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Eu sempre quis ser mãe e desde novinha tinha em mente ter um parto normal, pois minha mãe sempre falava com tanta naturalidade e tranquilidade dos dois partos que teve. A vontade de ter um filho foi ficando cada vez mais forte até que chegou a um ponto que eu só falava nisso e decidi engravidar. Sim, eu decidi, pois meu marido já me pedia isso há uns dois anos e já estava bem decidido.

Mas antes dessa decisão eu já pesquisava na internet sobre parto humanizado, doula, médicos e locais para isso aqui em Floripa. Antes mesmo de largar o anticoncepcional eu já havia decidido que iria parir no Ilha e iria contratar a Cris como minha doula. Foi então que a vontade de Deus coincidiu com a nossa vontade e no primeiro período fértil sem cuidados eu engravidei. Eu tinha certeza que era um menino, antes mesmo da concepção eu tinha essa certeza dentro de mim que meu 1º bebê seria menino e minha intuição estava certa, com 13 semanas descobrimos o sexo.

Foi uma gravidez bem saudável e tranquila, eu sempre acreditei na minha capacidade de parir e sempre tive muito medo de precisar de uma cesárea apesar de saber que na hora H talvez isso seria preciso como eu já havia lido em alguns relatos de parto. Eu tenho horror de ambiente hospitalar, seringas, cortes e tudo que remeta a isso, além de ser alérgica a vários medicamentos, então sempre tive em mente fazer tudo da maneira mais natural, mas nunca pensei em parto domiciliar, apesar de não gostar de hospital lá eu me sentiria mais segura.

Muitas pessoas da minha família não acreditavam que eu conseguiria, pois sempre fui muito fiasquenta pra dor, sensível pra caramba e preguiçosa pra completar (risos), mas eu não estava nem aí pra isso, eu sabia que era capaz e meu marido e meus pais me apoiavam.

Aproveitei bastante a gestação, só acabei comendo demais e engordei 20kg no total, muita retenção de líquidos, pois o final da gravidez foi bem no auge do verão, mas pressão e outros exames estavam ok.
Enfim, vamos ao que interessa. Com 37 semanas eu comecei a sentir esporadicamente umas cólicas na região dos ovários, tipo cólica menstrual, mas eram leves e raras, mais na hora que eu deitava e nem eram todos os dias. Nessa mesma época as contrações iniciaram, mas super leves e rápidas.

Eu sempre ouvi falar que a lua cheia propiciava o nascimento dos bebês e quando eu entrasse nas 39 semanas a lua cheia chegaria, sempre achei que ele viria nessa semana. Quando entrou a dita lua cheia dia 22 de fevereiro eu pensei: o Arthur vai trolar essa lua, vai vir só depois das 40 semanas. Eu não sentia nada demais, ele ainda não tinha nem encaixado. As coisas pra maternidade estavam separadas, mas não havia fechado a mala ainda, eu sabia que meu filho poderia chegar a qualquer momento, mas ao mesmo tempo eu parecia estar meio aérea com a sensação de que isso estava distante de acontecer.

Minha mãe já havia chegado no domingo dia 21 de fev. do RS pra ficar conosco no 1º mês, daí nos fez acordar que qualquer hora era hora e tínhamos que deixar tudo prontinho. Na terça-feira dia 23/02 pedimos uma pizza na janta, comi, conversamos, assistimos televisão e fomos dormir, e eu sem sentir nada, nem as cólicas nem as contrações nesse dia. Até que as 2:30h da madrugada eu acordei com muita cólica, me virava de um lado para outro na cama e não tinha jeito, acordei o marido, levantei, me deu piriri na barriga, fui no banheiro umas 3x evacuar. Meu marido achava que a pizza não tinha me feito bem. Eu já tinha lido alguns relatos de mães que achavam estar com piriri na barriga e na verdade estavam entrando em trabalho de parto, mas mesmo assim parecia que eu e ele não queríamos acreditar que tinha chegado a hora. Até que eu não me ajeitava mais, me contorcia no sofá, na cama, na bola de pilates.

Olhei no relógio e as cólicas estavam vindo regulares de 4 em 4min e duravam 1 min. Minha mãe ouviu eu resmungando e levantou, mandou a gente ir pra maternidade, mas eu resistia, tinha medo de chegar lá e estar com menos de 4cm de dilatação. Resolvi tomar um banho e o marido voltou pra cama achando que era alarme falso. Não conseguia ficar em pé de tanta cólica, e a cólica era só na região dos ovários, eu não sentia dor na barriga nem nas costas, mas essa cólica ficava cada vez mais forte. Vinha e passava. Minha mãe me olhou rindo e disse: filha tu vai “ganhar bebê” e foi chamar meu marido: Dani te orienta, teu filho vai nascer. Meu marido deu um pulo da cama meio desnorteado e começou a carregar o carro com o “kit maternidade”.

Decidi ir, as contrações estavam de 3 em 3 minutos e eu não aguentava mais. Já eram 5h. Logo chegamos no Ilha pois moramos no Campeche e naquele horário não tinha nada de trânsito. O médico plantonista me examinou e eu já estava com 6cm de dilatação, pedi pro marido ligar imediatamente pra Cris e logo fui encaminhada pra sala de parto. Entrei na banheira pra relaxar e logo a Cris chegou. Depois dali perdi a noção de tempo, quando me dei por conta já tinha amanhecido, entrei na partolândia completamente, entrava e saía da banheira pois sentia muito calor nela, era uma linda e ensolarada quarta-feira de verão.

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Fui pro chuveiro e não me ajeitava, fui pra cama e me sentia mais confortável, voltava pra banheira, ficava de cócoras, rebolava, agachava, seguia as orientações da Cris que foram fundamentais, pois eu e o Dani somos pais de primeira viagem, sem noção do que fazer naquele momento. No momento das contrações eu não suportava que ninguém me encostasse e nem queria ouvir nada, eu apertava com uma mão a mão da Cris e com a outra mão a mão do meu marido. As músicas gravadas pra hora do parto eu havia esquecido e quando lembrei não conseguia ouvir, queria silêncio absoluto, precisava me concentrar naquela dor real pra me manter firme e forte. Até que a médica plantonista que entrou as 8h foi me ver e perguntou se eu queria saber minha dilatação, eu quis e estava com 10cm.

Que alívio, eu sentia muita cólica, dor e desconforto, a bacia doía também naquelas alturas do campeonato e eu já estava exausta. A médica Cris Falcão e a Cris doula me diziam que o Arthur seria o bebê das 9h, podia ser 9:01h até 9:59h, mas que viria nesse tempo, pois estava chegando a hora. Graças a Deus tudo evoluiu rápido e nem me passou pela cabeça pedir analgesia. Eu comecei a gemer cada vez mais forte, a dor e o cansaço tomaram conta de mim, comecei a gritar de dor, não encontrava uma posição, não suportava a temperatura da banheira, até que resolvi parir na cama mesmo, mas eu não tinha mais forças pra puxar as pernas bem para trás como a médica orientava, eu não tinha mais fôlego pra fazer força com o períneo, a sensação que eu tinha era que eu iria defecar toneladas de tijolos.

Meu marido e a Cris doula que tiveram que segurar cada um uma perna para trás, pois elas tremiam de exaustão. Elas (as Cris) chamavam meu marido pra ver a cabecinha dele vindo, mas eu não conseguia mais fazer força comprida. Mas sim, o empoderamento tomou conta e eu consegui sim, até que dei um berro quase chorando de dor, concentrada pra fazer muuuuita força e a cabeça do meu filho veio ao mundo, a médica pediu pra eu parar (depois meu marido explicou que foi porque tinha uma circular de cordão, desenrolou), logo mandou eu fazer força novamente e assim aconteceu o momento mais louco e mágico da minha vida, as 9:12h meu filho nasceu e foi entregue nos meus braços imediatamente, nasceu a cara do pai.

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Sempre achei que choraria de emoção nesse momento, mas não, eu estava “fora da casinha”, um turbilhão de emoções tomavam conta de mim misturados à um alívio imenso, a um cansaço tremendo, uma fome gigante (eu não conseguia comer porque minhas contrações vinham muito rápidas). Foi um momento indescritível, só passando por isso pra saber. Em seguida minha placenta saiu naturalmente também. Arthur chegou dia 24 de fevereiro cheio de saúde com 48cm, 3.405kg com 39 semanas e 3 dias de gestação pela DUM.

Tive uma laceração leve e levei 3 pontos.

Mulheres, tentem o parto normal, somos todas capazes de parir, só precisamos acreditar nessa capacidade, é tudo de bom, vale muito à pena. Sei que infelizmente muitas vezes isso não é possível devido à algumas complicações, mas a tentativa é super válida. Contratar uma doula faz toda a diferença, com certeza no meu próximo parto daqui alguns anos chamarei a Cris novamente pra viver tudo isso denovo.

Beijos
Andressa


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