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Depois de dois abortos espontâneos, lá estava eu, no final de uma gestação que eu ainda não conseguia acreditar que era verdade. Arrumei o quartinho, comprei o enxoval, fiz chá de bebê….mas não pensava no parto, medo e dúvidas teimavam em me assombrar, a ficha simplesmente não caía.

Lá pela 30a semana resolvi procurar ajuda, conheci o trabalho da Cris pela internet e resolvi contata-la. Morrendo de vergonha, pois eu achava que tinha que ser meio maluca pra pensar no parto só nessa altura do campeonato. Ela foi um amor, conversamos muito, ela esclarecia todas minhas dúvidas e, principalmente, me tranquilizava, me fazia entender que já tinha dado certo, Marina já estava chegando e eu tinha que me preparar para recebê-la. Eu relaxei, apesar de meu marido ser ótimo, nenhum de nós dois tinha lá muita experiência com hospital, parto, bebê…Precisava de alguém que eu pudesse confiar para me dar forças e me orientar naquele momento especial, pois meu maior medo era de acabar passando por uma “desnecesárea”.

Então dezembro finalmente chegou, o mês que nasceria nossa pequena, o dezembro mais esperado das nossas vidas. Os dias iam passando e nada da chegada dela. Já estávamos quase fechando 40 semanas e nem sinal da nossa Marina. Aproveitamos os últimos dias para os preparativos finais do quartinho, roupinhas…estava tudo pronto só esperando a dona do pedaço. Nos meus ataques de ansiedade a Cris me lembrava que podia ir até 42 semanas, paciência!!

Eis que no dia 17 me acordo molhada, olho na cama e vejo uma mancha grande, clara e com umas melecas: “a bolsa e o tampão mucoso”, pensei, Chegou a hora!!!! Que felicidade (e medo, da dor, do desconhecido, de acontecer alguma coisa…..). Acordo meu marido, ele dá um pulo da cama. Mas logo acalmei ele, tínhamos tempo, a Cris já havia explicado que não precisávamos ter pressa para ir para o hospital. Tomamos banho, finalizamos as malas, tomei café e seguimos para a maternidade. Chegamos lá, a plantonista disse que podia ser uma ruptura de bolsa, mas não tinha certeza. Nos orientaram a voltar mais tarde. Voltamos para casa. Deixamos todas as coisas no carro. A tardinha voltamos para o Ilha: “não, não estourou a bolsa, provavelmente foi o tampão com mais um acúmulo de líquido”, disse o médico.

Saí cabisbaixa, “ainda não foi dessa vez”.  Mandei notícias pra Cris e ela disse que era assim mesmo, podia demorar mais uns bons dias, afinal, ainda tínhamos duas semanas para fechar 42. Mas eu estava animada, sentia que nossa hora estava chegando. Cheguei em casa, jantamos e fui dormir.

A meia noite me acordo com muitas dores, baixei um aplicativo e comecei a contar as contrações. Primeiro de 20 em 20, depois 10 em 10 e assim foi indo. Passadas umas duas horas a coisa começou a complicar realmente, apelei para o chuveiro, banheira e tudo mais que eu sabia que amenizava. Meu marido lá, dormindo como um anjo. Avisei a Cris, ela disse para ir para o Ilha quando as contrações estivessem de 3 em 3 minutos, por uma hora. Não adiantou ela me dizer isso, incomodei ela durante toda a madrugada, kkkk. Ela já estava no Ilha com outra gestante, aí não tinha nem consciência pesada de te-la acordado, incomodei mais ainda: “é normal?”, “já tá na hora?”, “tá doendo muito!”….quanta paciência dessa Cris!

Lá pelas 4h da manhã acordei meu marido, era hora dele participar, precisava de companhia e já estava de saco cheio de contar as contrações. As horas foram passando, as contrações aumentando, os intervalos entre elas diminuindo. Eu não conseguia comer, não conseguia dormir, só pensava que a hora estava chegando e que doía muito, força!

Quando foi perto das 13h fomos para o Ilha para ver qual era a situação, as contrações estavam mais próximas, mas ainda muito irregulares. “4 cm de dilatação!” Disse o médico. “Vamos internar!”. Não tinha quarto, mas estava liberando uma sala de parto e fomos direto para lá. Liguei pra Cris e falei que eu já ia ficar, só estávamos esperando liberar a sala. Ela chegou antes da sala liberar. Já tinha lido histórias da sua rapidez, nesse dia confirmei.

Finalmente fomos para a sala de parto, eu fui direto para o chuveiro, pois parecia mágica quando aquela água batia no meu corpo, aliviava muito! E assim foi por mais algumas horas e eu fazendo tudo que a Cris sugerisse: bola, chuveiro, banheira, massagens, caminhadas….chegou uma hora que eu não aguentava mais, estava muito cansada, já eram quase 20hs sem comer e sem dormir, não porque não pudesse, mas eu simplesmente não conseguia. “Eu quero analgesia, por favor, eu preciso, não aguento mais”. “O parto é teu, faz o que tu quiseres. Se vai te sentir melhor, faça!”, disse a Cris.

Estava com quase 8 cm de dilatação, mas decidi fazer. Depois quase me arrependi, achei que não adiantou tanto quanto eu imaginava, só não foi em vão porque acho que assim consegui descansar um pouco. Passou o efeito da analgesia e nada da Marina. “Não quero mais nada, agora vai sem mesmo.” Médico estourou a minha bolsa, para agilizar o processo. Naquele momento as contrações começaram a ficar muito mais fortes e a vontade de empurrar veio. Tentei um pouco no banquinho, depois de um tempo a Cris recomendou ir para a banheira, assim ia amenizar a dor.
Fui e empurrei com muito mais força, e gritei, gritei muito. Já tinha lido alguma coisa que vocalizar ajudava, mas achei que não conseguiria. Consegui e ajudou, cada grito que eu dava sentia que estava mais perto de te-lá em meus braços. Logo, falaram que já dava pra ver a cabecinha: “olha como é cabeluda!”. Nesse meio tempo eu viajei, não pensava em nada, só que tinha que me concentrar para empurrar para ela sair de uma vez. Meu marido, a Cris e o médico ao meu lado, sempre me incentivando e me dando força. Logo senti o famoso círculo de fogo, eu só pensava que tinha que empurrar mais, com todas minhas forças! Empurrei, ela veio. Toda enrolada no cordão umbilical: cabeça, braço….e eu ali, com os braços abertos, só esperando o médico me entregar, tava dando trabalho para desenrolar.

Depois de anos de espera, pontualmente com 40 semanas de gestação, finalmente havia chegado a hora, Marina estava no meu colo e eu era a mulher mais feliz desse mundo. “Bem vinda, filha amada! Que bom te conhecer! Como você é linda!”, foi só o que eu pensei naquele nosso primeiro abraço.

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Nos dias seguintes eu pensava e me perguntava como as mulheres tinham mais de um filho, eu tinha achado sofrido demais. A Cris só dizia: “Tu vais ver, já já tu vais esquecer a dor e vai querer de novo”. Passados quase 6 meses eu penso que mais uma vez ela estava certa. Parir é dor, mas é pelo maior amor desse mundo, é uma aventura, é desafiador, compensa tudo. A dor é momentânea, o sentimento que fica depois é de poder, de dever cumprido: eu consegui, minha pequena veio quando estava pronta, quando ela quis, na sua hora. Não passou por nenhum procedimento desnecessário, correu tudo do jeito que eu tinha sonhado e como era pra ser.
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No final das contas, percebi que apesar de eu não estar tão preparada como achava que estava, a gente sabe o que fazer, nós mulheres nascemos para isso e eu acho que me saí bem. O que penso agora é que quero viver isso de novo, dessa vez mais fortalecida pela experiência e sem tantos medos, curtindo cada minuto da gravidez e do parto.

Obrigada por estar conosco nesse dia especial, Cris. Você fez toda diferença para que esse dia se tornasse ainda mais inesquecível. Sua presença, suas palavras de apoio, seu conhecimento e suas dicas sempre pontuais, foram fundamentais no processo todo, não só na hora do parto como nas semanas que o antecederam e no pós-parto também.

Um grande beijo Marina, Cris e Fabiano.

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