do que estava fazendo ali: me apoiando em tudo, afinal, ele não queria me ver sofrer, queria o melhor para mim. E partimos para o centro cirúrgico. Tirei brincos, corrente, anel, etc (coisa chata para fazer antes da cirurgia), fui gemendo no elevador e chegamos na sala fria, branca e iluminada.

A anestesia nas costas, sem poder me mexer, e logo me deitaram na cama, organizaram tudo e uns 15 minutos depois, no máximo, a Lívia nasceu. Nasceu? Eu perguntei. A médica disse sim. Mostrou-me a Lívia do alto e naquele instante meu mundo se transformou. Caí em lágrimas de intensa emoção. E sempre que me lembro desse momento, eu me emociono. Em seguida, colocaram-na no meu rosto por uns 5 minutos (acho que é muito tempo), Tiago fotografou e levaram-na de mim. Tiago foi com a Lívia para acompanhar os procedimentos, o banho, etc. E eu? Fiquei ali sentindo minhas pernas serem manipuladas, a mesa balançar. Depois de um tempo, o Tiago voltou com a Lívia no colo, com roupa vermelha, minúscula. Os olhos dele brilhavam… a cena era linda.

Os dois se completavam. Fui levada para a sala de recuperação. Ficamos os três lá por muito tempo. O tempo para minhas pernas voltarem a sentir algo… A Lívia nasceu 10h48min. Lembro que fui amamentá-la apenas às 12h30min. Por que tanta demora pra sair daqui? Eu perguntava cada vez que a enfermeira Aparecia… eram as pernas… e na penúltima vez que ela apareceu, me perguntou porque a Lívia estava com o Tiago ainda. Eu que não sabia. Então, ela colocou a Lívia sobre mim, e a minha filha mamou pela primeira vez. Quão feliz eu fiquei! O instinto da criança é incrível, o corpo feminino também. Meus seios tinham o alimento perfeito para minha filha desde a gravidez!

E assim foi… a Lívia nasceu em um sábado e ficamos na maternidade até segunda de manhã. Muitos medicamentos, dores, dificuldade para rir, tossir, fazer xixi (sim… a primeira vez que fui fazer xixi, mesmo com a bexiga estourando, não saiu nada, e as enfermeiras diziam que era muito normal e mandavam eu tomar mais água), e muuuuitos gases. Mas eu estava no céu, feliz com meu bebê e meu marido. Ô ingenuidade.

O tempo passou e eu continuei me informando, me atualizando no mundo da maternidade, da gravidez, dos bebês. Claro que a prática no dia-a-dia é o que nos mostra o quão somos capazes de nos adaptar com um novo ser em casa e amá-lo incondicionalmente, mesmo sem dormir direito, comer quando dá… tudo fica pra depois, pois o bebê é prioridade.

A Lívia continua crescendo lindamente, hoje já está com 2 anos e 2 meses, mas eu percebi que algo tinha saído errado no nascimento dela. Eu não conseguia aceitar que o PN não dera certo. E minha história passava mil vezes pela minha cabeça, a culpa e a não aceitação da minha cesárea só aumentava. Eu queria ser mãe de novo, mas a segunda vez seria diferente, eu iria parir, fazer de tudo para isso acontecer.

Numa sexta-feira do fim do ano de 2013, matei o dia de academia e fui ao cinema sozinha e, felizmente, assisti o documentário “O Renascimento do Parto”. Chorei do começo ao fim e saí ainda mais certa de que minha cesárea não era para ter acontecido e que o segundo bebê que viesse a ter sairia de mim da forma mais natural possível.

E assim foi. Engravidei em novembro de 2013, continuei em busca do meu empoderamento, inclusive, contratei a Cris (Doula).

Gestação da Clarice 2014

Em junho de 2014, fiz um ultra-som em que foi diagnosticada placenta baixa. Já no grupo de doulandas da Cris perguntei o que era isso, na consulta com ela também perguntei e me explicaram e, dependendo da situação, isso pode impossibilitar um PN. No entanto, na consulta com minha obstetra (GO), perguntei o que era, mas a única coisa que ela disse várias vezes foi “fica tranqüila, tua placenta vai subir”. Ok… Mas o que era placenta baixa? Naquela consulta decidi que meu lugar não era ali.

Ao chegar em casa, já agendei minha primeira consulta com o Dr. Fernando Pupin e, com 30 semanas da segunda gestação, ele me atendeu muito carinhosamente e disse que seria uma honra para ele poder me acompanhar se fosse da minha vontade e da vontade do meu marido. Foi tarde, mas foi em tempo que mudei de GO. Voltei no Dr. Fernando com 34 e 36 semanas, e as notícias sempre boas: Clarice e eu saudáveis. Na primeira consulta com ele, é importante dizer, que a Clarice estava sentada, eu sentia muitos incômodos com suas mexidas. O médico, ao senti-la na minha barriga, manipulou-a tão facilmente que a rapariga virou e encaixou! Fiquei surpresa com a facilidade. Mas ele teve a impressão de que ela estava virando novamente. Ele não manipulou mais naquela consulta porque senti um pouco de desconforto, mas fui embora feliz!

Como até a 34ª semana continuei incomodada, pensei que ela ainda estivesse sentada, mas ao retornar com o Dr. Fernando, ele me examinou, fez um ultra-som e constatou que ela ainda estava encaixada. Então foi só alegria! Entre a 30ª e a 34ª semanas, a Cris sempre me tranqüilizada dizendo que ainda havia tempo para a Clarice virar, só que minha ansiedade era tamanha que rezava e conversava todos os dias para a menina virar… e ela já estava virada! Kkk Só que eu já estava determinada: mesmo que a Clarice se mantivesse pélvica, meu parto seria pélvico!

Com 35 semanas e 6 dias, comecei a sentir os pródomos. Mas pra mim eram as contrações naturais de Braxton Hicks, as de treinamento. E como eu tinha consulta com Dr. Fernando no dia seguinte, fiquei tranqüila. Com 36 semanas, dia 24 de julho, fui consultar com ele. Falei que as contrações estavam presentes desde o dia anterior. Ele, então, pediu permissão, fez o toque e constatou que eu estava com 1cm de dilatação e colo apagando. Fiquei preocupada, pois ele havia me dito em consultas anteriores que era para eu me preparar apenas a partir de 37 semanas e ainda faltava uma para chegar. Mas ele me tranqüilizou e orientou-me a arrumar a malinha da Clarice (eu não havia lavado nada ainda). Mesmo assim, saí do consultório feliz. O importante é que minha segunda filha viria de PN e tudo estava se encaminhando para isso.

Antes de começar a contar do TP, quero deixar registrado que essa gestação, apesar de planejada e amada, foi bem difícil. É que passamos por muitas situações de estresse e ansiedade com troca de apartamento. Vendemos o que morávamos, compramos outro, mas até entrar no novo, foi uma novela, chegamos até morar um mês de aluguel. Mudamos dia 19 de julho para o novo lar, passei a semana inteira acompanhando obras no apartamento (pintura, colocação de piso, instalação de móveis, faxinas intermináveis e improdutivas), e a Clarice nasceu dia 28 de julho. Eu só rezava a Deus e conversava com ela, pedindo que ela esperasse o fim das maiores arrumações no apartamento. E ela esperou.

No mesmo dia 24, recebi a visita dos meus sogros e da minha concunhada em meio à bagunça do apartamento. Dia 26, veio meu cunhado e todos voltaram para sua cidade dia 27 de tarde, por volta das 16h. E desde o dia 23, a cada dia, as contrações estavam cada vez mais intensas, mas eu me tranqüilizava e rezava em silêncio. Após a ida das visitas, Tiago, Lívia e eu fomos passear no shopping: comemos bolo, a pedido da Lívia, trocamos o presente de dia dos pais do Tiago, passeamos e fizemos compras.

Quase chegando em casa, no semáforo a uma quadra de casa, tive uma contração forte, às 19h32min, e falei para o Tiago que era hora de começar a monitorá-las. Ao chegar em casa, entrei em contato com a Cris, falei da situação, e ela disse para eu monitorar as contrações (intervalos e duração) por uma hora e retornar a ela. Cris perguntou qual a intensidade da dor de 1 a 10, eu pensei, disse 7 achando um exagero. Mas estavam bem suportáveis, mas com intervalos menores entre elas. Uma hora e meia depois falei com a Cris, mandei a foto das anotações das contrações (não consegui usar o aplicativo que baixei no celular), e ela disse pra eu ir pra maternidade. Eu não queria ir. Eu, então, chorava de preocupação com a Lívia. Estava tarde, era domingo, eu queria a Lívia perto de mim.

Como eu iria pra maternidade? E ela? Já estava tudo acertado, inclusive no plano de parto, que Tiago e Lívia ficariam comigo na maternidade, mas como esse momento parecia se aproximar, a aflição se apoderava de mim. Colocamos a Lívia para dormir e fomos dormir. Deitada as contrações eram insuportáveis e eu voltava a chorar. Pela 1h da manhã, chorando, levantei e disse para o Tiago que não dava mais para ficar deitada, a dor era muito forte e decidi arrumar a mala da Clarice. Eu havia lavado as roupinhas no dia anterior e algumas coisas ainda estavam secando no varal. Abri o computador, peguei a lista e comecei a colocar as coisas na bolsa. Não eram (e não são) muitas e coloquei quase tudo. As contrações iam e vinham e, a cada uma, eu me abaixava chorando.

Arrumei tudo, as minhas coisas, as da Clarice e pedi para o Tiago arrumar a Lívia e as coisas dela. Lembro que a vi dormindo lindamente com a roupa que o Tiago tinha colocado nela para sairmos. Pedi para o Tiago falar com a Cris de novo, que já estava a postos, e combinaram de a pegarmos e irmos pro Ilha. Antes das 2h, saímos, pegamos a Cris e fomos para a maternidade. As contrações dentro do carro eram intensas. Eu gemia baixinho, eram dores suportáveis e também não queria assustar a Lívia. Depois a Cris relatou no grupo de doulandas que a Lívia acordou e, a cada contração que eu tinha, ela respirava no mesmo ritmo que eu gemia de dor. Realmente um TP em família.

Chegando à maternidade, a Cris desceu comigo, enquanto o Tiago foi estacionar o carro. Para minha surpresa, quem estava de plantão? A mesma médica que fez minha cesárea. Voltei a chorar. Cris perguntou se eu estava bem e se eu queria a plantonista. Eu disse que estava preocupada e que era para chamar o Dr. Fernando. Tiago ficou envolvido com a Lívia, enquanto a Cris e eu entramos no consultório para que a médica me avaliasse a pedido do Dr. Fernando (ele e a Cris estavam em contato pelo whatsapp).

No consultório, respondi as perguntas padrões, em meio a contrações. A médica sugeriu de eu me vestir para fazer o exame de toque, mas eu quis fazer xixi primeiro. Incrivelmente as contrações eram suportáveis, eu chorava mesmo de preocupação com a Lívia. Eu não queria estar na maternidade, queria estar em casa. Fiz xixi, coloquei a camisola, deitei na cadeira de exames com dificuldade, e a médica veio fazer o toque. Pediu pra eu relaxar e fez o toque. Não sei se relaxei, mas não senti dor. E a surpresa: ela disse que eu estava com 6-7cm de dilatação. Já fiquei p… da cara. Ou 6 ou 7! A bronca com ela continuava. Voltei pra recepção enquanto o Tiago fazia minha internação, e o Dr. Fernando apareceu com uma carinha de cansado! Quando o vi, me tranqüilizei.

Fomos para a sala de parto. Lá chegando, a Cris me ajudou a me arrumar. Eu não sabia o que fazer, que coisa louca. Era contração atrás de contração, mas tudo controlável, eu estava civilizada. Cris atenciosa e carinhosa, sempre ao meu lado, oferecendo os recursos que a sala tinha (chuveiro, banheira, cama). A enfermeira colocou o antibiótico em mim, e eu quis ir para o chuveiro, pois a água quente aliviava, lembrei do último banho que tomei em casa que foi tão relaxante. E, de repente, numa contração, a bolsa rompeu e doeu. Vi o sangue escorrendo pelo ralo. Ficamos ali um tempo. Eu quis sair. Com a bolsa rota, as dores aumentaram um pouco, mas eu me sentia forte e só pensava que tudo aquilo ia passar. Lembro-me de que o Tiago e a Lívia iam e vinham toda hora, eu conversava com a Lívia, ela dizia que eu estava dodói, eu explicava a ela o que eu sentia, mas sempre dizendo que eu estava bem.

Eu não lembro com exatidão das coisas que aconteciam, estava preocupada, com sentimentos estranhos, acho que era medo de não parir, mas estava feliz que a Lívia estava ali com o Tiago. A Cris sugeriu a banheira, eu aceitei com a condição de que ela me ajudasse a ficar numa posição confortável. Entrei me ajeitei e as contrações pioraram tanto… Acho que nesse momento entrei também na partolândia. Era muuuuita dor. O Dr. Fernando estava lá também. A cada contração eu dizia: “Cris, vem outra, me ajuda!” Ela dizia calmamente que a cada contração minha filha estava mais perto. Doía taaanto. Eu só pensava que aquilo ia passar e pedia a Deus que me desse força.

Mas a partolândia é loucura, a gente pira e sai de si mesma. Depois de muitas contrações, ver meu sangue deixando a água rosa na banheira, sentir que meus ossos da região genital iam quebrar, gemer de dor, ver minha filha ali com Tiago e pedir para ele tirá-la dali, eu temia não conseguir parir. A Cris percebeu isso. Ela disse, então, para eu esquecer o parto da Lívia, que esse era outro momento, que as dores eram intensas sim, mas que eu ia conseguir, que era para eu acreditar no meu corpo, em mim. Eu não dizia que não ia conseguir, eu dizia que tinha medo. Nesse TP, eu conheci a vontade de empurrar. Eu não sabia o que era isso, no TP da Lívia eu não cheguei nessa fase. A vontade é incontrolável, assim como urrar também era. Eu não gemia, eu urrava. Em certo momento, a Cris e o Dr. Fernando sugeriram eu ficar de quatro apoios na banheira para ficar mais confortável e conseguir descansar entre as contrações.

Foi uma luta eu trocar de posição. Tudo doía, eu estava exausta. Quando, por fim, me arrumei, as dores pioraram e implorei analgesia para o Dr. Fernando. Ele, calmamente, disse que não daria para fazer, que talvez não pegasse na fase que eu estava. Implorei de novo, e ele, determinado, disse um não categórico. Depois desse não necessário, seguro, eu me resignei, a vontade de empurrar me dominou, empurrei, urrei, e a cabeça da Clarice saiu. Ui, como doeu! E a cabeça ficou ali. Eu reclamei que estava doendo, perguntei o que fazer, e a Cris disse que era para esperar a próxima contração. Que horror, eu pensava, parecia que ia rasgar meu corpo.

Na contração seguinte, eu não senti dor, não me lembro de sentir algo, lembro que empurrei e urrei com toda minha força, e a Clarice saiu junto com um grande alívio que se estabeleceu em todo meu corpo. Nessa hora de expulsão, o Tiago estava na minha frente com a Lívia no colo, a vi chorar quando gritei descontroladamente. Ela, chorando, escondeu o rostinho no pescoço do Tiago. Depois que a Clarice nasceu, eu disse para a Lívia que não precisava chorar porque a mamãe estava bem e que a Clarice havia saído da minha barriga.

O Dr. Fernando colocou a Clarice no meu colo, o Tiago e a Lívia sentaram-se atrás de mim, a Cris ali junto cuidando de mim, e após o fim da pulsação, Tiago cortou cordão umbilical. O sangue espirrou no meu rosto. A Clarice era minúscula e estava toda branquinha do vérnix. Eu estava mergulhada na banheira de líquido rosa e quente. Minha família estava ali comigo. As pessoas que EU escolhi estavam comigo no momento de vitória conquistada! Eu só dizia: “eu consegui”! Nem eu acreditava! Foi lindo, intenso, maravilhoso!

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A Clarice foi examinada ali no quarto e teve que curtir a UTI por algumas horas por ter nascido prematurinha e com a respiração acelerada. Mas fiquei com ela um tempinho antes de ela partir. A Lívia estava ali ao meu lado e disse que estavam colocando fralda na Clarice. Depois levaram minha RN, e eu fui de cadeira de rodas para o quarto. A exaustão era tanta que eu não tinha forças para andar. Acho que foi a primeira voltinha de cadeira de rodas que dei. Nós três fomos para o quarto, nos organizamos para dormir, Cris veio se despedir, me deu os parabéns e disse que entrava em contato comigo no dia seguinte. Isso era umas 4h eu acho.

Vi meus dois amores dormirem no sofá de acompanhantes, e eu não conseguia pregar o olho, estava tentando acreditar em tudo o que eu tinha passado. Peguei no sono e quando acordei, pelas 7h, era a Clarice chegando, minha miudinha voltara da UTI muito bem e não precisava mais retornar para lá. Ela seria só nossa a partir daquele momento. Claro que Lívia e Tiago acordaram e ficamos curtindo nossa pequenina. A Lívia de pequena passou para grande! Como cresceu quando a Clarice nasceu! Eu olhava para aquele rostinho enroladinho nos panos e só pensava que eu tinha conseguido parir.

Eu conquistei o meu VBAC! E o mais legal disso tudo é que eu o conquistei da maneira que eu tanto queria: com minha doula, meu médico e, principalmente, com minha filha e meu marido presentes! Fui respeitada em todos os momentos. Apesar do medo e da preocupação, meu corpo mostrou que é capaz de parir sem intervenções medicamentosas. Eu pari naturalmente minha segunda filha na água. Não só eu, mas minha família teve um VBAC. Superei o trauma e a culpa da cesárea desnecessária que tive há dois anos. Eu pari! Sim, eu pari!

Doeu? Sim. Mas não há um “mas” se quer que me fez desistir. Eu só consegui porque estava com as pessoas certas e porque eu desejei a cada dia esse VBAC.

Então, desejo que muitos e muitos partos normais e naturais aconteçam, que muitos VBAC se concretizem e que muitas cirurgias cesarianas necessárias ocorram para salvar vidas. Tudo isso em prol da vida!

Agradeço a Deus pela oportunidade de ser mãe de duas filhas amadas, de ser esposa de um marido tão maravilhoso e de ter sido acompanhada pela Cris e pelo Dr. Fernando Pupin para a realização do meu sonho!

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***

PS.: não sou mais ou menos mãe porque pari. Sinto-me mais mulher por tudo que passei. Não amo menos minha Lívia porque ela veio ao mundo através de uma cirurgia. Orgulho-me de ter passado por um TP antes da cesárea desnecessária e por ter tido coragem e determinação para buscar e conquistar o VBAC. Dedico, portanto, esse VBAC à Lívia e ao meu marido, pois eles foram a inspiração disso tudo.
Observação 1:
Chegamos ao Ilha Hospital e Maternidade por volta das 2h da madrugada do dia 28/07/2014, e a Clarice nasceu às 3h34min.

Observação 2:
Siglas:
PN: parto normal/natural
GO: ginecologista-obstetra
RN: recém-nascida
UTI: unidade de tratamento intensivo
VBAC: vaginal birth after cesarean

Por Morgana Dias Johann

http://gravidezdoiscorposnomeuespaco.blogspot.com.br/2014/08/a-conquista-do-meu-vbac.html

1º Congresso nacional online da Gestante

21 de julho de 2014
10494675_415068265299337_4196932443539863770_nPara se cadastrar >> www.conages.com.br
 
Um Congresso Nacional que reúne especialistas em Saúde da Gestante para ajudar as futuras mamães nessa nova fase da vida delas. De 01 a 07 de Setembro!!
 
TEMA: “A Função da Doula no Acompanhamento da Gestação, Parto e Pós-parto”.
 
Cristina Melo é Doula certificada pelo Grupo de Apoio a Maternidade Ativa (2010) – SP, formada como Técnica de Enfermagem no mesmo ano. Participou da palestra e Workshop com Dr Michel Odent (obstetra Francês) em Florianópolis (2011) e do curso de Imersão a Gestação, Parto e Pós-parto com a parteira mexicana Naolí Vinaver (2011). No ano seguinte viajou a França onde participou da 9ª conferência de Doulas em Paris. E recentemente formou-se Doula Pós-parto certificada pelo GAMA (2013- SP) com Ana Paula Markel, Doula em Los Angeles – EUA.