Sou a Heloísa, tenho 32 anos e o Henrique é meu primeiro filho. Há quatro anos já havia me interessado sobre o assunto parto humanizado, e comecei a pesquisar bastante. Nessa busca, encontrei o blog da Cris e passei a ler os relatos dos partos. Rapidamente eu já estava imersa nesse mundo e havia decidido: queria um parto humanizado, e mais ainda, gostaria que fosse assim, natural! Na mesma época eu estava em busca de um ginecologista na cidade, e depois de algumas pesquisas encontrei o Dr. Fernando Pupin; foi amor à primeira consulta e por isso ele tem me acompanhado nos últimos anos.

Em dezembro de 2017 eu e meu marido decidimos que tentaríamos engravidar a partir de julho de 2018. Assim, fui ao médico, fiz todos os exames de rotina e estava super saudável, pronta pra essa missão! Contei também com as recomendações da minha grande amiga, nutricionista e acupunturista Gisele Pagliarini, que me ajudou não só com a dieta e suplementação, mas também com dicas de alimentos que aumentassem a fertilidade. Parei a pílula para conseguir entender meu ciclo menstrual, assim eu conseguiria me conhecer melhor e teria mais chances de saber os meus dias férteis!

Apesar da ansiedade, só começamos a tentar no mês de julho, como havíamos programado, cientes de que poderia demorar. E não é que pra nossa surpresa e grande alegria, engravidamos de primeira? Um pouquinho depois de descobrirmos a gravidez já entrei em contato com a Cris e iniciamos o acompanhamento. Fiquei tão feliz de estar sendo acompanhada pelos profissionais que eu havia escolhido há tanto tempo! A gravidez foi saudável e sem nenhuma intercorrência – assim caminhávamos em direção ao parto natural que eu desejava! Também era adepta do pilates como atividade física há 3 anos, e mantive as aulas até 3 dias antes do parto!

Com 39 semanas e 3 dias, no dia 07.04 acordei às 6 da manhã com algumas cólicas, muito parecidas com as cólicas menstruais. Enrolei mais um pouco na cama achando que poderia não ser nada. Às 7 decidi levantar porque as dores estavam lá, definitivamente, apesar de bem fraquinhas. Acordei o marido pra contar, mas disse pra ele que poderiam ser pródromos, então nada de elevar as nossas expectativas!

Tomamos café animados com a ideia de ter chegado o grande dia. Passei a manhã em casa controlando o andamento das contrações, e às 11 da manhã mandei mensagem avisando a Cris que as contrações tinham iniciado. Ela me explicou que ainda poderiam ser pródromos, que poderia levar uma semana ou nascer na mesma noite. O marido tinha um churrasco no almoço e resolvi ficar em casa, porque senti que deveria. Fiquei tranquila, assisti séries, comprei passagem aérea pra minha mãe vir de SP no dia seguinte e combinei com a minha amiga Gi uma sessão de acupuntura mais tarde, pra ver se o parto engrenava.

Próximo das 15h comecei a controlar as contrações no aplicativo, pra ter ideia da regularidade e do intervalo. Estavam irregulares a cada 7 ou 8 minutos. Falei com a Cris por volta das quatro, e como estavam muito espaçadas e irregulares, achamos que podiam ser apenas pródromos. A dor era uma cólica em toda a parte de baixo da barriga, que ficava totalmente dura. Não tive nenhuma perda de muco ou sangramento, o que dificultava o diagnóstico do que estava de fato ocorrendo. Será que era trabalho de parto inativo? Será que teria já alguma dilatação?

A Cris me instruiu a parar de contar as contrações e tentar relaxar e curtir a vida. Confesso que me desanimei e fiquei um pouco chateada, pois achava que estava mais próxima da hora H. Mas já que era pra viver a vida normalmente, decidi ir à festinha de aniversário de 2 anos do meu sobrinho, mas combinei com o marido que não contaríamos nada a ninguém. Durante o aniversário a dor foi aumentando, contrações mais ou menos a cada 6 minutos! Toda vez que a dor vinha eu trancava um sorriso e aguentava, hehehe. Consegui ficar na festinha das 17h às 19h, quando fingir que nada estava acontecendo tinha ficado insuportável. Dissemos que eu estava cansada por conta do barrigão e voltamos pra casa pra eu sentir dor em paz, hehe.

Por volta das 20h começamos a sessão de acupuntura lá em casa, já que achávamos que o trabalho de parto ainda iria longe! Quando ela terminou, as contrações estavam mais ou menos de 5 em 5 minutos. Me empolguei novamente, afinal, apesar de bem irregulares, os intervalos estavam cada vez mais curtos! Às 21h fiz um novo contato com a Cris, que me disse que minhas contrações estavam muito irregulares ainda, e portanto, muito provavelmente ainda nos encontrávamos em pródromos/fase latente. Nessa hora tomei um balde de água fria, fiquei muito chateada. Como era possível estar ainda em pródromos? A dor já era bem intensa, não conseguia falar durante a contração, não encontrava mais posição…mas segui.

Em casa eu ia tentando um pouco de tudo: deitada, dor. Bola de pilates, dor. Chuveiro, dor. Bolsa de água quente, dor. Nada ajudava muito. Às 22h foi quando me desesperei. A dor era muito intensa, os intervalos curtos, não conseguia achar posição, mas o pior foi o psicológico. Eu realmente achei que não estava em trabalho de parto ainda, que tudo o que eu estava sentindo não passavam de pródromos. Confiei apenas nas informações teóricas do que eu tinha estudado, mas não confiei no meu corpo e no meu instinto. Pensei: “Como vou aguentar o parto natural que eu tanto desejo? Se o trabalho de parto ainda nem começou, não há possibilidade de sentir essa dor absurda por mais muito tempo.” Chorei muito, pedi ajuda pro marido, desabafei um pouco com a Cris.

Eu estava tão desesperada que a Cris então sugeriu avaliar no Ilha que provavelmente estava na fase ativa. As contrações estavam um pouco mais regulares, de 3 em 3 min mais ou menos. Resolvemos então ir avaliar, mas como teoricamente não havia pressa, o marido foi tomar um banho enquanto eu pegava nossas malas para colocarmos no carro. Que loucura! Quando o marido saiu do banho a dor já beirava o insuportável. Nem lembro o que eu disse, se chorei, se implorei, já estava um pouco fora de mim. Ele entendeu a gravidade da situação e começou a levar tudo correndo para o carro. Não consegui ajudá-lo a levar nada, eu não pensava mais, só queria chegar na maternidade pra que fizessem algo por mim!

Entre o banho do marido e carregar o carro foram 30 minutos, e nesse intervalo as contrações passaram de 3 em 3 para 1 em 1 minuto! A dor era indescritível, eu já estava completamente fora de mim, mas consegui reunir forças e mandar uma mensagem pro Dr. Fernando Pupin avisando que estava indo avaliar. Mais tarde eu daria risada desse momento, pois o Dr. achou que como eu estava no whatsapp ainda devia estar beeem longe da hora H.

Chegamos no Ilha em 5 minutos, felizmente moramos bem pertinho e como era um sábado à noite, não tinha trânsito. Nesse intervalo tive 3 contrações terríveis. Até então eu tinha aguentado a dor calada, mas ao chegar no estacionamento do Ilha perdi os pudores, comecei a urrar a cada contração. Largamos tudo no carro, malas, bola de pilates, ventilador, comidas, hehe. Entrei correndo, urrei, falei com a recepcionista, mais urros, plantonista, mais urros, avaliação, e vem a bomba: dilatação total! Sala de parto já!!!! O QUÊ???? Como assim dilatação total? Já estava em trabalho de parto ativo há tempos e não sabia! A dor era intensa e quase insuportável não porque eu era fraca, mas sim porque estava dilatando!

Não tinha acreditado no meu corpo, que seguia seu próprio manual de instruções, desafiando as regras padrão. Mas a dor era tanta que sequer consegui comemorar, só queria que aquilo acabasse! Pedi para ligarem pro meu médico, o marido ligou pra Cris e fomos correndo pra sala de parto. Já eram 11 da noite!

Ao chegar na sala de parto algumas enfermeiras já estavam presentes preparando tudo, já tirei a roupa, fiquei peladona e ainda fiz piada, porque não estava nem um pouco envergonhada! Fiquei de cócoras apoiada na maca, e nessa hora já não tinha mais controle do que acontecia lá embaixo, só sentia dor. Em menos de 10 minutos o Dr. Fernando entrou pela porta e senti um alívio imenso, que felicidade ver o meu médico ali! Nessa hora olhei pra baixo e tinha um monte de muco e sangue, que não deram o ar da graça até aquele momento, já praticamente no expulsivo.

Aí percebi que estava fazendo xixi, sem sentir! Avisei as enfermeiras, que rapidinho limparam e nem se abalaram. Então olho pra porta e vejo a Cris! Que alívio, time completo, ufa, agora já pode nascer essa criança!!! Ela já chegou apagando a luz pra deixar o ambiente mais confortável, buscando compressas de água para me refrescar, pedindo pro marido me abanar, porque fazia um calor insuportável e o ventilador tinha ficado no carro!

Nesse momento senti que a posição de cócoras estava muito desconfortável, não aguentava mais e pedi pra trocar. Me perguntaram como eu queria ficar, mas eu não sabia! Minha vontade era estar na banheira nesse momento, o que era impossível pois não deu tempo de encher! Como ele estava com dificuldades em escutar os batimentos do bebê nessa posição o Dr. Fernando pediu pra eu deitar na maca apenas por um momento, e que em seguida eu já poderia ficar na posição que quisesse. A hora que encostei na maca, pensei: é isso! Não me mexo mais. Tanto ele quanto a Cris tentaram me explicar que aquela não era a melhor posição, mas na hora virei bicho. Ignorei a todos e disse que ficaria assim mesmo.

Então o Dr. me pediu para apoiar um dos pés na barriga dele pra melhorar meu posicionamento e ficar um pouco mais de ladinho, porque os batimentos do Henrique tinham caído um pouco. Ele e a Cris me instruíram a fazer força quando eu sentisse vontade. Comecei a fazer força quando vinham as contrações, mas não me parecia estar fazendo a força apropriada. A cada contração eu urrava como antes e fazia força no corpo inteiro. Então o Dr. Fernando me explicou que quando a vontade viesse, o ideal era prender a respiração e fazer força de cocô, hehehe. Segui a instrução e aí sim, senti que aquela era a força que traria o Henrique ao mundo!

Mas fazer força dá muito medo, a sensação é que vai rasgar tudo lá embaixo. Eu olhava pra Cris e dizia: “Dói muito quando eu faço força! Estou com muito medo!” Não é que eu pensasse em desistir, eu simplesmente não pensava! Estava na tal partolândia, mas dominado pelo medo de empurrar. Ela me encorajava, explicava que faltava muito pouco, que em cerca de 10 minutos tudo teria terminado! Ela ajudou muito a me dar força nesses momentos finais. Na minha cabeça esse momento foi muito dramático, eu gritava, sofria, mas segundo o marido foi tudo muito calmo e eu não gritei mais! Hahahaha! Estava fora de mim realmente!

Passadas mais algumas forças, o Dr. Fernando disse que estava vendo a cabeça, os cabelinhos, até a cor do líquido amniótico! Sim, porque até então a bolsa não tinha estourado! Então ele me explicou que se ele estourasse a bolsa, seria mais rápido, mas deixou a escolha totalmente em minhas mãos, não forçou nada. Como eu já estava louca pra que acabasse, pedi pra ele estourar. Senti um líquido quentinho saindo e depois disso foi tudo muito rápido! Fiz a força e saiu a cabecinha, quando estava saindo o Dr. Fernando pediu pra eu diminuir a força pra não lacerar. Mais uma força e saiu o corpinho. Henrique nasceu às 23h54min do dia 07.04.18! Nosso filho tão planejado, esperado e amado finalmente estava entre nós!!!

Assim que ele nasceu foi colocado em meu colo e a pediatra fez as avaliações iniciais. Como ele estava um pouco frio, precisou ir pro bercinho aquecido, onde foram feitos os demais exames. Cinco minutos depois veio a placenta. Enquanto isso, eu perguntei pro Dr. Fernando se eu havia lacerado muito. E aí tive a maravilhosa resposta: que lacerar, o quê?! Períneo íntegro! Quase não acreditei!! Obrigada corpo, obrigada pilates!

Apesar de não ter tido laceração, a ardência era muito grande. Tão grande que eu não conseguia curtir o meu filho, então pedi pro Dr. fazer alguma coisa, hehehe. Ele então me deu uma anestesia local e foi maravilhoso, pude focar no que importava: namorar o meu pequeno bebê junto com o marido! Mas cadê a roupinha pra Cris colocar? Tudo no carro! Marido teve que ir correndo buscar as nossas coisas!

Tudo certo com o bebê, tudo certo comigo, fomos liberados para ir pro quarto! A Cris ficou um pouco conosco para nos ajudar com a primeira mamada, que não pôde ser feita imediatamente ao nascimento por conta da questão da temperatura dele ao nascer. Mesmo assim, conseguimos que a primeira mamada acontecesse na primeira hora de vida do bebê!

Nesse momento conversei com a Cris sobre algumas frustrações em relação ao parto, que apesar de maravilhoso foi muito corrido. Eu tinha imaginado que iria antes para o hospital, ganharia várias massagens na lombar, ficaria no chuveiro, na bola, faria piadas com o Dr. Fernando e com ela, usaria a banheira, teria updates da minha dilatação e iria vibrar a cada boa notícia! Mas o nosso parto nunca é exatamente como imaginamos! E olha que o meu chegou bem perto do que eu sonhava, apenas alguns detalhes ficaram de fora.

Mas como disse a Cris, talvez se eu tivesse chegado mais cedo no hospital as coisas não tivesse evoluído tão bem. Talvez eu tivesse cedido à analgesia, talvez tivesse demorado bem mais…realmente não temos como saber! Ficou o aprendizado de que meu corpo evolui muito rapidamente, e que mesmo sem sangue, sem muco, com contrações um pouco fora do padrão, eu estava sim em trabalho de parto! Aprendi que não se deve abafar nossa intuição, e sempre temos que confiar nos nossos instintos! É fundamental conhecer o próprio corpo e ouvir o que ele diz, mesmo que seja algo diferente do que dizem os livros. E finalmente, aprendi que sou mesmo muito forte!

Gostaria de agradecer ao meu marido incrível, que me apoiou desde o momento em que decidimos engravidar até o fim da jornada (que é o início de outra ainda mais louca)! Estudou junto, participou das reuniões, foi em todas as consultas, todos os exames, me incentivou e se emocionou a cada passo! Te amo!

Obrigada Dr. Fernando Pupin maravilhoso que me fez levar a gravidez com leveza, e trouxe paz e tranquilidade a cada consulta. Obrigada por sempre me explicar todas as possibilidades e nunca me forçar a nada! Obrigada por ter chegado ao Ilha em 5 minutos e por ser tão competente!

Obrigada Cris querida, por todo o apoio desde que me tornei sua doulanda, com 8 semanas de gravidez. Obrigada pelas informações passadas, pelo carinho, pelo apoio e também por chegar a tempo pra me ajudar a reunir forças pro Henrique nascer!

E finalmente, obrigada filho lindo por ter nos escolhido para sermos sua família! Te amamos muito!

Heloísa Schwarzwalder B. Lopes

Categorias: Relatos de Partos !!

1 Comment

Sidineia · 5 de agosto de 2018 às 21:02

Muito emocionante!!!!! Minha sobrinha cresceu e realmente é muito forte!!!! Me emocionei!

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