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Tudo começou quando me senti muito mal uns três dias direto, o marido desconfiado comprou um teste de farmácia e Positivo! Estavamos grávidos pela segunda vez. Me senti extremamente perdida, estava em uma cidade nova a um mês, não conhecia ninguém, nem médico. Sentia medo em virtude de tudo que tinha passado na gravidez anterior, enjoos a gravidez inteira, parto de emergência, que hoje já tenho minhas dúvidas se foi emergência ou não.
Tive que pedir indicação de médico na escola onde minha filha estava estudando.Médico muito simpático e querido, me perguntou sobre minha primeira gravidez, eu contei, fiz o primeiro ultrasom no consultório dele mesmo, tudo indo muito bem, exceto muito enjoo. As consultas foram se passando e a data pro meu filho nascer foi estipulada, “19 de maio não passa” ele me dizia, ou seja 38 semanas exatas. Justificativa, perigo de pressão alta, uma possível cicatrização errada da primeira gravidez e bebê grande. Outro detalhe, meu plano de saúde não era aceito na região e eles queriam cobrar o dobro do valor de uma cesárea em Florianópolis, sendo que nem UTI NEOnatal a cidade possui.No meio de tanta angustia, decidi que iria procurar um médico em Florianópolis, minha cidade natal, e fazer meu parto na maternidade Ilha. Encontrei um anjo, que me fez ver que era possível um parto muito diferente do que eu tinha tido na primeira vez, que me alertou sobre todos os riscos de uma cesárea. Pesquisei muito, li muito, fui buscar me informar.

Fui para Floripa com 36 semanas e fiquei na casa da minha mãe, o marido percorria todo final de semana 800km para estar junto a nós. A gravidez seguia maravilhosa, eu super bem, bebê também, engordei muito pouco. E neste meio encontrei a Cris, chorei muito lendo os relatos do blog. E no nosso primeiro encontro uma surpresa, meu esposo já conhecia a Cris, ela tinha sido aluna dele. Foi amor a primeira vista. Até em programa de televisão para defender o parto natural e humanizado ela me levou, quanta vergonha ainda sinto.

Estávamos naquela espera angustiante, telefonemas, pressão de todos os lados, e eu lá esperando a hora que o Jorge quisesse dar o ar de sua graça. Tinha contrações irregulares, as vezes mais fortes, mas nada que engrenasse em TP. Cada vez que sentia elas mais fortes perguntava para Cris se deveria chamar o marido, já que ele precisaria percorrer 400km para estar comigo no parto.

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Com 41 semanas passada, a coisa pegou, fui fazer cardiotocografia e ultrasom e estava tudo bem, porém tanto minha médica quanto a que fez o cardio acharam que já estava indo longe demais e foi cogitado de realizar indução, ou entrar na cesárea. Minha médica me manda um consentimento de gravidez pós termo, numa sexta-feira a noite, por volta da meia noite, pensa numa pessoa que chorou muito, que quase nem dormiu naquela madrugada. Que sabia que se não entrasse em trabalho de parto naquele final de semana, iria para cesárea na segunda.Sábado pela manhã entrei em contato com a Cris e contei tudo, inclusive toda minha angústia (Cris que tal fazer psicologia? Você é ótima em confortar as grávidas desesperadas). Cris me tranquilizando, dizendo para eu me acalmar, quando escuto um estouro e uma fisgada muito forte na barriga. Fui no banheiro e nada, contei pra Cris, ela disse deita, quando deitei só senti algo escorrer entre as pernas. O marido estava comigo na sala, tirou minha calça sem nem pensar se tinha alguém olhando, não era uma quantidade muito grande de líquido, mas tinha um pouco de sangue junto. Ligamos pra Cris e ela disse para ir na maternidade verificar.

Me senti maravilhosa naquele momento, meu sonho era dizer “a bolsa estourou”, foi uma festa na casa da mãe, minha filha pulava de alegria. Tomei banho peguei as coisas que já estavam arrumadas e fomos. No caminho, cerca de 10km, as contrações começaram, e bem fortes, “vai devagar” eu dizia pro marido. E não precisou chamar o marido ele já estava comigo, Jorge escolheu o dia certo para vir ao mundo!

Chegando no Ilha, encontramos uma médica maravilhosa, que me examinou e disse, estourou a bolsa, vamos internar, até porque eu tinha que entrar no antibiótico por ser estrepto positivo. E eu queria voltar pra casa, pensem a pessoa já estava com contrações de 5 em 5 min e queria voltar pra casa. Avisamos a Cris e minha médica que respondeu dizendo “Deus é pai”.

Consegui almoçar e a coisa pegou, tinha contrações com intervalos muito curtos entre elas, algumas de 2 em 2 minutos e duração de mais de 1 minuto. E isso foi por longas horas, internamos as 11:30hs e por volta das 19hs fomos para sala de parto. Eu me sentia muito cansada, com muita fome e não conseguia comer, as contrações não deixavam, a médica do plantão foi perfeita, esperava meu tempo, lembro-me dela sentada no chão esperando eu comer para poder fazer o toque. Chegamos a dar boas risadas.

A banheira é maravilhosa, você relaxa, e era isso, chuveiro, banheira, bola….rebola e nada de passar de 2,5cm, apertava e me pendurava no marido, Cris na massagem. Tinha vontade de dormir na banheira, e quando conseguia relaxar lá vinha outra contração. Eu sentia muita dor na cicatriz da cesárea anterior, muita dor mesmo, a contração era bastante suportável, mas doía demais na cicatriz. A Cris perguntava onde doía, e vi que ela se preocupou com aquela dor. Para levantar eu já precisava de ajuda, sentia-me tão fraca que achava que ia cair.
Ás 21hs, troca de plantão e lá vem a médica, chega chegando, e tira todo o clima que a Cris construiu, chega dizendo “mãezinha vamos acender esta luz”, ali eu já sabia o que vinha pela frente. Fizemos o toque e 2 pra 3 cm ainda. Ela olha pra mim e diz, “vamos pra cesárea, já entrei em contato com tua médica e ela vai me auxiliar na cesárea”. Ali eu olhei pro marido, que tinha sido maravilhoso o tempo inteiro, não saiu do meu lado, um parceiro em todo momento, olhei pra Cris que me fez sinal de positivo, e eu chorei, chorei muito.
Subi as escadas para o centro cirurgico tendo contrações, apesar de elas já estarem bem mais espaçadas em virtude da adrenalina que a chegada da médica causou. Admito que muito disse que já não aguentava mais, que estava cansada, mas se ela chegasse ali e me dissese que tinhamos evoluído eu teria continuado. Aquela subida foi de uma dor imensa no coração, de uma grande frustação, os degraus pareciam intermináveis.
A equipe médica foi excelente durante a cesárea, Cris e o Marido ao meu lado, o anestesista mega querido, me acalmando, dizendo tudo que estava acontecendo, e eu pedindo pizza. Foi muito diferente da minha primeira cesárea, eu vi meu bebê nascendo, e ele veio logo pro meu colo, que coisa boa. Não ficou muito tempo pois a temperatura dele baixou muito, mas meu esposo foi acompanhar os procedimentos e a Cris ficou ali do meu lado.
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O pós parto vinha correndo bem, Jorge mamou logo depois, pegou super bem, eu me sentia bem, um pouco dolorida apenas. Ganhei o Jorge sábado, 07 de junho as 21:59hs. Tivemos alta na segunda a noite. Tudo corria bem quando na terça estava amamentando o Jorge na cama e me senti molhada, pedi pro marido segurar ele e quando levanto eu era sangue da barriga ao joelho, fiquei desesperada. Fui pro banheiro deixando sangue pela casa, naquele momento o marido ficou preocupado com eu sujando tudo de sangue, mas quando baixei a calça a preocupação mudou, meus pontos tinham aberto. “E agora?” Eu pensava.
Minha mãe ficou com o bebê e fomos pra maternidade, o médico foi atencioso, mas eu sentia muita dor e ele ao examinar foi tocando e o que restava de ponto foi abrindo. Eu olhava o marido e ele com cara de assustado. O médico me encheu de gase e me mandou voltar no outro dia para entrar novamente no centro cirurgico e refazer os pontos.
Sai desesperada do Ilha, “como assim esperar? Eu estou com a barriga aberta.” Chorei muito, de dor e de angustia. Antes de ir pro Ilha na manhã seguinte, fui no posto de saúde realizar o teste do pézinho e me perguntaram se estava tudo bem, eu contei o que tinha acontecido e eles disseram que eu realmente tinha que refazer os pontos. Fui novamente pro Ilha, refizemos os pontos, meu bebê teve que tomar NAM, no tempo que eu estava em cirurgia. O anestesista teve o cuidade de utilizar uma droga que bastava eu tirar o leite que tinha e o bebê já poderia voltar a mamar. Saí do Ilha no mesmo dia, porém com uma dor insuportável, tomando cinco tipos de remédios, inclusive um controlado para dor.
Sofri duas das muitas consequencias que uma cesárea pode ter, não consegui ter um parto normal, pois a cicatriz da cesárea anterior poderia romper e a outra de abrir os pontos. Até hoje, quatro meses e meio depois ainda sinto dor na cicatriz. A sensação de incapacidade e a frustração são esmagadoras, me senti muito mal psicologicamente depois da cesárea, o que me confortou foi pensar que o Jorge nasceu no dia que ele escolheu, que foi respeitado. Então, o que posso dizer é que toda mulher tem de estar preparada para um desfecho como o meu, é difícil, muito! Mas, muitas vezes é necessário.
Precisei pensar que fui guerreira, que me informei e fui atrás do melhor para o meu filho, que lutei contra a dor com todas as minhas forças e fui até o limite. Me orgulho imensamente de dizer que tive trabalho de parto de dez horas e que faria tudo novamente, me orgulho de encontrar uma grávida e contar minha experiência e indicar sempre o blog da Cris.
Morando longe de um grande centro e referência de parto humanizado como é Floripa, vejo que falta muita estrutura no inetrior para que as mulheres possam ser respeitadas em seus partos. Respeito a mulher e ao bebê deveriam ser leis, toda cidade deveria ter UTINeonatal, obstetras e doulas para que pudessem trazer seus filhos ao mundo sem violência, sem interferência. Pessoas preparadas e com sensibilidade para entender o momento mágico que é parto.
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Virei uma defensora do parto natural e humanizado e se eu tiver outro filho uma certeza eu tenho, tentarei parto natural e com doula.
Thais Silva

 


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