Dra Bruna Wunderlich recebendo Sofia

22/10/2017
03:00 Acordo, como já estava sendo frequente na última semana, com uma contração. Mas dessa vez foi diferente, mais duradoura, mais intensa, dolorida. Volto a dormir. 12 minutos depois, outra contração. 10 minutos depois, outra. Eu sabia que tinha chegado a hora. Tentei me acalmar, mas o coração já estava acelerado. Acordei o Rodrigo, mas sabíamos que precisaríamos de paciência.

03:45 Ligo para a fotógrafa ficar de sobreaviso, pois não queria esquecer de registrar esse momento especial.

04:30 Sinto sair um líquido claro, mas em pequena quantidade, “será que a bolsa estourou?” Sinto-me apenas mãe, com tantas dúvidas e incertezas e medos. “Espero mais um pouco ou vou pro hospital?”

05:00 As contrações agora estão de 5 em 5 minutos. Ligo pra minha doula e pra minha obstetra que me tranquilizam e me orientam a tomar um banho quente e aguardar um pouquinho mais.

06:15 As contrações se intensificam mais e minha mãe me alerta de que está evoluindo rápido demais. Resolvemos ir ao hospital. Sabedoria de vó.

07:00 Avaliação inicial: trabalho de parto ativo, bolsa rota e 5cm de dilatação!

A partir desse momento parece que a realidade do parto começa a se configurar pra mim… a minha pequena vai chegar!
Contrações com frequência e intensidade cada vez maiores… Chega um momento em que nada mais é racional, tudo passa a ser emoção… você deixa de ter controle sobre os sentimentos, as coisas simplesmente acontecem como tem que acontecer, e você deixa acontecer…

A dor da contração é intensa, muito muito muito intensa… incomparável, indescritível, não mensurável em qualquer escala que eu conheça… é além de dor, é um estado de espírito. É todo o seu corpo falando uma nova linguagem, te orientando pra um caminho desconhecido. A sua mente passa para outra dimensão. Você fecha os olhos e tenta entender os sinais do seu corpo, mas é difícil, muito difícil. Você grita! Você quer sair correndo, quer que aquilo tudo acabe logo, quer desistir… parece que você não vai dar conta.

E quando esse sentimento vem, é tão importante aquele apoio, aquelas mãos pra apertar forte, aquela voz que não julga e só te encoraja a seguir em frente, a entender que você é capaz, a seguir tentando entender os sinais do seu próprio corpo e deixar acontecer… a entender que você dá conta, que você é muito mais forte do que imaginava…

Que o parto, a gestação e todo esse processo envolvido na vinda de um novo ser são uma das coisas que mais me encantam, não é novidade para os que me conhecem, mas eu não havia feito um roteiro para o meu parto. Havia ansiado muito por ele, mas decidi que tomaria as decisões na hora, com o que fosse sentindo e que o meu corpo fosse pedindo. E tudo aconteceu, sem roteiro, sem planos, sem regras pré-definidas. Foi se construindo a cada contração, mas muito mais rápido que eu me imaginava.

E me vi na banheira, sem planos, sem restrições, com meu companheiro, mãe, doula, obstetra, fotógrafa, quase como uma pintura, colocados ao meu redor me apoiando, e esperando pacientemente o milagre da vida. E a água me trouxe um alívio e conforto. E ali fiquei. Ali ficamos todos. E ali eu senti vontade de desistir, mas também recebi forças pra continuar. E ali todo o sofrimento se transformou em amor. Mais que amor, o maior sentimento que eu já pude sentir na vida.

Rodrigo, meu amor. Você foi maravilhoso, perfeito, você viveu comigo cada segundo desse processo maravilhoso, você foi meu apoio quando minhas pernas fraquejaram, você foi minha analgesia quando achei que a dor era insuportável…

Mãe, Zorene, você foi sabedoria, experiência pra me dizer que era chegada a hora; você foi paciência, força, compreensão… foi mulher, mãe e avó, com toda a intensidade que essas palavras carregam…

Sabrina, a fotógrafa, você foi invisibilidade, você foi o olhar sereno e sensível registrando o momento mais importante da minha vida.

Cris, minha doula querida, você foi tranquilidade, serenidade, calma. Você foi conforto e força. Me desculpe por todas as dúvidas e incertezas, não me imagino sem você ao lado.

Bruna, minha obstetra maravilhosa, você foi segurança, delicadeza, respeito. Você foi paciência, força e conforto, mas foi muito além, você foi amor, amor pela profissão, amor pela vida.

A equipe!

Como eu definiria? Perfeito! Melhor do que imaginei nos meus melhores sonhos. E ter vocês ao meu lado foi essencial! Como me disse a Bruna, “o parto é uma morte, você precisa morrer pra renascer mãe”.

Eu renasci no dia 22/10/2017. Renascemos. Nasceu uma mãe, nasceu um pai, nasceu uma avó, nasceu uma família e tenho certeza que nasceu muito muito muito amor em todos naquela sala.

Sofia nasceu as 09:03, com 3165g e 50,5cm. Parto natural na água, procidência de mão, sem qualquer intervenção e cercada de muito amor. Fotografia : Sabrina Pierri

Ps: Jullie é médica o que torna esse relato ainda mais especial, afinal, não é todo dia que podemos acompanhar uma médica parindo naturalmente!

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