Eu e meu marido Filipe sempre tivemos o sonho de ser pais. Combinamos que no final de 2016 iríamos iniciar as tentativas. Mal sabíamos que daria certo na primeira e nosso sonho estaria começando a se tornar realidade.

Logo no início tentei manter uma gestação bem ativa, comecei o pilates, passei a acompanhar com uma nutricionista, fazia caminhadas, etc. E em todos os exames sempre ia muito otimista, não tinha medo de alguma alteração nos ultrassons ou coisa assim. Até que, com 23 semanas, fizemos a ultra morfológica. Mais uma vez eu estava super confiante. Com o bebê estava tudo ótimo, até o médico falar que eu estava com o colo do útero curto e corria risco de um parto prematuro. Na hora fiquei meio sem saber o que pensar, não sabia qual a gravidade da situação e nem o que deveria ser feito para evitar. Logo bateu o desespero.

Falei com a Cris, nossa doula, e com o Dr. Fernando Pupin, nosso obstetra, que me tranquilizaram muito. Então comecei a seguir as recomendações. Medicação para segurar o colo do útero e repouso. Cada dia era uma vitória. Quando cheguei às 34 semanas de gestação comemoramos! Era o mínimo que esperávamos alcançar. Mas ainda estávamos confiantes de que chegaríamos até, pelo menos, as 37 semanas.

Um dia antes de completar 35 semanas deixei a malinha do Cássio pronta, mas pedi que ele esperasse mais um pouco. Não me deu ouvidos hahaha Acordei na manhã do dia 17/08/2017 e ao ir no banheiro vi algo que parecia ser o tampão mucoso no papel higiênico. Procurei não me assustar, pois eu sabia que poderia demorar algum tempo ainda (dias ou semanas) para entrar em trabalho de parto. De qualquer forma, resolvi entrar em contato com a Cris e falei também com o Dr. Fernando (que estava de viagem marcada para o dia seguinte). Ambos falaram que poderia demorar, mas que era pra eu observar se tinha contrações. Durante o restante da manhã comecei a sentir um pouco de dor na lombar e a barriga endurecia por alguns segundos. Achei que fossem as contrações de treinamento, pois estava tendo já há algumas semanas. Eu estava sozinha em casa pois o Filipe estava trabalhando e não viria para o almoço. Mandei mensagem pra ele contando o que estava acontecendo e ele ficou um pouco nervoso. Eu o tranquilizei, pois achava que ainda não tinha chegado a hora.

Almocei, e mesmo achando que não era nada, resolvi começar a organizar minhas coisas para a maternidade (“vai que é hoje mesmo”, pensei hahaha). Separei o que deu e umas 14h30 liguei pra Cris pois as contrações estavam muito próximas, mas eram bem suportáveis. Mais uma vez achamos que podia não ser nada, mas resolvemos acompanhar. Depois de desligar o telefone, ao ir no banheiro novamente, vi que havia sangue na calcinha. Ali tive a certeza de que não era normal. Tomei um banho e quando fui me enxugar, muito mais sangue.

Liguei pra Cris novamente, ela pediu que eu monitorasse as contrações e ligasse para o Filipe me levar no Ilha avaliar. Como ele estava dando aula no centro de Floripa e moramos em Biguaçu, demoraria muito até ele vir pra casa e voltarmos. Pedi ao meu sogro que me levasse e nos encontraríamos lá. Quando mandei as contrações para a Cris, ela se assustou e pediu que passássemos pegar ela no caminho, pois estava tendo contrações de 3 em 3 minutos, às vezes de 2 em 2. Ainda assim não queria acreditar que tivesse chegado a hora e não levei nada para a maternidade além dos documentos.

Durante o trajeto, avisamos o Dr. Fernando. Chegamos no Ilha por volta das 17h e eu continuava sangrando. A Cris disse que era do colo dilatando, ou seja, nosso filho estava chegando! Confesso que fiquei feliz, mas com medo pela prematuridade, queria que ele esperasse mais um pouquinho. Mas como diz a Cris, são os bebês que mandam heheh. Quando o Dr. Fernando me avaliou, pediu que eu chutasse um número de 0 a 10. Falei 5. Ele disse: 9. Não acreditei, já estava com 9 cm de dilatação! E não tinha tido contrações tão doloridas ainda. Estava bem suportável.

Subimos para a sala de parto. Eu estava muito tranquila. A Cris perguntou o que eu queria fazer, sentar na bola, entrar na banheira, ou no chuveiro. Mas eu nem sabia o que queria de tão bem que ainda estava. Enquanto isso, precisei tomar antibiótico na veia pois não deu tempo de fazer o exame de Streptococcus, então teria que tomar de qualquer forma. Um tempo depois, ao me avaliar novamente, o Dr. Fernando disse que faltava pouco para os 10 cm e sugeriu que estourássemos a bolsa.

Agora sim a dor iria começar de verdade. Fui para o chuveiro e as contrações vieram com tudo. A água não estava resolvendo. Saí do chuveiro e já não havia mais posição confortável. A Cris orientava que eu tentasse agachar ao sentir as contrações, mas eu tinha dificuldade. Lembro nessa hora do Filipe me abanando e me apoiando ao me agachar, e também, da Cris massageando minhas costas, me abraçando durante as contrações, mas não lembro quanto tempo se passou nessa hora. Sempre achei que o expulsivo fosse a parte mais fácil do trabalho de parto, mas para mim, talvez tenha sido a mais difícil.

Quando cheguei aos 10 cm, eu continuava sentindo as contrações, mas não sentia aquela vontade involuntária de empurrar que todos falavam, não conseguia identificar o momento certo de fazer força. E cada contração que vinha parecia uma eternidade. Quando passava, eu queria que tudo acabasse logo, mas sabia que pra acabar teria que sentir algumas dores ainda. Como eu não estava confortável em pé ou de cócoras, resolvi deitar na cama mesmo sabendo que aquela posição não era a melhor para a gravidade atuar. Então comecei a fazer força e essa hora achei que não ia ter fim.

Depois de muitas tentativas, já era possível ver que o Cássio estava vindo, mas ainda não o suficiente para nascer. Foi aí que o Dr. Fernando sugeriu que eu ficasse de cócoras em cima da cama para ajudar. Me apoiei numa barra e continuei a fazer força naquela posição. Depois de mais algumas contrações, senti uma dor muito forte na lombar. A Cris disse que era o Cássio descendo pela pelve. Então ela pediu que o Filipe fizesse uma pressão nas minhas costas, para ajudar, quando eu sentisse a contração.

Logo senti o Cássio coroar. Nessa hora senti uma alegria imensa: mais algumas contrações e ele iria nascer. E assim foi. Às 20h33 ele nasceu, e o Dr. Fernando falou para o Filipe: “pega teu filho”. Ele pegou, mas não pode vir para os meus braços, já teve o cordão umbilical cortado para ser atendido pela pediatra devido à prematuridade. Teve dificuldade respiratória, ficou no oxigênio um tempo em observação até descer para a UTI neonatal. Antes de descer, o segurei por poucos minutos. Tão pequenininho (nasceu com 2,265 kg e 45 cm), tão frágil, mas ao mesmo tempo tão forte.

Mesmo não tendo idealizado como seria o parto, eu idealizava um pós parto imediato sem nenhuma intercorrência, mas as coisas não foram como o esperado. Logo que ele nasceu eu me senti fraca, achei que ia desmaiar. Acabei desmaiando depois no quarto e não consegui descer na UTI pra vê-lo naquela noite. Também não consegui amamentar na primeira hora de vida dele. Somente no dia seguinte. Foram 2 dias de UTI neonatal e mais 3 dias no quarto, para fazer fototerapia por conta da icterícia.

No fim de tudo, só tenho a agradecer. À Deus, por estar no controle de todas as coisas e por estar conosco em todos os momentos. Ao meu marido Filipe, por ser meu parceiro, sonhar junto comigo, me apoiar e estar ao meu lado todos os dias, especialmente em um dos dias mais felizes de nossas vidas. Aos meus sogros que não mediram esforços e correram comigo até a maternidade, ficaram à nossa disposição a todo instante, e nos auxiliaram em tudo. À minha família que mesmo não podendo estar perto nessa hora, estava em oração e torcendo por nós.

À Cris e ao Dr. Fernando que foram essenciais para que eu me sentisse segura e confiante. Dr. Fernando, me cativou desde a primeira consulta, com sua simpatia e por acreditar que a mulher é capaz de parir, sem “desnecesáreas”, de forma humanizada e respeitosa. Foi essencial ter um obstetra com a mesma linha de pensamento que a nossa. Confiamos plenamente no seu trabalho e só temos a agradecer.

Cris, nossa querida doula, foi indispensável em cada minuto, se preocupando comigo o tempo todo, durante as contrações e fora delas, pensando em cada detalhe, coisas que nem eu mesma pensaria. Seu abraço foi conforto nas horas de dor, suas massagens foram essenciais para que eu suportasse mais um pouco. Suas palavras de incentivo foram tudo que eu precisava ouvir naquela hora. Isso sem falar no conhecimento de todo o processo, o que me passou muita segurança. És uma pessoa iluminada, que tem o dom e ama o que faz.

Obrigada por tudo! E por fim, agradecer pelo dom da vida e pelo previlégio de ser mãe do nosso amado Cássio.

Tairine S. Margraf

 

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