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Logo que descobri minha gravidez comecei a ir atrás de informações, inclusive sobre parto, minha ideia sempre foi ter um parto normal, mas não conhecia nada. Comprei um livro “Parto Normal ou Cesárea – o que toda mulher deve saber”  da Simone Grilo Diniz e Ana Cristina Duarte, e ali descobri o parto humanizado, descobri sobre as doulas, que nunca tinha ouvido falar. Com esse livro fiz minha decisão, eu teria um parto natural, sem intervenções. Claro que tive que ouvir absurdos do tipo “Então vá parir numa tribo de índios…”, mas a decisão era só minha, então ignorava! Li muito, e tudo que eu descobria repassava pro meu marido, afinal moramos sozinhos aqui em Florianópolis e ele iria me acompanhar, precisava da tranquilidade dele para me ajudar. Em Agosto conheci a Cris, que já me passou uma confiança gigante, e durante toda a gravidez me tirava as dúvidas e os desabafos dos absurdos que ouvimos durante a gestação.

A gravidez foi super tranquila, fiz pilates e academia até o último mês e finalmente na madrugada do dia 6/10 acordei com as famosas contrações, acho que foram umas três, mas que já não me deixaram dormir. Embora não tenha dormido muito bem, acordei com o despertador no horário se sempre e como estava melhor, fui pra aula de pilates e trabalhei normalmente, durante o dia sentia algumas contrações, mas nada que me impedisse de fazer alguma coisa.

Mais uma noite… e lá veio mais uma madrugada, dessa vez foram várias contrações, chegamos a iniciar a contagem, e achamos que o processo todo ia iniciar ali, mas estavam bastante espaçadas, mais uma noite sem dormir! Novamente durante o dia estava bem, fui trabalhar igual um zumbi, as contrações durante o dia apareceram, mais fortes que no dia anterior, mas mais tranquilas que as da madrugada.

Próxima noite… dessa vez as contrações começaram logo que deitei pra dormir, nem esperaram a madrugada chegar, e daí pra frente não parou mais, não dormi mais! Contrações sem nenhum ritmo, 10/ 20/ 30m… mas vinham uma atrás da outra! Fiquei em casa, já não tinha condições de ir trabalhar, nas contrações já não conseguia ficar em pé direito! Nos intervalos das contrações consegui arrumar a casa e ainda fazer minha unha, eu sabia que agora estava chegando a hora!

Almocei com o Gui e fui deitar, e lá pelas 15h já não dava mais, fiquei deitada no box durante praticamente 1h, e ali já comecei a vocalizar – nunca imaginei que faria isso, mas era incontrolável! 16h liguei pro Gui, ia tentar tomar um Buscopan, mas ele leu a bula e achou melhor não tomar. Fui pra uma sessão de acupuntura às 18h – o tampão que tinha começado a sair na noite anterior já estava vermelho vivo, a dor estava mega intensa, a cada contração eu ia pro chão e urrava! Voltamos pra casa às 19h, o Gui começou a fazer uma sopa, mas as dores pareciam que não paravam mais, uma atrás da outra.

A Cris chegou em casa e contou as contrações de verdade (pq se fosse pela dor, era de 2 em 2m), e nada de ritmo… 5/ 7m… mas estava muito intenso! Bom, a Cris, com toda aquela tranquilidade, foi pro quarto e ficou deitada comigo, eu só queria dormir, me sentia tão cansada, conversávamos a cada intervalo de contração, e eu fiquei com uma bolsa de água quente nas costas, aliviava muito, eu não queria massagem, estava irritada com aquelas dores. Enquanto isso o Gui ficou na cozinha terminando a sopa, eu só tinha almoçado e não tinha comido mais nada. Aquele cheiro que vinha da cozinha me embrulhava o estômago junto com aquela dor, e eu sentia tanta vontade de fazer xixi que dava vontade de ficar sentada no vaso o tempo todo, tirando o fato de que a cada vez que eu sentava a contração que vinha com tudo. Voltei pro chuveiro, a dor intensificou demais e eu já não estava mais ali, aquele cheiro de comida me fez vomitar, acho que daí pra frente entrei na partolândia pois as lembranças são meio falhas, só sei que dali em diante não dava mais, não aguentava mais nada, e queria analgesia ou qualquer outra coisa que fizesse aquela dor parar.

Fomos pra maternidade, cada chacoalhada do carro no caminho eu sentia lá dentro, doía demais, cheguei na recepção às 23h (só sei pois quando fomos embora vi a hora da internação) fiquei de quatro no sofá e vocalizava a cada contração… e quando não estava no sofá, estava vomitando no banheiro! Aguardamos o médico plantonista para que pudéssemos internar, ele estava finalizando um parto, mas parecia que ele demorou uma vida para descer e constatar – 9cm de dilatação.

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Fomos para um quarto, para esperar a sala de parto ficar pronta, fui pro chuveiro, tentei deitar e relaxar um pouco, mas era impossível! Chegamos na sala de parto, a banheira aliviava muito a dor nas costas, que era constante naquele ponto, a contração já tinha passado do insuportável, e eu estava muito cansada, já tinha passado três noites sem dormir. Ali passou pela minha cabeça “de onde tirei a ideia de fazer esse parto? Por quê?”, é engraçado notar que tudo que li estava acontecendo, pois eu faria uma cesárea naquele momento – e era o meu maior medo.

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O Gui estava super tranquilo, e a Cris nem preciso falar! Tinha planejado lista de música, bola, mas eu não queria saber de nada, estava cansada, irritada, não queria saber de massagem, música, só de pensar na bola de pilates tinha vontade de explodir e eu sentia medo de não amar meu bebê – naquele momento eu tinha raiva, queria que ele saísse logo, não dava mais. Falei com o Gui e a Cris, muito sério, dali pra frente não dava mais, já tinha ultrapassado meus limites e eu não conseguiria continuar, precisava de analgesia a qualquer custo. Parece que lá dentro o pequeno ouviu e resolveu escorregar, igual eu pedi pra ele durante toda a gravidez – dor, muita dor, e uma vontade de evacuar absurda… eu sabia o que estava acontecendo, sai da banheira, a Cris já via a cabeça, eu já podia tocar! Dali pra frente a dor já não era tão insuportável, o médico foi romper a bolsa para agilizar, mas o Bento já tinha feito isso – só que como a cabeça já estava descendo, o líquido ficou. Eu queria voltar pra banheira, a dor nas costas melhorava, o médico falou que em três forças ele nasceria… olhei pro lado e o caminho parecia tão longo, fiquei por ali mesmo!

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Contração, força, eu gritava… estava  vocalizando errado, minha garganta doía, já conseguia ver a cabeça chegando… passei a concentrar toda a minha força pra ele nascer, e finalmente às 0:47h ele veio pro meu peito – e ali todas as dores, mal estar terminaram como num passe de mágica. Ele era tão pequeno, tão perfeito. Não fiquei construindo o rostinho dele durante a gestação, mas confesso que fiquei surpresa em me ver nele, eu jurava que nasceria igual o pai!

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Foi delicioso receber meu filho nos braços, e é indescritível a sensação – não, aquele amor de cinema não aconteceu nessa hora, eu senti um alívio enorme, uma sensação de poder – eu consegui – uma maravilhosa sensação de missão cumprida, o Bento nos meus braços, como um troféu, perfeito, lindo… ali começamos a construir nosso amor, naquele primeiro olharzinho de desconhecidos, mas que na verdade já se conheciam profundamente. O amor não foi instantâneo, não foi arrebatador, mas ele chegou muito rápido e vai crescendo de uma maneira indescritível! Em pouquíssimo tempo já seria capaz de matar qualquer pessoa que ameaçasse aquele serzinho!

final

Não foi fácil, foi dolorido, mas foi maravilhoso! O apoio que tive da Cris e do Gui  foram fundamentais, a tranquilidade que os dois me passaram, a paciência… é engraçado como normalmente vejo os maridos não enxergarem a importância da doula nesse momento, e acho lindo eles reconhecerem isso depois! Hoje o Gui fala que se tivéssemos mais 10 filhos, ele chamaria a Cris mais 10 vezes!

Talyta Camargo


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