TUDO TÃO FANTÁSTICO QUANTO EU IMAGINAVA… UMA DAS SENSAÇÕES MAIS LINDAS DA MINHA VIDA! O DIA QUE MINHA PRIMEIRA FILHA NASCEU! Para ler na fonte original clique aqui

1º de dezembro de 2017 – eu não podia dormir hoje sem começar a relatar como foi esse dia único e mágico na minha vida.

COMO TUDO COMEÇOU…

Há vários anos no meu emprego em Piracicaba, eu tinha um querido colega de trabalho que entrava na minha sala e me dizia: “Você já sabe que dia seu filho vai nascer?!”. Só porque eu era um tanto metódica e organizada… Era não, continuo sendo!

Pois em abril desse ano, quando eu descobri a gravidez e já nos primeiros dias foi identificado que a data prevista do parto era 03/12/17, eu tive certeza: sabia sim o dia que minha filha nasceria! Mas não era dia 3… E sim dia 01/12/17 – o dia que eu e meu marido completamos 5 anos de casado e 15 de namoro. Fiquei cantando essa data a gravidez toda e, confesso que nos últimos dias a ausência de sinais de parto quase me fez desacreditar que ela iria mesmo se concretizar…

Mas só me permitir admitir que minha filha não nasceria nesse dia caso ele chegasse ao fim – e continuei firme e forte na minha crença. No dia anterior, 30 de novembro, eu e meu marido fomos comemorar nossas bodas. Dizem que ter relação sexual é um dos incentivos para trabalho de parto né… Parece que entramos para a estatística!

O ROMPIMENTO DA BOLSA

Bodas comemoradas, fomos dormir como um dia qualquer. Às 1h30 da madrugada eu acordo com vontade de fazer xixi, caindo uma chuvinha gostosa… Quando sentei no vaso, antes de fazer xixi de fato, algo escorreu. Pensei comigo, opa!!Mas voltei pra cama como se nada tivesse acontecido…
E, ao chegar lá, senti de novo algo escorrer .Corri para o banheiro e, daí sim, escorreu bastante daquele “algo”. Foi o primeiro momento de alegria do dia: a bolsa tinha estourado!! Eu mal cabia em mim de realizar minha aposta da minha filha nascer no dia primeiro!

Mas como eu estava sem contrações, queria voltar a dormir… E, além disso, não foi aquela aguaceira como eu pensava para o rompimento da bolsa… Mas eu não tinha dúvida que ela tinha rompido.Então comecei a procurar no google se realmente precisava ser aquela aguaceira toda e entendi que não, que dependendo de como estava posicionada a cabeça do bebê ela poderia estar impedindo o esvaziamento total da bolsa.

Porém durante as pesquisas sempre se falava de um líquido incolor, e o líquido que saiu de dentro de mim estava ligeiramente verde. As pesquisas continuaram e eu entendi que era mecônio e por isso deveria ir logo para a maternidade. Às 2h liguei para minha doula para saber o que ela achava e foi justamente essa a orientação: se arruma com calma, mas já leve tudo para a maternidade.

Nessa hora o marido acordou e daí… não tem como voltar a dormir de novo! A primeira coisa que eu fiz foi ligar o computador: passei 20 minutos dando as ordens do mês nas minhas ações – já que não tinha conseguido fazer isso no dia anterior. É… eu precisava sair de casa com esse dever cumprido!

E daí em seguida foi terminar de arrumar a mala, que já estava previamente pronta. Nem pareceu, mas conseguimos sair de casa somente às 3h! Era coisa sem fim para arrumar… E, pra ajudar, o portão da nossa garagem não queria abrir… Engraçado essas coisas acontecerem em dias como esse! Tivemos que chamar o porteiro e felizmente a parte manual funcionou e conseguimos chegar na maternidade às 3h30.

DANDO ENTRADA NA MATERNIDADE

Bem rapidamente fomos atendidos pela plantonista, que fez um exame de toque e constatou 2 cm de dilatação. E daí nesse exame, tudo que não tinha saído de água da bolsa saiu… Lavei o chão do plantão! A orientação da médica foi: vamos fazer um exame para escutar o coraçãozinho dela e em seguida conversamos sobre o andamento do parto – o que significa se esperamos o parto normal ou partimos para a cesária.

Minha expectativa naquele momento é que ela me liberasse para o parto normal e que minha filha fosse nascer por volta do meio dia… Entre esse diagnóstico e a nossa internação de fato ocorrer, passaram-se 1h30. Eu estava sem dor nenhuma, sem contração, apenas sentindo um leve desconforto e escorrendo… Vale lembrar da simpatia da Ester, a recepcionista da maternidade que nos explicou tudo com toda a calma do mundo… E ficou nos distraindo para a boa hora!

Também foi nesse momento que avisamos todos que precisavam saber e desmarcamos todos os compromissos do dia! Eu ainda não acreditava que seria dia 1º!!

INTERNAÇÃO

Às 5h da manhã subimos para o nosso quarto, o 308!
Logo a médica veio colocar o aparelho para fazer o exame. Era tipo um eletro do coração do bebê (não sei o nome dessas coisas), e os aparelhos que mediam o batimento precisavam ficar em mim por 20 minutos.

Só que ela não foi muito delicada na hora de apertar as cintas na minha barriga… E nem nas instruções… Resumindo, fiquei 20 minutos ali fazendo o exame e ele foi inválido, pois não mediu os batimentos cardíacos do bebê.

Nesses 20 minutos começaram as contrações e, por ter tido 4 nesse tempo, já começamos a medir o intervalo entre elas (essa é a primeira fase do trabalho de parto). Ao mesmo tempo, uma enfermeira voltou para colocar de novo o aparelho em mim – e, agora com mais delicadeza e instruções, entendemos quando ele estava ou não captando o coração do bebê. Nessa segunda rodada de exames as contrações começaram a se intensificar (tanto de frequência quanto de intensidade).

Já estavam vindo de 4 em 4 minutos, com duração de 20-30 segundos – e o ideal para entrar em trabalho de parto ativo é ter 3 contrações a cada 10 minutos, com mais de 30 segundos de duração. Mas eu confesso que ainda achava que estava tranquilo, e que o bebê nasceria lá para o meio dia… Tanto que nem fiquei preocupara em avisar a doula, estava preparada para várias horas de contração! No final do exame eu não estava mais aguentando de dor das contrações – principalmente pelo fato de ter que ficar imóvel para o coração dela ser medido.

Na primeira oportunidade que tive (quando tiraram os aparelhos de mim), corri para o banheiro. Já saia muito sangue e as contrações cada vez mais fortes. Eram 6h da manhã. Resolvemos avisar nossa doula porque parecia que o negócio estava andando rápido demais.

E eu estava com muita sede e fome mas, como ainda não sabia o resultado do exame e se esperaríamos o parto normal ou iríamos para a cesária, a médica tinha me deixado em jejum. Fiquei uns 20 minutos no banheiro implorando água para o maridão, que não queria sair do protocolo…
Até que convenci ele a chamar uma enfermeira e perguntar se eu podia tomar água. Nessa fase, confesso que já estava quase tomando água da torneira do banheiro, pois já tinha me molhado toda tamanha as dores das contrações.

Daí a médica voltou no quarto – acho que ela ia falar do resultado do exame mas, antes disso, fez um exame de toque. Daí ela constatou que eu já estava com dilatação total e a fase expulsiva já havia começado. Essa foi a primeira hora do desespero! Nem sei quantas pessoas entraram para me levar para  sala de parto, com receio de que o neném nascesse no quarto e não no local mais adequado!

Nesse momento eu também pedi alguma coisa que pudesse aliviar a ardência que eu sentia – eu tinha vontade de fazer força, mas ardia muito e isso me dava medo. A médica passou vaselina e lá fomos para a sala do parto.

NA SALA DO PARTO

Passado um pouquinho das 7h da manhã estávamos na sala do parto. Eu sabia que agora era comigo e que eu tinha que fazer força. Concentração total na playlist que escolhi para o momento! Mas não conseguia entender como era a tal da força que eu tinha que fazer… Parecia uma dor de barriga muito forte e a vontade de fazer cocô me acompanhou o parto inteiro.

E, sem poupar nas partes mais nojentas, teve sim cocô durante o período expulsivo – além de muito sangue! As contrações já não estavam mais doendo na barriga como antes – era só o ardor lá de baixo.  E eu não sabia em qual posição conseguia me encaixar melhor… Começamos de pé, apoiada na maca. Me sentia confortável daquele jeito, mas a médica disse que isso não estava incentivando o bebê a sair. Daí fui para de cima da maca, na posição tradicional de parto normal.

Colocaram um ferro para que eu pudesse me apoiar e ali as coisas evoluíram um pouquinho mais. A médica dizia já estar vendo a cabecinha do bebê, mas eu ainda estava insegura. Até que por volta das 7h25 minha doula chegou (ela estava trancada no trânsito da ponte) e daí ela começou a me dar instruções de como canalizar a força.

Não que a médica não tenha instruído bem – ela até instruiu o que eu devia fazer. Mas quando a doula chegou ela começou a me instruir sobre o que eu estava fazendo de errado – colocando força nos braços (na barra) e na garganta (gritando) ao invés de direcionar a força para baixo.

Ao mesmo tempo resolveram me colocar em posição de cócoras – e ali matamos a charada! Foram 3 contrações na posição de cócoras e eu consegui canalizar a força e intensificá-la. Na 4a, a Naty nasceu! Eram 7h55 da manhã. Eu confesso que fiquei impressionada com meu nível de consciência ao longo do processo – achei que eu perderia um pouco isso. Mas não… Estive totalmente consciente o parto inteiro!

Tanto que senti perfeitamente quando a cabecinha passou – aqueles 3 segundos passaram em câmera lenta no meu dia e foi uma das sensações mais gostosas que senti na minha vida!

Depois viram os ombros, um pouco mais rápido mas não menos intenso. E lá estava meu bebê, completamente ensanguentado! Ela foi colocada no meu colo, chorando alto! E nunca tinha ouvido falar disso, mas meu cordão umbilical era curto… Então não consegui ficar com ela na altura do peito – o que tornou o processo bem desajeitado, pois ela ficou na minha barriga. Em alguns minutos o maridão cortou o cordão umbilical e foi com ela pesar e medir.

E NÃO ACABOU…

Daí começou a parte mais tensa do parto… A médica estava visivelmente preocupada com a quantidade de sangue que havia saído de mim. Ela e a doula me voltaram para a maca para fazer o nascimento da placenta – algo que, depois do bebê sair, foi questão de uma única contração e ela já nasceu! E daí veio a parte dois do desespero… Eu tive laceração.

Eu não sei explicar o que é isso… Sei que tem 4 níveis, e eu tive o segundo deles – algo que não é tão grave, nem tão anormal. O fato é que a médica disse que daria uns pontinhos… Me deu anestesia local e começou a me costurar… E não parava mais de costurar… E o negócio começou a ficar tenso! Minhas pernas tremiam muito, eu sentia bastante incomodo de ter que continuar naquela posição ainda mais com a médica mexendo lá dentro… Em paralelo o bebê berrando e eu querendo ficar com ela!

“Mas já tá acabando”… e lá se iam mais alguns pontos. Eu não contei, mas com certeza acabei o processo entre 20 e 30 pontos… Foi muito ponto!! Deve ter corrido mais de 20 minutos nesse processo e então quando finalmente o incômodo acabou, era hora de voltar para o quarto. E cadê minha força?? Quem disse que eu conseguia levantar da maca??

Essa foi a pior hora de todas… Eu quase desmaei… A enfermeira me ajudou a levantar da maca e sentar na cadeira de rodas, ao mesmo tempo que me limpou e me vestiu. O caminho para o quarto eu fui de olhos fechados, pois realmente achei que fosse desmaiar. Quando cheguei no quarto, pedi se eu podia comer alguma coisa antes de levantar da cadeira, pois estava totalmente sem força. Eles me deixaram comer uma bolachinha e isso me fez começar a voltar ao normal.

Estávamos no quarto eu, maridão, bebê e a doula! O bebê quietinho de tudo no colo do papai e eu tentando me mover da cadeira de rodas para a maca. Sei que ficamos um tempo ali, conversando de como foi o parto. Não sei dizer se eu estava mais acordada ou mais dormindo… Foi um momento de fraqueza muito forte! Talvez aqui tenha sido a parte que eu menos tenho lembranças e consciência de tudo que aconteceu.

Só sei que em algum momento a doula colocou o bebê no meu peito para a primeira mamada – e foi tudo mágico de novo! A felicidade de ver ela pegar direitinho o peito, mamar com gosto!! Talvez tenha sido a recompensa que me fez voltar a uma fase mais consciente do processo! Foi simplesmente fantástico!

Em mais alguns minutinhos a doula foi embora e ficamos só nós 3: chegou a hora do vamos ver!! Isso já era por volta de 10h da manhã e a notícia do nascimento já tinha corrido! Felizmente a filhota foi super boazinha conosco no seu primeiro dia – mas vou deixar para falar disso em um outro post! Aqui termina o relato do meu trabalho de parto!

EXPECTATIVA X REALIDADE

Muito do que eu tinha planejado aconteceu! Especialmente tudo isso ter ocorrido no dia 01/12! Nesse post eu descrevi quais eram minhas expectativas para a tão esperada boa hora! Eu esperava ter passado mais tempo do TP em casa antes de ir para a maternidade – e até umas 5h da manhã ainda achei que fosse voltar a dormir (doce engano…).

Mas foi bom ter ido logo! Com a velocidade que foram as contrações, teria tido trabalho para arrumar as malas quando elas começaram! A parte mais dolorida do trabalho de parto (as contrações) durou 1h – e eu esperava que ficaria horas nesse processo. Às 3h30 eu tinha 2 cm de dilatação e às 6h30 dilatação completa (e já devia estar com ela completa há mais tempo, é que o toque só rolou essa hora).

Foi uma quantidade bem menores de contração do que eu pensei. As dores em si, muito parecido com cólica menstrual – coisa que eu já estou craque! Então não, não doeu mais do que eu esperava… Foi mega desconfortável por estar amarrada para o exame, mas assim que eu fui para o banheiro, era uma dor completamente suportável!

Quando chegou no expulsivo, daí o que me surpreendeu foi a ardência – eu já esperava que ela ocorreria. Mas era tamanha que me dava medo de fazer força – e eu sabia que isso estava errado, mas mesmo assim não tinha condições de vencer esse medo. A vaselina, aplicada 2 vezes, ajudou muito!

Passado todo o processo, a conclusão que chegamos (médico + doula + eu) é que o período expulsivo demorou muito. Acho que se eu tivesse tido as orientações corretas de como direcionar a força desde o momento que o expulsivo começou (no banheiro), ela teria nascido mais de 1 hora antes.

Realmente o papel da doula foi fundamental para direcionar o que eu precisava fazer no momento! E a certeza de estar no caminho certo! É engraçado que tanto a médica quanto a doula, nas contrações finais, davam incentivos indiretos para a força: tem bastante cabelo, é morena! Eu literalmente entendia que ela estava saindo e voltando, saindo e voltando. Era questão de acertar na força que tudo daria certo. Essa demora no trabalho expulsivo aliado a posição que os ombros do bebê saíram foram as duas principais justificativas para a laceração.

Eu não esperava ter que passar por essa “costura” toda – e a recuperação também tenho que confessar que foi bem dolorida. Além da fraqueza natural após parir… Mas foi a única coisa que saiu de diferente do planejado… De resto, sem soro, sem ocitocina, sem anestesia, sem ninguém tocar em mim. Eu fiz o meu parto, eu dei a luz!

Do jeitinho que eu queria, com as músicas que eu gostava, na presença da minha família. Não faltou nada e eu só tenho a agradecer esse dia inesquecível da minha vida! Várias imagens mentais estão registradas na minha cabeça… E muitos sentimentos que eu sonhei um dia experimentar, se realizaram nesse dia! E foi só mais uma parte do começo…

Fonte: http://prinunes.com.br/relato-parto/


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