Escrever sobre um nascimento envolve tantos sentimentos que é muito difícil colocá-los no papel do jeitinho que vivi.

Não posso começar meu relato do parto do Davi, sem antes contar do que vivi no nascimento do meu primeiro filho, o Heitor.

Minha gravidez começou 3 anos e 9 meses antes dele nascer… sim, pois foram 3 anos tentando engravidar, sem nenhum motivo aparente de problema… apenas a grande ansiedade de ser mãe. Quando finalmente engravidei, queria que tudo fosse perfeito, e principalmente o parto. A cada mês que se passava me informava mais e tinha certeza de que queria um parto normal. Bem, eu achava que estava bem informada e acompanhada. Quando completei 40 semanas minha médica disse que achava perigoso esperar mais tempo, mesmo os exames apresentando resultados perfeitos, então insisti que esperássemos mais 3 dias. Isto foi uma quarta, e na sexta comecei a sentir contrações bem leves. Fiquei um pouco assustada, e a médica pediu para eu ir a maternidade para uma avaliação, meu grande erro, pois o médico falou que eu estava sem dilatação nenhuma ( o que hoje sei que não poderia estar mesmo, pois eram os pródomos ) e que o parto seria muito demorado e que os batimentos estavam caindo. Quando ele falou batimentos caindo, eu e meu marido nos assustamos e acabei cedendo a uma cesárea. Por telefone avisei minha médica que nem quis me examinar antes, e chegou em 20 minutos para fazer a cesárea. Foi horrível, tive que gritar para ver meu filho na sala de parto, a recuperação foi extremamente dolorosa, e pior ainda a dor psicológica por não ter conseguido algo que é só nosso, da mulher. Chorei muito, por muito tempo por me sentir fraca naquele momento de decisão.

Bem, quando o Heitor estava de  9 meses eu engravidei, e resolvi que desta vez seria diferente. Mudei de médico, e me informava cada vez mais.

Quando estava com 30 semanas entrei em contado com a Cris, pois ela havia sido doula de outras 3 amigas, e elas só me falaram coisas maravilhosas de seu trabalho. Foi assim que muitas coisas mudaram. Nos falamos, e em uma de nossas consultas, ela mostrou seu ponto de vista a respeito da real dificuldade de se ter um parto normal após cesárea. De fato não seria tão simples assim. Pra começar todos, eu digo TODOS dizem que vc é maluca de fazer isto. Perigoso demais!!!!!! Os próprios médicos não querem se envolver , muito mais fácil fazer outra cesárea…… a Cris me mostrou que meu médico era ótimo, mas que para um caso de cesárea tão recente, ( esqueci de mencionar teria meu segundo filho 1 ano e 6 meses depois da cesárea), pouquíssimos médicos levariam até o fim. Foi então que eu me convenci e convenci meu marido de que teríamos de trocar novamente de obstetra.  Eu até poderia ter outra cesárea, mas sabendo que ela seria o último recurso e que tudo foi tentado. Foi aí que fiz tudo certo e Conseguimos consulta com a Dra Roxanna,  adorei ela desde o início.

Completei 40 semanas e nada de trabalho de parto. Cada dia que se passava parecia 1 mês, pois cuidar de um bebezão de 13 kg e grávida não é fácil. O calor me matava..hehe

Comecei com o pródomos, e geralmente tinha contrações na madrugada, onde mandava mensagens pra Cris, e ela sempre me respondia prontamente( o marido que de certo não gostava  heheheh). Mas elas passavam sempre perto das 5 da manha. Consulta, e eu estava seguindo bem, colo mais fino, 1 cm de dilatação, deveria caminhar e relaxar.

Completei 41 semanas, bebê super bem, e eu muito cansada. Continuava com as contrações da madrugada, a cada noite mais fortinhas, e depois passavam. O fantasma da cesárea estava me rondando. 41 semanas e nada???? Ta passando do tempo, histórias de bebês que morreram por passar do tempo, que mãe louca. A pressão psicológica dos outros é muito forte..

Eu caminhei, tomei muito chá, oração, mas o Davi não estava no seu tempo.

Na madrugada de domingo com 41 sem e 4 dias comecei a sentir de fato as contrações mais ritmadas e doloridas, fiz exame , o Davi estava muito bem, e foi assim que a Dra resolveu colocar a sonda de folley para estimular o colo. Isto foi as 11:30 da manha de segunda, assim que cheguei em casa as dores foram aumentando, e quando era 15 h eu estava tremendo de dor e me assustei ao ver saindo líquido da sonda. Liguei pra Dra, que pediu que eu fosse me examinar com seu colega obstetra na maternidade. Cheguei lá com muita dor, muita mesmo!!!! As grávidas que estavam  esperando pra internar pra cesárea ficaram apavoradas me vendo… neste momento eu dei risada…

Após atendimento com o dr Fernando Pupin, ele explicou que era o meu corpo expulsando a sonda, que eu já estava com 3 cm , ( amei ouvir aquilo ) e concordamos que seria melhor eu já ficar na maternidade. Fiquei mega feliz!!!! Fomos pra sala gostosinha…. com banheira ( que acabei nem usando…) fiquei fazendo exercício, caminhando e dando risada com meu marido. As dores eram totalmente suportáveis.

As  20 h a Cris chegou e a Dra também.  As contrações doíam, mas o pior era fazer o toque. Jesus, como dói. Minhas contrações não eram ritmadas, de 3 min, depois de 5 min.  Bem, a dra achou melhor induzir com uma dose muito pequena de ocitocina, pois minhas contrações não tinham ritmo. A partir daí não dei mais risadas. O bicho pegou. Sinceramente não me lembro muito claramente da ordem dos acontecimentos, mas vamos lá.

Lembro da Cris me mostrar um livro lindo de partos ( parto com amor – no início do TP)  e de eu pensar : minhas fotos só terão eu com cara feia..hehe  , lembro de irmos para o chuveiro e dela me dar um  bombom … o que me fez relaxar por alguns minutos. Lembro do chuveiro me incomodar. Lembro da tremedeira que deu. Dos toques extremamente doloridos ( pelo colo ser difícil de examinar). Lembro de eu chorar segurando a mão da minha sogra e ela me dar carinho. Lembro da Cris me fazendo massagens, santas massagens na lombar. E principalmente me lembro de quando cheguei no meu limite, e gritar pela minha médica pedindo anestesia. Me senti fraca naquele momento, eu de fato não queria anestesia, mas eu não suportava mais a dor. Ela tentou me convencer de entrar na banheira, mas fui irredutível, precisava me livrar por algum tempo daquela dor, eu não conseguia mais respirar, estava desesperada, eu tremia muito e fiquei muito assustada. Foi assim que fomos pra sala de parto e recebi a analgesia.

O mundo voltou a ser colorido novamente heheh. Não sei ao certo quanto tempo fiquei ali deitada, lembro de conversarmos, darmos risada e a Dra ajudando na dilatação. Ela pediu que eu me levantasse para voltarmos para a sala de parto, mas os batimentos do Davi caíam, e eu deitava novamente. Não sei quanto tempo se passou, e a analgesia foi passando, as dores voltando, e eu gritando. Nossa, gritei muitooooo!!! Foi quando pedi outra analgesia e a Dra falou: Janaina estamos com 9 de dilatação , estamos quase lá, tem certeza que quer outra??? E eu pensei, ta bom ta bom, então vamos logo com este negócio!!! Bem, na verdade pensei em alguns palavrões.heheh e não tomei outra anestesia. Tentamos levantar da maca mais 2 vezes, mas os batimentos sempre caíam, e eu teria que ter o Davi ali mesmo, pois se houvesse complicações já estaríamos na sala de cirurgia.

De repente começou a entrar um monte de gente na sala, eu ali peladona, deitada de perna aberta, gritando, e trouxeram um bebezinho da cesárea da sala ao lado para se aquecer no berço. Neste momento eu já estava dizendo que não agüentava mais, chorava, gritava e a Cris passou a Mao no meu rosto e disse: Jana, olha esse bebezinho, logo vai ser o teu , no teu colo. Força , ta quase chegando!!!

De fato isto me deu força, fico emocionada em lembrar desta imagem. Mas como as coisas foram dificeis pra mim, o Davi estava com a cabeça de lado, e não estava descendo. A Dra estava tentando girar a cabeça, e eu via estrela a cada vez que ela tentava. Então o dr fernando entrou na sala pra dar uma espiada e acabou participando da festa. Ele virou o Davi, e comecei a sentir vontade de empurrar. E é exatamente como descrevem. O corpo é perfeito e faz força sozinho. A Dra dizia: Janaina, estou vendo o cabelo, ele é muito cabeludo. Depois de algumas forças, ela disse para eu sentir meu filho saindo, e toquei na cabecinha dele. Momento mágico. Não sei quanto tempo se passou no expulsivo, acho que foi 1 hora, mas para mim, parece ter sido 5 minutos. Meu marido foi chamado, e ficou no expulsivo comigo. Ele me surpreendeu, pois desde o início da gravidez disse que não queria estar junto, que não agüentaria me ver sofrendo e no final ficou comigo, foi maravilhoso pois me enchia de força toda vez que ele me beijava o rosto. Depois de mais algumas forças o Davi coroou e foi aí que a Dra pediu que eu não fizesse mais força, para massagear o períneo. Mas a esta altura eu queria que tudo acabasse e numa última contração meu Davi nasceu! Que sensação maravilhosa! Ele foi colocado direto no meu peito, todo sujinho, com aquele cheiro maravilhoso! Não existe sensação melhor no mundo! Isto é sim é trazer uma vida ao mundo! Me senti poderosa! Fiquei admirando minha cria, cantei pra ele, ofereci meu peito, e ficamos ali nos conhecendo!

Janaína teve de parir deitada, pois cada vez que tentávamos mudar, o batimento do Davi caía muito. Por incrível que parece só quando ela deitava, o batimento subia. Devido a bradicardia ela estava com máscara de oxigênio até o nascimento.

Levei alguns pontinhos, pois não obedeci a Dra e fiz força quando não podia..heh

Entrei num estado de graça, nem eu acreditava que havia conseguido. Minha recuperação tem sido ótima, infinitamente melhor que minha cesárea.

Alguns pontos importantes que deixo para minhas colegas de parto: todas nós somos capazes, e temos que ser as protagonistas da nossa história. Várias pessoas dirão que vc é louca, irresponsável, mas apenas vc saberá o que é melhor para vc e seu bebê. Procure profissionais que realmente dêem valor ao parto normal, pois a maioria finge, e na hora H arruma várias desculpas para uma cesárea. E para finalizar: a partolândia existe!!! É um mundo paralelo das grávidas….

Agradeço a Deus por estar a frente do meu caminho.
Janaína Leite.

 


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