Sempre tive vontade de ser mãe e sempre pensava que quando engravidasse iria recorrer a uma Cesárea. A imagem que eu tinha na cabeça de parto era o médico em cima da gestante empurrando e gritando com ela, em posição ginecológica, episiotomia (acreditava que todos os partos normais eram obrigados a ter episiotomia) e isso me apavorava, tinha pânico.

Então tinha tudo planejado, iria engravidar, faria uma Cesárea e seria mãe. Algumas pessoas próximas engravidaram e optaram pelo parto natural, foi aí que comecei a me interessar pelo assunto e assim comecei a pesquisar e ler muito depoimento. Ver o documentário “O renascimento do parto” foi decisivo para eu mudar minha opinião. O parto natural me ganhou por ser, na minha opinião, a forma mais amorosa de trazer um filho ao mundo. Saberia que teria dor, entrega, cansaço, luta, mas que todo esse esforço seria por amor. Não sou contra a cesárea, quando é preciso sou totalmente a favor, mas eu particularmente, nos partos que assistia, a cesárea não me tocava, me passava uma imagem fria.

Já tinha minha decisão quando engravidasse iria ter um parto natural e seria com a doula Cris. Acompanhava o trabalho dela no blog e redes sociais e gostava muito da dedicação e carinho que ela tinha com suas doulandas. Após um tempo eu e o meu marido decidimos tentar engravidar, fui na minha médica e comecei com as vitaminas. Não demorou muito e engravidei, a alegria era imensa e assim logo depois contratei a Cris. Tive uma gravidez muito tranquila, mas no final minha pressão aumentou e tive que fazer exames para descartar a pré-eclâmpsia e isso me deixou bem triste, sabia que se tivesse pré-eclampsia talvez não poderia ter o parto natural com que eu sonhava. Exames não detectaram a pré-eclampsia, comecei a tomar medicamento para o controle da pressão e estava com pensamento sempre positivo, ia dar certo eu iria conseguir.

No final da minha gestação, assisti a muitos partos, queria me preparar de alguma forma. Sabia que o meu psicológico iria me ajudar muito no dia. Eu idealizava meu parto na banheira, sabia que poderia não acontecer, mas queria pensar positivo.

Estava com 39 semanas e a ansiedade começou a aumentar, queria ver minha filha, estava muito cansativo, não tinha posição para dormir, queria sentir dor. Não sentia nada de dor, queria ter uma pista. Ficava pensando, como eu iria saber o que era uma contração, nunca senti, como eu ia saber que ia nascer, que era a hora?

E minha cabeça ficava nessa, no sábado com 39 semanas e 5 dias acordei com cólicas que vinham e passava e pelo que tinha lido isso era o começo das contrações. Não fiquei esperançosa, pois saberia que podia demorar e que talvez era só as contrações de treinamento. Quando fui ao banheiro percebi que saiu algo parecido com um final de menstruação e mandei um whatsapp para Cris e ela me confirmava o que eu achava que era, meu tampão estava saindo.  Passei o dia todo com a dor indo e vindo, as vezes era mais forte, não tinha uma frequência, sabia que só estaria em trabalho de parto quando as contrações ficasse em 3 em 3 minutos. Então estava tranquila, dormi, descansei muito. A noite os padrinhos da Alice convidaram para comermos uma pizza e fomos, eu estava bem. Comemos e a dor começou a apertar, pedi para o meu marido ir para casa, pois queria ficar quietinha e descansando.

Fomos para casa, sentia as contrações e já doía mais, mas ainda não estavam regulares. Fui para cama e consegui descansar 1 hora, acordei com dor e fui para o chuveiro, comecei a monitorar as contrações e estavam em 5 em 5. Estava em contato com a Cris o tempo todo e ela me acalmava. Sai do chuveiro e comecei a andar pela casa, queria caminhar para dilatar, pelo que tinha lido e visto sabia que a fase da dilatação poderia demorar horas e horas, estava preparada para isso. Já estava a 1 hora caminhando e a dor ia ficando cada vez maior, no momento da contração tinha que me segurar em algo e o intervalo entre elas estava diminuindo. Monitorando vi que estavam em 3 e 3, queria esperar mais, para chegar no hospital já com a dilatação bem avançada para não ter tantas intervenções, mas a dor apertava cada vez mais e queria saber se estava em trabalho de parto, se estava dilatando e assim acordei meu marido e fomos para a Ilha Maternidade. Chegamos lá próximo das 4 da manhã, avisei a Cris que iriamos e fiquei de informar ela da minha dilatação.

A dor nas contrações só aumentava, sentia meu corpo abrindo e sabia que tinha chegado a hora, minha menina iria nascer, poderia demorar, mas eu achava que estava preparada.

Na avaliação o Dr. me informou que estava com 3 cm de dilatação, monitorou as contrações e já estavam em 2 em 2 minutos, resolveu me internar, na opinião dele iria evoluir rapidamente. Mesmo ouvindo isso fiquei focada e saberia que podia evoluir rápido ou não, poderia demorar a chegar aos 10cm. Na avaliação o médico me ofereceu a analgesia e falou que eu poderia tomar, mas que se tomasse iria demorar mais para dilatar e evoluir o parto. Não queria intervenções, então naquele momento me mantive firme na minha decisão. Ele informou que depois de 2 horas iria me avaliar novamente.

Fomos para o quarto, avisei a Cris e pedi para que ela viesse para Maternidade. No quarto, fiquei o tempo todo no chuveiro, tinha muita dor na lombar nas contrações e a água quente na lombar alivia bastante. A Cris chegou e ficou me dando apoio, estava focada no parto, estava doendo, mas cada contração eu iria chegando mais perto da minha menina. Não vi o tempo passar, para mim o tempo passou rápido. Eu queria que viessem me avaliar para saber se havia evoluído ou não, acharia que quando o dr. viesse me avaliar estaria com uns 5 cm, então essa era minha meta, estar com 5 cm. As dores cada vez mais fortes, e o médico veio avaliar e para minha surpresa estava com 8 cm. Nossa foi muita mais do que eu esperava, estava preparada para dilatar aos poucos, como a dilatação estava evoluindo bem as dores também evoluíam e eu queria ir muito para sala de parto, queria muito entrar na banheira, já ficava imaginando aquela água quentinha.

Após algum tempo fomos para sala de parto e a Cris foi enchendo a banheira e eu fiquei no chuveiro. Pedia para Cris analgesia, a dor estava muito forte, e ela me falou que agora não era indicado, pois o parto já estava evoluído e iria atrapalhar no momento da expulsão. Então queria muito ir para banheira. O dr. veio me avaliar novamente e estava com 9cm, faltava pouco agora, mais 1 cm. A banheira finalmente ficou pronto e eu entrei, nossa foi a melhor sensação do mundo, aquela água quentinha me relaxou e as dores diminuírem e as minhas contrações ficaram bem espaçadas e ficamos um tempo na banheira e ali meu parto meio que se estabilizou. Então a Cris pediu para que eu saísse da banheira e tentasse outra posição, tentei a de cócoras. A essa hora minha contração mudou, não sentia tanta dor, só uma vontade de fazer força. Então meu corpo começou a fazer força. Eu fiquei o parto inteiro com os olhos fechados, só abria quando alguém falava comigo, a luz me incomodava e queria ficar só comigo, focada no meu parto. A Cris e meu marido me dando forças, apertei muito as mãos deles. O plantão havia mudado e quem ficou acompanhando o meu parto foi o Dr. Claudio Canabarro Filho.

O médico e a Cris o tempo todo me apoiando dizendo que ela estava descendo que eu estava indo bem, eu não queria falar, mas sentia que não evoluía, não sentia ela descer. A sensação que eu tinha, nas contrações de expulsão, era que ela batia em algo e não ia. O tempo todo monitoravam o coração dela, e ela estava bem, aguentaria mais tempo.

Tentamos várias posições e nada da Alice nascer, já estava muito cansada de fazer tanta força, não era tanto a dor, mas a exaustão que estava me fazendo desistir. Nessa hora pedi para Cris ir para cesárea, falei que não aguentaria mais muito tempo fazendo força.

A Cris me falou que tentaríamos vácuo, quando o médico voltou a sala ele me falou que iriamos tentar duas intervenções. O vácuo para ajudar a nascer e o uso de ocitocina para as minhas contrações ficarem mais longas, se não desse certo eu iria para cesárea. Minha preocupação era a saúde do meu bebê e a Cris me acalmou dizendo que não faria mal ao bebê. Então aceitei e deu certo, a cabeça corou e depois ela já estava nos meu braços.

Doeu muito, foi a maior dor física que já senti, mas quando ela chegou nos meus braços a dor passou e só consegui olhar para aquele serzinho que saiu dentro de mim. É uma emoção muito grande ter o seu bebezinho nos seus braços. Meu parto não foi na banheira, sem intervenções como eu queria, mas foi normal. Foi quando ela quis nascer, não só eu estava forte para o parto, ela também estava preparada para isso e juntas conseguimos.

Todos me perguntam se o meu próximo parto será parto normal e não tenho dúvidas que será. A dor a gente esquece, e o que fica é um bebezinho lindo!

Só tenho agradecer a Cris por tudo que ela fez e me deu forças para continuar forte até o fim e não desistir do meu parto normal, ao meu marido por ter ficado ao meu lado o tempo todo, mesmo agoniado, chorando, sofrendo por mim ele foi essencial, sei que ele se sentia impotente. Ao Dr Claudio Canabarro pela paciência e pelo carinho.

 

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