Era setembro de 2011 quando eu e meu marido, Giovani, decidimos parar o contraceptivo e deixar que a vida nos desse um filho. Como eu já tomava anticoncepcionais há muitos anos e meus planos era iniciar a pós graduação em Março de 2012 e ficar grávida no final do ano, quando estivesse na reta final da pós, pensei que engravidar fosse demorar um pouco. Em outubro eu ainda tinha uma certa dúvida se engravidaria agora ou não, e acabei tomando um certo cuidado com o período fértil. Em novembro decidi anotar o dia da menstruação e não tomei cuidado com o período fértil, deixei acontecer naturalmente. Se engravidasse agora ou mais tarde não teria problema algum, afinal, nós queríamos e estávamos preparados para tal.

Passou a turbulência do TCC em Novembro e chegou Dezembro de 2011. Quatro dias de atraso e eu decidi fazer o teste rápido de gravidez. Às 7h da manhã de um domingo, com o peito cheio de expectativas, as duas linhas da fita do teste se fizeram presentes. Eu mal conseguia acreditar. Uma avalanche de sentimentos tomou conta de mim. Fui até a cama onde meu marido ainda dormia e sentei a seu lado. Ele acordou e me perguntou o que havia acontecido. Eu apenas disse “o teste deu positivo” e comecei a chorar… de felicidade, de desespero, de medo… Mas, era o que a gente queria! Então, somente a alegria reinou.

A partir desse momento passei a ler mais a respeito de parto, embora já tivesse estudado na faculdade. Eu sabia que não queria fazer cesariana porque sempre tive muito medo de cirurgias e também pela minha experiência em centro cirúrgico. Como eu já havia visto o parto na água de uma enfermeira mexicana que defende o parto domiciliar, eu decidi que o meu seria na banheira. Procurei um médico que realizasse partos naturais e encontrei o Dr. Marcos Leite. Procurei também o acompanhamento de uma doula, profissional que eu já havia ouvido falar, e encontrei a Cris que respondeu meu e-mail prontamente.

Com ela eu pude tirar todas as minhas dúvidas, afinal, tudo que eu havia aprendido nos livros, na vida real é bem diferente.

Tentei convencer meu marido em realizar o parto domiciliar, mas não teve jeito, ele não se sentia seguro e ainda tinha muitos preconceitos enraizados. Então, procurei uma maternidade que tivesse uma banheira e me cerquei de profissionais de minha confiança e que fossem a favor do parto natural.

Todas as vezes que eu assistia aos vídeos e lia os relatos dos partos no site da Cris eu me emocionava muito. Ficava imaginando como seria o meu e cada vez mais eu me enchia de certeza de que queria o parto mais natural possível, já que não poderia ser na minha casa. Nunca suportei muito a dor, mas para ter minha filha nos braços eu enfrentaria qualquer situação. Incrível como o medo dissipa quando temos certeza daquilo que queremos e sabemos o que está por vir.

Quarenta semanas se passaram e após total calmaria a ansiedade em ver o rostinho da minha filha se fez presente. Em todas as consultas as notícias eram sempre as mesmas “ainda não está na hora, vamos aguardar”…“ela está ótima, e está tão bom lá dentro que ela nem quer nascer”. Eu falava com a Cris e perguntava a respeito dos sinais de proximidade do parto. Eu queria tanto, mas tanto que os sinais fossem positivos, mas ela me dizia que quando chegasse a hora eu saberia. Será que vou saber mesmo, eu pensava. Quando tinha algum sinal, algum pressentimento de que era a hora, na verdade não era. Então, sempre surgia a dúvida, será que eu saberia mesmo.

No calendário eu controlava o fechamento das semanas de gestação e as luas. Dia a dia a ansiedade só aumentava.

Quinta-feira, dia 16 de agosto, eu passei mal pela primeira vez. Náuseas e vômitos me fizeram crer que meu corpo me dava sinais de que tudo estava mudando.

Sábado, dia 18 de agosto, eu e meu marido fomos andar no parque de Coqueiros para dar uma ajudinha pro início do trabalho de parto. Foi quando algo novo aconteceu. Um certo sangramento meio mucoso começou a aparecer. Comparei com o tal “tampão mucoso” dos livros e não era nem um pouco parecido. Mesmo assim eu tinha esperanças… Não conseguia parar de pensar nos sinais do trabalho de parto ativo e no falso trabalho de parto. Eu queria muito que tudo começasse. Conversei com a Cris por mensagens, o final de semana inteiro. Na madrugada de segunda-feira, 4 horas da manhã, finalmente, as contrações vieram. Ainda esparsas e sem tanta intensidade, porém já dolorosas. Às 10 horas da manhã fui visitar meu obstetra, cheia de esperanças de que já houvesse alguma dilatação e que logo teríamos nossa filha nos braços. Mas, meu colo ainda estava fechado e grosso e as contrações ainda duravam menos de 1 minuto. No entanto, meu médico disse que mais de 24 horas não passaria. Uuuuuhhhuuuuu!!!! Finalmente uma evolução!!! Voltamos para minha casa e chamei minha mãe para ficar comigo, afinal eu havia passado mal na quinta-feira e não queria ficar sozinha em casa. Ela veio e meu marido voltou para o trabalho. As contrações aumentaram e eu comecei a me sentir desconfortável e sem posição para ficar. Perguntei pra Cris o que eu poderia fazer para controlar melhor a dor e ela recomendou o banho quente no chuveiro e rebolar na bola suíça. Foi exatamente o que eu fiz. Almocei forçado, ficava andando de um lado pro outro e as vezes eu ficava no chuveiro. Às 16 horas comecei a cronometrar as contrações. Neste momento elas eram bem mais fortes e seguidas, o trabalho de parto ativo!!!! Agora eu permanecia no chuveiro rebolando, cantando, rezando e curtindo o meu momento. Acho que entrei meio em transe, porque a dor era forte, mas eu a controlava. Era só eu e minha filha. Rezava para que Deus me desse forças e permitisse que o espírito da minha avó estivesse ali comigo me enviando energias positivas. E ela estava, tenho certeza, pois me senti muito segura e feliz.

Meu marido ficava indo e vindo do trabalho, preocupado comigo. Me perguntava se estava tudo bem, se queria que ele ficasse em casa comigo. Eu dizia pra ele ajeitar tudo no trabalho que em breve iríamos para a maternidade, mas que estava tudo tranqüilo, não precisava sair correndo. Minha mãe estava agoniada, ficava me dizendo a toda hora para irmos pra maternidade, mas eu dizia que ainda não era o momento, ainda era cedo. Primeiro era necessário que as contrações ficassem rítmicas por pelo menos 1 hora, daí sim eu ligaria para meu médico e decidiria qual o melhor momento de sair de casa.

Fiquei no chuveiro até às 17 horas, quando liguei para o Dr. Pablo, filho do Dr. Marcos, e avisei das contrações. Às vezes eu não conseguia falar direito, pois as contrações vinham como uma onda. Pedi para ficar mais tempo na minha casa e ele permitiu. Eu não queria ir pra maternidade e chegar lá com apenas 3 ou 4 cm de dilatação. Já que eu não poderia realizar meu parto em casa, então queria ficar o máximo de tempo no aconchego do meu lar. Em torno de meia hora se passou, foi quando a Cris me ligou e pediu para que eu fosse pra maternidade, pois ela estava lá realizando outro parto (que coincidentemente era de uma amiga minha) e poderia cuidar de mim mais de perto. Caso eu estivesse com 3 ou 4 cm de dilatação ela voltaria comigo pra minha casa.

Daí sim fui convencida a sair rumo a maternidade.

No caminho para o hospital, na companhia de meu marido e minha mãe, eu liguei para o Dr. Pablo e avisei que eu estava saindo. Quando eu chegasse lá era pra eu pedir para a Cris ligar pra ele para dar maiores informações.

Cheguei à maternidade às 18:20h e fui examinada pelo médico de plantão. Após me examinar ele disse “quem adivinha quantos centímetros”… eu disse “ah eu acho que estou com 3cm” meio desanimada e um pouco contrariada por estar ali tão cedo, eu pensei… Foi então que o médico disse “estás com 8cm de dilatação!”. Nossa, me enchi de alegria e orgulho de mim mesma!!!! Olhei para o meu marido e disse com os olhos cheios de lágrimas “vamos ver nossa filha”.

Quando o médico de plantão saiu para ligar para o Dr. Pablo avisando que o parto estava próximo, meu médico chegou. Ele disse que percebeu na minha voz que o parto estava iminente. Fiquei admirada com tamanha habilidade e experiência.

Após me instalar no hospital fui para a sala de parto na companhia do meu médico, da minha doula e de meu marido. Minha mãe ficou instalada no meu quarto, pra onde eu iria após o parto. Mesmo querendo que ela fosse pra casa, não teve jeito, ficou lá comigo, nervosa, rezando.

Na sala de parto tudo era novo e estranho. Não era mais a minha casa, meu banheiro, meu chuveiro, minha bola. Infelizmente isto abalou meu psicológico e comecei a perder o controle da dor. As contrações eram tão fortes que eu mal conseguia me ajeitar. Ficava na banheira, no chuveiro, na bola… Tentava retomar o transe que eu estava em casa, mas não conseguia. Perdi a sintonia com meu corpo e a dor tomou conta de mim. Em nenhum momento eu senti medo, era apenas dor. Queria que ela acabasse. Era algo dilacerante.

21 horas da noite e eu continuava com os mesmos 8cm da internação e bolsa íntegra. Estava claro o meu abalo emocional. Algo me incomodava profundamente e não permitia que a dilatação evoluísse. Para ajudar na evolução da dilatação meu médico me ofereceu a analgesia de parto e o rompimento artificial da bolsa. Após muito pensar eu aceitei a analgesia e a bolsa foi rompida um tempo depois.

A minha impressão era que a analgesia de nada adiantou, pois as dores continuaram muito fortes. Após muito tempo na banheira as dores diminuíram e as contrações também… Então veio a ocitocina na bomba de infusão e eu pensei “puxa vida, vou sentir dor novamente”. Mas, era preciso, pois dessa forma a dilatação seria completa e a expulsão começaria logo. Algum tempo depois, já totalmente sem forças, foi sugerido que eu ficasse de cócoras na banheira e fizesse força para empurrar a Mariana. Finalmente a dilatação total!!! Peguei nas mãos da Cris e apertei com toda força (coitadinha, acho que quebrei os dedos dela, hehehe). Para dar um “up” tomei um refrigerante, já que a única coisa que eu tinha comido foi o almoço e ele já havia voltado e ficado no chão do hospital. Foi então que a expulsão começou.

De repente meu corpo foi tomado de uma onda gigantesca de energia e comecei a fazer muita força. Como um bicho comecei a gritar e a empurrar minha filha para este mundo. Após vários gritos que vieram do fundo da minha alma, a Mariana veio para os meus braços à 1:45h da madrugada de terça-feira, dia 21 de agosto de 2012. Branquinha, cabeluda, encolhidinha nos meus braços, acolhida no meu peito. Ficamos os últimos minutos conectadas pelo cordão umbilical, que ainda pulsava.

Meu Deus quanta emoção!!! Esperei tanto para poder tocar nela, para olhar nos olhos dela…

Meu coração se encheu de alegria e meu corpo esqueceu imediatamente todo o cansaço de outrora. Tudo, mas tudo mesmo que passei valeu a pena, e eu viveria tudo de novo para experimentar a mesma emoção!!

Meu marido estava extasiado a meu lado, admirando a filha linda que ele fez e orgulhoso da mulher poderosa que me tornei.

Este momento eu jamais esquecerei!! Ainda me emociono quando lembro.

Depois de alguns minutos comigo, cortei o cordão umbilical e permaneceu somente o laço do amor nos unindo.

Meu marido foi chamar minha mãe para ver a netinha que acabara de nascer. Só vi que minha mãe entrou na sala de parto chorando, dando graças a Deus que estávamos bem e seguras.

Hoje eu olho pra minha filha e me lembro de quando ela estava dentro da minha barriga, dando chutes e soluçando… eu imaginava que rostinho ela teria, se seria parecida com meu marido ou comigo… e agora ela está aqui, linda, sorrindo pra mim e fazendo a vida dos pais dela a mais feliz deste mundo!!!


1 comentário

Patricia · 31 de outubro de 2012 às 17:30

Você lia e se emocionava, agora vc escreve, eu leio e me emociono!
Saúde e felicidades pra vcs!

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