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Desde que me conheço por gente, sempre soube que teria filhos de parto normal simplesmente porque, até ficar grávida, sempre soube que essa é a natureza do ser humano… Na minha família todas as mulheres tiveram filhos de parto normal, todas amamentaram até um bom tempo, todas criaram com muito amor e atenção seus filhos (sem medo de “viciar em colo” e outras coisas que dizem por aí…), todas trabalharam e batalharam juntamente com a criação dos filhos… Assim, tudo isso sempre foi muito “normal” (duplo sentido) pra mim…

O melhor susto das nossas vidas

Em junho do ano passado, minha irmã e minha cunhada estavam tentando engravidar a uns bons meses, e eu recém doutora e recém casada (casei em novembro de 2011), sem ideia de ter filhos tão cedo (e talvez até nunca), aproveitei para fazer uma cirurgia de quadril que precisava já a algum tempo. Pois logo após a cirurgia, a dificuldade de engravidar de minha irmã e minha cunhada, aliado ao pós-operatório e a alguns exames que indicavam baixa fertilidade do meu marido, me fizeram deixar meu anticoncepcional com a ideia de voltar a ovular e num futuro (próximo ou não tanto) engravidar, já que a minha expectativa por sobrinhos estava aflorando meu lado maternal.

Pois foi que 15 dias depois, minha irmã anunciou sua gravidez e fiquei absurdamente feliz com a ideia de um bebê na família. 30 dias depois, meu marido chega em casa dizendo que o médico falou que ele, apesar do resultado dos exames, poderia fertilizar e eu engravidar sim. Lembro exatamente das palavras dele: – Na próxima menstruação volta a tomar o anti, tá?

Acontece que a próxima menstruação não veio… 1 dia de atraso e a louca já foi pra farmácia… POSITIVO… 1h depois já fui pro laboratório… “O resultado sai próximo as 21h no site”… Desde as 19h eu não parei de atualizar o site… As 20h50min saiu o resultado… Olhei com minha super experiência nesse tipo de exame: 1356, sendo positivo maior que 5… Pensei: “Tem alguma coisa de errado, será a unidade de medida (engenheiro sempre pensa isso)?”… Pra mim, se fosse positivo seria 6 ou 7… Mas 1356? Mandei mensagem pra minha irmã e a resposta dela foi “tu não tá grávida, tá SUPER grávida”…

 

MELI E EUEu e minha irmã com, respectivamente, 6 e 7 meses de gestação

 

Bom, meu marido ficou sem respirar por uns 15 dias até que fomos escutar o coraçãozinho no US e lá estava o nosso bebezinho, firme e forte! Choramos juntos pela primeira vez em muitas ao longo desses 9 meses e meio de gestação…

Hora de reorganizar a vida então!

Joguei as muletas longe e fomos atrás de obstetra.

Primeira médica, “Sim, eu prefiro parto normal”… Preferir eu prefiro alface americana a crespa, mas quase nunca como… Então essa já foi pra lista negra… Segunda médica nem me perguntou como eu queria ter, disse isso conversamos mais tarde”… Outra pra lista negra… Até que por uma indicação (bendita indicação!!), cheguei ao Dr. Fernando Pupim Vieira! Que benção! Coloquei o nome dele no google e apareceu o blog da Cris. “Doula? Que é isso? Deve ser bobagem!”, pensei…

Minha gravidez foi absurdamente tranquila, bem dentro do convencional: enjôos médios até as 11 semanas, nas exatas 12 semanas já descobri o sexo (MENINA, como a grande maioria palpitava), já tínhamos o nome desde o tempo de namoro (Catarina!), 2o trimestre super tranquilo cheio de preparativos (enxoval, quartinho, …) e o 3o de muita azia, inchaço e dor nas pernas…

 7 MESES 7 meses de gestação

 

A Cris Doula

Quando estava no final da gestação minha irmã, que estava com 6 semanas de gravidez na minha frente, teve seu baby com o Dr. Fernando (por minha indicação) e com a Cris (indicação do Fernando). Aí SIM percebi a “bobagem”que era ter uma doula… Na verdade descobri O QUE ERA uma doula!! Era APOIO, era AMOR, era SEGURANÇA…

Cheguei em casa e chorei horrores… De felicidade pelo nascimento do meu sobrinho, mas também de medo de não conseguir um parto natural e rápido como de minha irmã…

Eu, que já estava com 32 semanas, corri ver se a Cris ainda tinha vaga pra mim… Ela, mesmo estando cheia de gestantes aceitou na hora! Fui falar com meu marido e ele não entendeu muito mas me apoiou (até hoje lembro que ele achava que Doula era o sobrenome da Cris hahaha…). Comecei enfurecidamente a ler tudo a respeito de partos naturais, aí percebi que de normal/natural está muito longe hoje no Brasil, e que embora minha família seja de “parideiras”, elas são minoria e o Brasil é um país apaixonado por cirurgias… Fiquei enlouquecida, morria de medo de cair numa cesárea (desnecessária ou não, eu morria de medo da cirurgia e de não ter oportunidade de parir nessa vida…), quase pirei a cabeça da Cris…

Ela, com toda a paciência do mundo, me passou mil textos para ler, vídeos para assistir, relatos, para entender que meu corpo era capaz, que a mídia enche as mulheres de medos, que tinham mil alternativas antes de uma cesárea e que eu tinha que confiar nisso mas também estar preparada para tudo (inclusive a necessidade de uma cesárea de emergência).

O parto

Com 36 semanas minha ansiedade era enorme, e fiz minha última (que não era pra ser última) consulta com o Dr. Fernando. “A consulta de 38 semanas você faz na maternidade com minha colega”, diz ele… Eu: “Hein?”. Ele: “Sim, vou viajar durante 5 dias, mas não se preocupe, calculei bem quando não teria partos”… Ai aiai… Eu sabia que isso não daria certo… Ele viu minha cara de pavor e me tranquilizou dizendo que a bebê não viria enquanto ele não voltasse, que o mais comum é vir depois de 40 semanas e pode vir até 42 semanas, mas que mesmo assim deixaria outros obstetras de sobreaviso…
Meu marido também viajaria naquela semana, o que me deixou ainda mais tensa…

 37 SEMANAS37 semanas de gestação (5 dias antes do parto)

 

Foi que na noite de domingo pra segunda (que completaria 38 semanas) não consegui dormir desde as 2h da madrugada… Contrações? Não sei… Mas algo movimentava ali, meu marido viajaria pela manhã e o Dr. Fernando no outro lado do mundo! Quem me ouviu? A Cris, é claro… Me pediu que fosse na maternidade dar uma olhada… Cheguei ao meio-dia, agora já com contrações definidas mas leves… 1 cm de dilatação… Que tristeza… Voltei pra casa. Mais contrações… Fui pro shopping, meu marido comigo sempre (não foi viajar)…

DIA DO PARTOTomando um café a algumas horas antes do nascimento da Catarina

 Dor na lombar e contrações… “Cris o que eu faço”, ela: “Volta pra maternidade, estou indo ao teu encontro. Já falei com a Dra. Roxana e ela vai te atender se teu parto for hoje”. Dilatação 1,5 cm… Oh my god… Cris, vendo minha ansiedade foi comigo para casa, isso já era final de tarde.

Chegamos em casa e eu disse que iria descansar um pouquinho. A Cris deu uma risadinha… Por que ela riu? 10 min depois eu entendi… Trabalho de parto a mil… Contrações fortes de 10-10min, depois 7-7min, rebolar e pular na bola, banho quente de chuveiro, banho de banheira, massagem, carinho do marido, pai, mãe, Cris. As 20h estava exausta… Seguimos, jantei galinhada temperada com chá de bruxa da Cris e uma taça de vinho… Voltei pro chuveiro, fui pra banheira…

 BANHEIRA CASAEm trabalho de parto ativo com meu amado marido na banheira de casa

A Cris: “Nati, acho bom irmos pra maternidade para não dar correria”… Correria??… Eu já não tava mais nem aí, ia parir lá em casa mesmo, pra que maternidade? Mas muito obediente, fomos…

A partir desse momento, não lembro de nada exatamente contínuo, só flashes: caminho, sinaleira, cochilo, cancela da maternidade, recepção, casal da recepção apavorado comigo, plantonista medindo minha dilatação, plantonista dizendo que tava total, eu abraçando a Cris de felicidade, elevador para sala de parto, bolsa estourou, eu pedindo desculpas para as gurias da recepção pela “sujeira”, sala de parto, Cris me defendendo, Dra Roxana chegando, banheira, expulsão, BEBÊ!!Aaaaaahhhhh BEBÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!!!

 BANHEIRA

                                                                                                                                A emoção do nascimento

 

Foi assim, exatamente assim que lembro… Nesse momento (BEBÊ, as 23h50min) tudo parou……. Ela era a coisa mais linda desse mundo……….Eu ali na banheira com ela nos braços……… Meu marido me abraçando e chorando mais que a bebê……… Cris fotografando……… Dra Roxana desenrolando as 3 voltas de cordão umbilical que a Catarina tinha feito nela mesma……… Ela amamentando pela primeira vez ali na banheira mesmo……… A nossa nova vida, mais maravilhosa ainda tinha acabado de começar………

 PESAGEM

 

MATERNIDADE

DOR

Dor? -Sim, senti dor… Fiz analgesia? -Não, simplesmente esqueci… Louca e corajosa? –Hein?…

Depois de responder tantas vezes essas perguntas (que nunca entendi porque ao invés de perguntarem se doía, não perguntavam se foi emocionante…)hoje cheguei a uma conclusão: Não, não sou louca, nem corajosa, nem muito menos masoquista… Sou MULHER e que AMA… E que amor não tem dor? Que graça tem a vida sem intensidade?? Com todo o respeito a quem faz essa “opção” (que na minha opinião não deveria ser opção, não da parturiente ao menos…), não consigo me imaginar optando por uma cirurgia, com dia e hora marcada, decidindo o momento de um ser humano nascer (e afetando sua saúde, nosso vínculo e suas emoções) por conveniência, medo ou por qualquer outro motivo/sentimento, que são tão pequenos perante a todos envolvidos durante o trabalho de parto… Foi sem dúvida as melhores 24h da minha vida!! Os minutos mais intensos e cheios de sentimento!! Mais NATURAIS e HUMANIZADOS!!! Sentir as contrações e a minha bebê descendo, NASCENDO, sentir meu marido “contraindo” ali junto comigo e me admirando por aceitar o momento da nossa filha, sentir o respeito dos profissionais envolvidos… Foi demais… Foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida, por mim, pela Catarina e pelo meu marido!

Agradeço TODOS OS DIAS por ter tido a “sorte” de:

–          Ter seguido meus instintos, seguido a natureza e os ensinamentos/princípios de meus pais e minha família,

–          Ter minha irmã no mesmo momento, trocando experiências e inspirando,

–          Ter um marido tão companheiro e corajoso comigo,

–          Por ter conhecido a Cris e ela ter me apoiado durante todas fases da minha gestação e me encorajado na hora do parto,

–          Por ter tido o Dr. Fernando P. Vieira durante toda a gestação me tranquilizando,

–          Por ter sido abençoada com a Dra. Roxana Knobel na ausência do Dr. Fernando.

POS PARTO C CRIS

Com Dra Roxana e Cris, logo após o parto

Obrigada Deus por toda essa sorte, sorte essa que eu tanto busquei!

Natália Mezzomo


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