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I Wont Give Up- Jason Mraz e Um Parto

Pensei varias vezes em como começar esse relato e decidi começar com a música que descreve o fim dele.
Começo ao contrario porque meu parto foi assim, meio “do contra”.

“Our differences they do a lot to teach us how to use
The tools and gifts we’ve got yeah we got a lot at stake
And in the end, you’re still my friend
At least we didn’t intend
For us to work we didn’t break, we didn’t burn
We had to learn how to bend without the world caving in
I had to learn what I’ve got, and what I’m not
And who I am…”

Com 12 semanas entrei em contato com a Cris, na época eu já seguia a página O Renascimento do Parto e sabia que queria um parto humanizado.
Tive de convencer o marido da necessidade de uma doula, mas no primeiro encontro ele já estava encantado com o trabalho da Cris e a contratamos. Durante a gestação ocorreu tudo bem e eu li tudo que podia, cada relato no blog, cada informativo, tudo.
Eu tinha certeza, ia ter um parto normal, ia ser humanizado, ia ser na banheira, eu tinha lido muito ia saber lidar com tudo. Mal sabia eu…

Dia 16.06 fui dormir às 03 da manhã, um pouco da famosa insonia gestacional. Às 06 da manhã,
acordei com dor de barriga, fui ao banheiro, não passou. Liguei a banheira e tentei relaxar, ja tinha tido as mesmas coisas na segunda e não tinha dado em nada. Dez, quinze, vinte minutos e não passava.

Acordei o marido e disse pra começar a contar as contrações, elas foram intensificando e diminuindo
o espaçamento. Mandei um recado pra Cris pelo Whats, saí da banheira, tentei deitar, estava com sono. Impossível, deitada doía muito, fui pra bola, ajudou, mas a dor nao cedia mais. Meu marido ligou pra Cris, no meio da ligação uma contração, e ela diz: “Pelo gemido era bom ir pro Ilha avaliar.” Aquele gemido não era nada perto do que viria…

~*Our differences they do a lot to teach us how to use
The tools and gifts we’ve got yeah we got a lot at stake*~

No Ilha, fui avaliada, colo fininho, com bolsão, porém, só 3 cm de dilatação! A médica sugeriu voltar pra casa e esperar, eu pensei: “Se eu entrar naquele carro e passar em mais um buraco, juro que não volto.” Insisti um pouco e fui admitida pra internação.

Fomos pro quarto, as avós, a Cris e o marido revezavam na massagem, mas eu estava cansada.
A Cris sugeriu de me deixarem descansar, todos saíram, ficamos eu e ela no quarto. Deitei e a cada contração ela me massageava. Consegui cochilar entre as contrações, lá pelas 14:00 h sinto como se um balão tivesse sido estourado dentro de mim e o líquido escorre. Líquido clarinho, vem a enfermeira e diz que vão preparar a sala de parto.

Sobem as avós e o marido, banheira ligada e entro com a certeza de que passaria as próximas horas nela… Entrei na banheira e fiquei, Cris disse que a médica vinha medir a dilatação. Perguntei: ” Tem mesmo?” Cris me explicou e concordei. A médica veio, 6cm. Fiquei feliz pela evolução, mas sabia que podia demorar muito ainda.

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A banheira começou a me incomodar, tentei ficar mais um pouco, mas não deu, quis sair, não achava posição confortável ali. Levantei, veio outra apoiei na maca, veio outra apoiei na mãe, fui ao banheiro e já me sentia exausta até a musculatura pra gemer não tinha muita força.

Por um segundo me senti perdida, tinha planejado um parto na banheira, não sabia onde ficar. Veio a covardia, disse pro marido que não ia conseguir, que já estava exausta e não ia conseguir fazer força.
Decidi subir na maca, veio uma contração e me esparramei como deu, meu marido deitou atrás de mim para me acomodar melhor. Pedi analgesia, Cris me explicou que teria que sair do quarto e ir ao centro cirúrgico, desisti. Me mexer parecia impossível. Pedi cesárea, Cris disse: “Tu ta evoluindo tão bem, não vou deixar tu fazer cesárea!”

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Gente como eu sou grata por ter ela ali! Marido e mãe vendo que eu estava com dor acho que acatariam qualquer coisa minha. Então era isso, só me restava aceitar.

~*We didn’t break, we didn’t burn
We had to learn how to bend without the world caving in*~

Veio a aceitação. Com ares de criança emburrada e contrariada. Meu marido já estava na mesma posição atrás de mim há 2 horas, eu não deixava ele se mexer porque era se mover que vinha uma contração, ele me disse que precisava fazer xixi e eu disse que ele podia fazer ali mesmo que eu não ia me importar, hahahaha. Bom depois de muito trabalho ele conseguiu sair… Acho que ficaram um pouco preocupadas por eu não querer me mexer, a médica, a Cris e até minha sogra tentaram me convencer a ir na banheira, no chuveiro, no banco.

Não teve jeito, me senti num estado muito primitivo, sem querer fazer uma  comparação chula, como cachorra que quando vai parir acha um canto que se sente segura e fica ali até a hora. Não era o mais recomendado, mas era o que meu corpo dizia que precisava e me mantive firme ali. Como mágica a dor se tornou mais suportável e entre contrações eu dormi.

~*I had to learn what I’ve got, and what I’m not
And who I am.. *~

Eu estava em estado de transe, dormindo entre contrações e não emitindo um som quando elas vinham, era só eu no meu mundinho, conheci ali a famosa partolândia, aliás, conhecer é pouco, mergulhei nela! A médica veio medir e já eram 8 cm, minutos após o toque as contrações foram se intensificando novamente, quando de repente, veio a  vontade de fazer força, descobri que empurrar fazia a dor da contração passar, pensei: É isso! Vou fazer força que a dor acabar é agora!

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A Cris chamou a médica que deu uma olhada e disse que já estava vendo o cabelinho, naquela hora algo em mim veio à tona, uma força que eu nem sabia que tinha depois de tanto cansaço, era meu filho, estava ali bem pertinho. Comecei a empurrar pra valer e… GRITEI! (sei que muitas pessoas não acham bonito ou certo gritar, aquela velha  cultura de que mulher tem que ficar calada) Mas se eu grito de felicidade num jogo de futebol, num show ou num parque de diversões, não vejo motivo pra ter vergonha dos gritos que me ajudaram a trazer meu filho a esse mundo.

Na verdade, pelo contrário, apesar de assustar a maioria que vê o vídeo hehe, tenho muito orgulho de cada um deles, não eram sons de dor ou sofrimento, era pura força e determinação, não saíram da garganta (sério mesmo, até eu achei que ia ficar rouca, mas apesar de ter 1 cm de laceração no períneo, eu tive uma voz íntegra pós-parto) eles saíram das entranhas, do coração. Eu não era mais a cachorrinha parada com dor no seu cantinho, evoluí na escala “animal”, era uma leoa parindo sua cria.

E com vinte minutos de expulsivo nasceu o Oliver, com exatas seis horas e quarenta e cinco minutos
de trabalho de parto “aprendi o que eu tinha, o que eu não era e QUEM eu sou”. Eu sou mamífera, viro bicho com dor, sou mais forte do que imaginava, sou mulher, a partir daquele dia até o meu último, EU SOU MÃE!

DETALHE: Durante a hora que fiquei na banheira essa era a música da minha playlist que pedi pra tocar, não sabia que ela ia dizer tanto.

Mônica Matzenbacher


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