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O parto e o inesperado!!

A vontade de ter um filho sempre esteve comigo, quando decidimos que seria hora achei que fosse demorar alguns meses, como acontece com a maioria das mulheres, mas no meu caso não … no primeiro mês, lá estavam as duas listras s no exame de farmácia, lembro que a primeira coisa que falei para o meu marido quando vi foi “e agora?” … rsrsrs, ele me disse, como e agora, é isso que queríamos certo?

Sim, com certeza, era isso que sempre quiz, um filho!!

Além disso, sempre pensei em um parto normal, ainda não tinha a clareza da diferença entre um parto normal e natural, mas enfim, queria um parto normal/natural.

Quando descobri a gravidez falei com o meu médico que não estava conseguindo consulta, ai ele foi  extremamente grosso e sabia também que ela é favorável a cesáreas … neste momento decidi mudar de médico, foi quando recebemos a indicação do Fernando Pupin, a melhor escolha que poderíamos ter feito.

Passamos por uma gravidez tranquila e bem ativa, claro, com alguns incômodos aqui e ali, mas tudo sobre controle … logo após a descoberta da gravidez mudei de setor no meu trabalho, então foram meses de muuuito trabalho, não parei … mas foi ótimo!!

Quando estava de 39 semanas me afastei do trabalho e fiquei esperando a hora que o Nicolas estivesse pronto, com 39s e 6 d comecei a perder o tampão, nunca me esqueço da alegria que fiquei quando vi …. :-).

Com 40 semanas e 3 dias, tivemos consulta com o médico, a Cris tinha me sugerido perguntar ao Fernando sobre o descolamento da bolsa … quando falei isso a ele, vi seus olhinhos brilhando de alegria, hehehe … ele até brincou dizendo “você quer que seu filho venha esta noite?” … e disse a ele “você quer acordar na madrugada para fazer um parto?” rsrsrsrs

Ele me examinou e eu já estava com 4 cm de dilatação … e ele realizou o procedimento de descolamento  … eu e meu marido saímos do consultório super animados … tudo indicava que o Nicolas estava quase prontinho para sair!

Era dia 20/04 e por volta das 1:30h da madrugada começaram as contrações, ligamos para a Cris e começamos a observar as contrações. As 3:00h a Cris chegou, eu estava no chuveiro … coisa boa uma água quentinha nessas horas. Esperamos mais um pouco e as 5:00 h eu quis ir para a maternidade.

No caminho só pedia para o meu marido ir devagar, pq os buracos da rua fazia as contrações doerem ainda mais, hihihihi

Chegamos na maternidade e para a nossa surpresa, não tinham quarto vago, e a sala de parto estava ocupada … e agora?! Ligamos para o Fernando, este me disse que já tinha ligado para a Santa Helena, lotada tbm … meu Deus, vou ter meu bebe no sofá da recepção, pensei!!

Logo me colocaram no Hospital Dia (sala de medicação) …chegando fui direto para o chuveiro … sentia muita pressão, logo o Fernando chegou … fiquei mais um tempo no chuveiro … coisa bem boa. Um tempo depois o Fernando quis me examinar … opaaaaa, já estávamos quase com 7 de dilatação, foi ai que pedi a analgesia. Gosto de ter opção de escolha … sabia que tinha esta opção e realmente a dor estava demais, então fomos para o centro cirúrgico.

Tomei a primeira analgesia, lembro que o anestesista me disse “vc vai sentir 5% do que está sentindo”, mas conforme o tempo ia passando as dores não diminuíam como ele disse, falei da dor para o Fernando, foi quando ele me disse ” a analgesia não pegou” 🙁 . Queria matar o anestesista!! Olhei para o meu marido e pedi outra … foi ai que surgiu a Val (residente) e o outro anestesista … nossa, nem senti ele colocando a agulha … e na hora senti as contrações diminuírem … que sensação maravilhosa …. consegui descansar um pouquinho, tentei dormir, mas não deu!!

Mais ou menos 1 hora depois a Cris me disse que eu precisava levantar para prosseguir com o TP e logo após o Fernando me disse que colocaria ocitocina na veia para voltar a sentir as contrações … pensei, ótimo, vamos lá!!

Nesta hora já estava com quase 9 de dilatação, estava rebolando na bola … a foi ai que levantei e a cada contração agachava … assim fiquei por uns 30 minutos, meu marido sempre ao meu lado, me apoiando!! Foi quando o Fernando me pediu para deitar na maca e minha bolsa estourou … nesta hora comecei a perceber que tinha algo de errado!!

A feição do Fernando já não era mais aquela de tranquilidade misturada com alegria que ele tem, a carinha da Cris tbm não estava mais a mesma … logo após a bolsa romper ele me examinou e eu já estava com 10 de dilatação, foi ai que eles me pediam para empurrar … fazer força e tal, mas sentia uma dor estranha. Lembro que nas consultas com a Cris ela sempre nos disse que o expulsivo era a hora que as dores diminuíam, então tinha algo de errado, pois quanto mais empurrava, mais dor sentia.

De repente entra a plantonista (chamada pelo Fernando) com o vácuo extrator na mão (o batimento estava caindo), lembro que olhei fixo para o meu marido e depois para o Fernando e perguntei se iriam usar … apavorada, ele me disse que se fosse necessário ele iria usar o vácuo sim, como já tinha me explicado nas consultas.

E eu ali, sentindo muita dor … foi quando rapidamente ele me disse que seria necessário a episiotomia, enquanto ele falava já estava me dando a anestesia local e realizando o procedimento, bem, neste momento vi que realmente tinha algo de errado!! (Cris – Sandra não sabia, mas nós estávamos vendo a cabecinha do bebê em um lugar que não deveria aparecer, e o líquido da bolsa estava saindo por um buraco que não deveria sair..)

Comecei a chorar e pedir desesperadamente que tirassem o Nicolas, que estava doendo demais … meu marido me olhava com cara de desespero e todos só sabiam me pedir para empurrar. Nesta hora o Fernando me disse que seria necessário o vácuo, começou a sugar … e eu só escutava o vácuo escapar, quando escapava parecia que algo me cortava por dentro, lembro de ter gritado 3 vezes … e que consegui pensar como eu tinha sido capaz de gritar daquela maneira, tamanha era a dor que eu sentia.

Depois de umas 3 tentativas com o vácuo e uma tensão em todos que estavam na sala, nem me lembro mais quantas pessoas estavam lá … só sei que eram mais do que imaginei, colocaram o Nicolas no meu colo … infelizmente não consegui curtir o meu filho no primeiro momento entre nós dois. Continuava sentindo muita dor e só perguntava se meu filho estava bem!!

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Via meu marido chorando de soluçar do meu lado, fiquei feliz pela emoção dele, mas ao mesmo tempo via o Fernando, a Cris, a Val (anestesista), todos com cara de preocupação, foi quando o Fernando veio me dizer que algo tinha saído fora do controle e que teria que me sedar, entubar e eu receberia uma anestesia geral. 🙁

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Realmente isto não estava, nem por um minuto, na minha ideia de parto normal.

Bem, depois de tudo, fiquei sabendo que tive lacerações internas, no musculo entre a vagina e o anus, por isso foi feito a episio e vários pontos. Porque? Até hoje me faço esta pergunta, ninguém sabe explicar … algumas opções surgiram, mas nenhuma definitiva.

Arrependimento?? Nenhum!! Traumatizada? Não!! (muitas pessoas me perguntam isso). Infelizmente fui proibida, pelo médico, de fazer outro parto normal, mas quer saber, faria outro sim … sem problemas!!

O que ficou disso tudo?? Uma experiência indescritível (não consigo explicar a sensação de se ter um filho de parto normal), com analgesia sim, com episio sim, com pontos sim, mas com um filho lindo, saudável e maravilhoso!!

Obrigada a Cris Doula, pela amizade e por estar presente neste momento nada fácil, mas único e nos ajudar no pós parto, ao Dr. Fernando pela dedicação e amizade e a Val (ótima surpresa conhecer esta argentina). 🙂

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( Cris – Sandra, não tenho nem palavras pra descrever o quanto você foi forte durante todo o processo de parto e pós-parto. Realmente, o que aconteceu no seu caso é algo que não entendemos ainda, nem eu, nem o Dr Fernando, nem os outros profissionais que ajudaram. Falta de colágeno? quem sabe… Amei que você tenha feito o relato, e que tenha compartilhado com todos, pois é importante que as pessoas entendam que nem sempre o parto, ou a cesárea, saem como o planejado. Nada da vida tem garantias, e precisamos estar prontos para o que vier. Você e o Gustavo são um casal fenomenal, e agora com o Nicolas, uma família incrível. Parabéns por tudo, por todo seu esforço, e saiba que eu morro de orgulho de vocês. Beijão da doula, Cris.)

 


4 comentários

Amanda · 7 de agosto de 2013 às 21:31

Parabéns pelo bebê e pelo lindo relato. Me identifiquei bastante com teu relato porque tive uma laceração grave como a tua no parto e sei o quanto complicada é a recuperação. A boa notícia é que passa e a gente volta a sentir 100%, experiência própria 🙂

Ps: Por que não pode mais ter parto normal?

Cris Doula · 7 de agosto de 2013 às 22:51

Oi Amanda, os médicos suspeitam que ela tenha deficiência e até mesmo a falta de um tipo de colágeno (que eu não sei qual é), e por isso, outro parto, o corpo não terá da mesma maneira que neste, a elasticidade para o parto normal. A laceração dela foi coisa de outro mundo, e por pouco, a parte interna entre assoalho pélvico e ânus não viraram uma coisa só. A única coisa separando era uma membrana, pois todo o resto abriu. Por fora não lacerou, e sim por dentro, soubemos diagnosticar (por isso foi feito a epsio) porque os cabelos do bebê e o liquido amniótico estavam saindo pelo ânus. Esse tipo de laceração é extremamente rara, tanto que nem eu, nem os obstetras da maternidade, haviam visto antes. Mas ela está fazendo fisioterapia e todo o problema sendo recuperado. 🙂

Amanda · 8 de agosto de 2013 às 13:42

Obrigada pela resposta Cris! Que bom

Amanda · 8 de agosto de 2013 às 13:42

Obrigada pela resposta Cris! Que bom ela está sendo bem assistida e parabéns mais uma vez!

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