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Tempo de Antônia
Está é uma história, e como tal relata uma realidade e no caso o entrelaçamento de duas vidas que em determinado momento resolvem dividir
seus tudo.

Personagens: Juliano e Juliana, com diferença de idade de 29 (vinte e nove) anos, mas com um entendimento de Espíritos que dificilmente se
encontra em dois seres. Cada um de nós trazendo suas bagagens de experiências, resolvemos seguir juntos e por oito anos sem maiores alterações de planos. Juliano com três filhos de dois casamentos anteriores e eu sem perspectivas e vontade de tê-los. Após cirurgia bariátrica a qual me submeti, e tendo eliminado um peso “extra” de 41 (quarenta e um) quilos, vendo meu alto estima melhorando e sentindo-me mulher plena, nasce em mim a expectativa de gerar um filho. Nossos olhares se cruzaram e como num momento de grande excitação resolvemos, encarar a materna ideia de termos alguém a quem chamar de filho.

Dai até engravidar, se sucederam grandes e importantes fatos, não importa razões ou motivos, mas após 1 ano tentando engravidar, enfim dia 20
de agosto de 2012, foi uma data importante minha ultima menstruação, seguida de longos 35 dias até que através de um teste comprado em farmácia vir à confirmação – “Estou grávida”, mas a angustia de confirmação só se dá após um B-HCG, solicitado em consulta e exame por mim escrito em solicitação formal em requisição de outros exames. Agora nos restava encontrar um obstetra que se se enquadra em nosso
perfil. Queríamos que o parto fosse cesariana, visto as vantagens prolatadas eram enormes em detrimento do chamado parto normal. “aquele” no qual a mulher sofre horrivelmente até a expulsão do bebê. Passando por lacerações, com grandes possibilidades de contaminação do bebê. E ainda ficando deitada em leito cirúrgico em posição de “frango assado”. Vendo seu filho ser submetido a uma série de exames, e só após estar “limpo” ter acesso ao mesmo antes que fosse conduzido a um berçário, ali permanecendo até o momento de vê-lo no quarto/enfermaria.

O parto “normal” por nós considerado fora de questão (isto que sequer sabíamos da existência do parto Humanizado) não condizia com a condição
física da mulher moderna que se desloca de carro, senta-se em confortáveis cadeiras pouco ou nada se exercita, a não ser que frequente academias para melhorar o visual físico. Porém, precisávamos de um profissional que nos acompanha-se pelas 40 semanas e também na hora do parto. Como cesariana, tem local, data e hora pré-agendados, só faltava quem nos atendesse. Antes de engravidar tive um queda em minha residência, o que
ocasionou um sangramento em período não menstrual, oque nos fez ir em consulta na emergência no Hospital e Maternidade Ilha, sendo atendidos por Dra. Juliany Nascimento Silva (obstetra) cuja vida se encarregou de entrelaçar nossos destinos.

Este Anjo sem asas aparentes tornou-se minha ginecologista e com a gravidez evidenciada resolvemos adota-la como aquela que nos
encaminharia a bom termo no nascimento de minha filha “Antônia”. Foram dias de incertezas e angustia quanto a esta parceria, pois a mesma de forma incisiva tentava nos convencer das “vantagens” do parto natural com visão humanista. Juliano meu marido/Amor teve com ela diversas alterações (jamais ofensivas / porém com palavras duras, discutiam a forma de meu parto. Dele a intensão que minha vontade prevalece-se acima dos interesses dele, dela ou de quem quer que fosse. Deixando claro de que se na hora “H” eu não pudesse decidir, a decisão seria dele e iriamos para uma cesariana.

Não competia a ninguém e quem quer que fosse decidir por nós. Ficou claro para ambos que era a minha vontade que teria que ser respeitada.
Mediante estes fatos, optou-se por aceitarmos tentar o parto natural, e com todos os condicionantes possíveis. O acompanhamento da Dra. Juliany se daria de forma participativa em todos os instantes que antecedessem o parto e para ela seriamos “um projeto piloto”, pois erramos vistos como cesarianistas de carteirinha. 

Intercorrência:
No correr das semanas gestacionais, após consulta com Dra. Juliany, está nos diz “Esta gestação está muito certinha, não acontece nada que não
esteja dentro da normalidade”. Lhe respondi, que este era o meu projeto e nele, me sentia muito bem preparada e que eu teria a melhor gestação e que meu parto ocorreria de forma tranquila e linda sendo mágico, o parto mais lindo já presenciado por ela. O boca santa tempo depois, sinto um silêncio muito grande em Antônia, não se mexia mais, pois era muito sapeca e esta tranquilidade acendeu uma luz vermelha dentro de mim. Não comentei nada como o Ju, apenas no dia seguinte as 6:00h da manhã, conversamos o ocorrido e resolvemos e resolvemos avisar a Juli.
Esta nos recomendou que fossemos a maternidade para averiguações. Após alguns nervosismos, fomos atendidos em emergência na Maternidade
Santa Helena, sendo atendidos pelo Dr. Luiz Fernando, que verificou que mesmo estando com 32 semanas eu estava com dois dedos de dilatação, e, segundo ele eu tinha contrações apesar de não percebe-las.

Fiquei na sala de emergência o dia todo, não sendo permitido me alimentar e sequer tomar agua. No período da tarde houve troca de médico  plantonista e fomos “Atendidas” pelo Dr. Mão Grande, que do alto de sua sabedoria, queria nos levar ao centro cirúrgico, para realizar uma cesariana, mesmo sabedor que a UTI neonatal estava com capacidade esgotada. Ligamos para Dra. Juliany que ficou pasma para “ser educada”, vindo ao nosso encontro já, com uma vaga de internação na Maternidade Ilha, onde nos acolheram com carinho e distinção.
Graças a está intervenção o final se reverteu para 40 semanas e 1dia e o que verão no relato a seguir.

No caminhar dos meses, muitas consultas, vários e vários exames e ultrassons, já visualizávamos “Antônia” nossa primeira grande conquista, pois, ambos queríamos que Deus nos possibilita-se uma “filha”. Na certeza desta, Dra. Anjo Juliany nos sinalizou com sua varinha de condão um outro Ser Iluminado que marcaria nossas vidas, como de fato o fez, pela forma doce, meiga, amável e companheira de ser nossa “Mágica Bruxa – Doula, a Cris Doula”. Ser lindo que como Juliany, irradiam grandeza de coração, espíritos nobres que nos deram toda condição para na hora do parto agíssemos com assertiva coragem e calma para que o mesmo ocorre-se.

Enfim, a gravidez vai chegando a seu termo, e em dia prévio de muita atividade de “faxina” em casa, fomos ao anoitecer à praia, Mar do Campeche,
nosso solo sagrado observar a “lua cheia” vermelha e grandiosa que denominamos de “Lua de Antônia”.
Ao deitarmos em nossa cama no fim deste 25 de maio cansados, mas amorosamente felizes vimos como a Natureza se encarrega de ditar suas
regras, sem observância da vontade humana.

Foto da noite de lua cheia

Foto da noite de lua cheia

Eram 23:50h estava no banheiro quando observo um filete de sangue ao limpar-me… Ju vem para verificar o que se passa, neste instante rompe-se a bolsa gestacional, e o liquido claro e incisivo cai no vaso sanitário, independente de minha vontade, pois, neste instante tornei-me “carona” dos acontecimentos. Seguiu-se o seguinte dialogo: (Juliana) – Ju liga para a Dra. Juliany diz que a bolsa rompeu.
Ocorre neste instante a primeira contração forte e incisiva – Urrava de dor, pois eram lacerante seus efeitos.
Descemos a escada e fomos para o banheiro do piso inferior. – ao telefone: – Dra. Juliany a bolsa se rompeu e a Ju está com muita dor, e sangrando bastante. (ela) – Marque 10 minutos e conte quantas contrações. (Juliano) – liga para a Cris (Doula) e avisa do sucedido. (Cris) – Leve a Ju para a Maternidade… … Neste instante outra contração muito forte… Cris espere ao telefone que vou atender a Ju… Mas outra contração… (Juliana) para mim falando… Não da para ir para a maternidade ela vai nascer… (Cris) – Já estou indo para a casa de vocês me explique o endereço… Outra contração – desligamos o telefone.

Toca o telefone Dra. Juliany… Quantas contrações nestes 10 minutos (Juliano) com calma falou 5… Dra. Juliany – seu louco enrole ela numa toalha e leve para maternidade pois já estou de saída. (Juliana) nisto digo ao Juliano não vai dar tempo; Antônia, já está nascendo. Digo isto e=sentada no vaso sanitário, após evacuar muito, e estar com a mão segurando em meio as minhas pernas abertas. (Juliano) – Ju saia dai senão Antônia vai nascer no vaso sanitário. … Respondo não consigo… Não tenho forças.

Relato agora de Juliano
Digo a Ju… Eu te ajudo amparo-a e a retiro do vaso sanitário, a mesma prostra-se ao chão com a mão acobertando o inevitável. Ao observar vi a coroa da cabeça já surgindo… Mais uma contração a cabeça vem para fora, amparo-a segurando por baixo com a mão direita, fixando entre os dedos médio e polegar sua cabeça. Sem puxar ou fazer pressão, pois a aula da Cris me preparou para o que estava acontecendo…
Momento seguinte Antônia faz uma torção no corpo e em ultima contração é expelida como um jato.

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A amparo como a vida mais preciosa que tinha em mãos e imediatamente a entrego à sua mãe… Segure-a e esquente-a, pois vou buscar aquecimento aos seus corpos. Antônia nasceu e chorou sozinha, um choro lívido, mais límpido e é acolhida por sua mãe.

Relato meu:
Pego em meus braços minha filha tão desejada e amada, a abraço com ternura de mãe e amor infinito que não se explica. Com minhas palavras a
acalmo e ela fica no aguardo da proteção desejada. Momentos seguintes: Estou aquecida, Juliano e Giordanno meu enteado que tanto participou nos dando o melhor de si e com seus 14 anos agiu como adulto, mantendo-se em prontidão e prestativamente calmo.

Chegam Dra. Juliany e a seguir Cris; Dra. Juliany pede algo para clampear o cordão umbilical, arrumamos barbante e a Juli fixa em dois pontos,
deixando um espaço entre eles. Com uma tesoura o pai corta o cordão umbilical. Os passos seguintes foram, nos encaminhar à maternidade para a
retirada da placenta, e procedimento de sutura, pois, em função da rapidez houveram lacerações e necessidades de pontos.
Antônia, foi atendida e conforme nosso desejo não foi apartada de nós em nenhum momento não lhe sendo aplicada o colírio de nitrato de nitrato de prata apenas a vitamina K.

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Nasceu com 40 semanas e 1 dia, medindo 47cm e pesando 2,930kg, linda, cabeça redondinha, nenhuma ruga no rosto, pele de porcelana e linda
como uma bonequinha… PERFEITA. Na maternidade fiquei conhecida como, Juliana Silveira, aquela que teve o parto em casa, todos queriam conhecer Antônia, e ao saberem de nossa história enfermeiras, técnicas, atendentes, pediatra, equipe de apoio saiam de nosso apartamento com lagrimas indisfarçáveis nos olhos, dizendo estarem presentes de um serzinho iluminado e a abençoando com seus melhores votos.
Antônia, criança calma fruto de muita ocitocina o hormônio do amor e com muito amor ela foi acolhida por todos.

Como fato relevante ainda: Juliano o pai deu nela seu primeiro banho e ainda o faz até hoje, e ainda com minha participação segura, perfurou as orelhinhas colocando seu primeiro par de brincos.

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AGRADECIMENTOS
Primeiro a DEUS que percebeu estarmos aptos a ajuda-lo no processo criativo, nos dando Antônia para tutela-la em seus primeiros passos nesta vida. A Nossa Senhora Aparecida – Mãe Sagrada, que com seu manto nos protegeu mediante possíveis olhos não tão caridosos.
A nossas três madrinhas de Antônia que souberam guia-la nos momentos de complemento da educação familiar; Dona Gê, Simone e Karol.
Aos avós Sonia e João, tias avós maternas, tia Julia Maria (tão nova e tão madura em suas palavra e atitudes).
Lu, nossa grande amiga, com rezas e incensos que ajudaram a passar por todos os momentos.
Aos irmãos Raoni, Nayana e Giordanno cada um com suas forma de acarinhar. Tia Dete, que sempre esteve com palavras de incentivos.

E a todos colegas de trabalho, da vida, que por nós torceram e tornaram-se pelo amor incondicional.

Mais, e sobre tudo principalmente a estas duas lindas, maravilhosas, Mães guerreiras que souberam nos ver uma realidade maior e mais humana, permitindo que através do amor gerado, soubéssemos acolher esta que hoje se chama Antônia Silveira Schmidt da Silva, nossa vitoriosa guerreia; Dra. Juliany Nascimento Silva (sogra de Antônia) e Cristina Melo (Cris Doula).

Filha, esta é a sua estória contada por nós seus pais… Este é o Tempo de Antônia que se inicia.

P.S.: Nosso parto realmente foi o mais, lindo e mágico como
imaginávamos e sonhamos que seria.


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