Meu relato de parto:
Era terça-feira, 21 de janeiro, 2h da manhã, quando desperto sentindo uma leve dor de barriga. 3h da manhã, a dor de barriga transforma-se numa leve cólica, o que me fez pensar que talvez a hora da Laura chegar estivesse mais próxima, finalmente. Menos de 30 minutos depois, a dor vinha da lombar, me fazendo lembrar das tantas narrativas sobre a indecifrável “dor do parto” e ter certeza de que estava acontecendo. Começo, então, a monitorar os intervalos entre os pródomos (7 em 7 min) e entro em contato com minha obstetra e com minha doula. Mantive meu marido dormindo, pois algo me dizia que aquele dia ainda iria longe. 6h da manhã, as dores passaram a exigir um pouco mais de concentração do que uma mera respiração funda.

Bateu a fome, hora de acordar o marido: “Amor, acorda…” Uma leve resmungada sonolenga “Por que?” “Tens que acordar!” e saltou da cama. C intervalo de 4 em 4 minutos, 11h17 da manhã, deitada na cama, “Plock!!!”, “Acho que estourou a bolsa!”, fico em pé e então a suspeita se confirma: Bolsa rota. Hora de entrar no banho, contrações se intensificaram até 2 em 2 minutos, veio o desespero, “Preciso correr pra maternidade, vai nascer logo”. Doce ilusão! 13h30, 21, chegamos na maternidade. 14h30, internamos com contrações intensas e ritmadas, 5cm de dilatação! Oh Glória! “Vai nascer logo!”.

Chuveiro para aliviar as dores fez efeito contrário, intensificou. 19h30 chegou obstetra para medir dilatação, esperava estar com 8cm ou mais, estava com 6cm, o que me fez ir para analgesia, a dor estava forte demais. Durante duas horas, não sentia mais dores, consegui relaxar, comer, caminhar um pouco. Próximo das 22h30, encaminhamos para a sala de parto, pois “Vai nascer logo!”. As dores eram tão fortes que eu ficava tensa nos pequenos intervalos em que precisava relaxar. Olhava no relógio, o tempo passava devagar, as dores continuavam, dilatação de 9cm, “Vai nascer ainda dia 21!”

Obstetra examinou a evolução e constatou que a Laura estava com uma pequena inclinação no encaixe e pediu que fizesse movimentos específicos para encaixar completamente. A Cris, com sua paciência infinita, insistia que eu os fizesse, mas um simples rebolar de cintura me causava muita dor, não tinha mais força nem para gemer de dor. Pedi repique, mas não senti efeito, as dores cada vez mais intensas me faziam pensar “quero cesárea”, mas o apoio do meu marido que sabia o que eu queria desde sempre era tão forte que me impedia de pedir de fato pela cesárea. Àquela altura, nem tinha cabimento e eu sabia disso. Então eu tinha que ir em frente. A partir daí, entrei na “Partolândia”, perdi a noção das horas, dos intervalos, de tudo. Eu só não queria que meu marido largasse minha mão. Ele ficou todo o tempo comigo, de mãos dadas, me apoiando mais do que eu poderia esperar!

E então me posicionei no banquinho e começoi a ser possível sentir a cabecinha da Laura, com  compridos cabelos. 9,5cm de dilatação, estava perto! O período expulsivo do parto foi o que menos senti dor, talvez a partolândia tenha me anestesiado, talvez o repique tenha feito efeito 2h mais tarde, talvez o pedido à Deus de que terminasse logo tenha sido atendido, não sei dizer.
Lembro da Cris levantando para ir chamar a equipe médica. Pensei “Vai nascer logo!”. Quando entraram na sala o obstetra, o pediatra e a enfermeira, acreditei, então, que iria nascer logo! Meu marido quis iniciar a gravação da câmera já posicionada, mas eu o proibí de soltar as minhas mãos.

Meu trabalho de parto durou mais de 24h.
Então, as 3h48, quarta-feira,  22 de janeiro de 2020, com 40 semanas e 2 dias de gestação, ao som de Photograph (Ed Sheeran), na penumbra da madrugada, a Laura veio ao mundo, finalmente, com seus 4,200kg e 53cm. Foi quando conhecemos a nossa força e o nosso amor!


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