familia“Pode vir com tudo mas venha com (c)alma!”.
Essa frase resume o parto do Leon. Foi intenso, forte, emocionante e “direto ao ponto”!

Qdo estava gravida de 37 semanas do Leon comecei a ter dilatação, as contrações de treino se intensificaram e meu feeling dizia que ele vinha logo. Mas eu estava enganada hehehe

Já com 40 semanas e meia, com receio de ter que induzir o parto com ocitocina ou partir para uma cesárea optamos por fazer o procedimento de descolamento da membrana do colo do útero para incentivá-lo a vir ao mundo. Muitas mulheres que fizeram o descolamento levaram alguns dias ainda para parir, então fiz o descolamento e fiquei tranquila e pronta para esperar mais alguns dias, mas não foi bem assim.

Fiz o descolamento na hora do almoço, sangrou, doeu um pouco, vida seguiu.

Pouco depois das 19 horas comecei a sentir umas cólicas, eram uma cólicas estranhas não sabia dizer se saiam da coluna  (sinal de que é contração) ou não. Eu estava na sala de TV com a Laís, então fui para o meu quarto para me concentrar no que estava sentindo. Em alguns minutos ficou claro que eram contrações de 10 em 10 minutos, liguei para minha obstetra e para a minha doula, ambas deram a mesma orientação: “precisa ficar mais regular para que tenhamos certeza que não é alarme falso. Segue a vida, vai jantar e descansar. Se vc ainda consegue falar durante uma contração é pq ainda não está tão forte” disse a obstetra. Eu pensei: “What? Segue a vida? Jantar? Elas estão doidas!”. O Márcio obedeceu a orientação e foi jantar. Eqto jantava ele lia sobre as etapas do trabalho de parto que a Cris deu.

Saí do quarto, fui para a sala de estar pq queria muito envolver a Laís neste momento, então pedi para ela ficar anotando os horários, a duração e a intensidade das contrações. Ela estava super engajada. As contrações aceleraram rapidamente mas ainda estavam irregulares.

Às 20h30 resolvi tomar um banho para aliviar a dor, mas no caminho até o banheiro comecei a achar que as contrações estavam mto próximas e intensas. Pensei, “que se f* que ainda estão irregulares, tem alguma coisa diferente aqui, vou para o hospital.”

Avisei ao Márcio sobre minha decisão e ele rapidamente aprontou tudo para irmos. Lembro de ter dito: “não esquece a bola” (aquelas bolas de Pilates que fantasiei várias vezes que usaria durante o trabalho de parto) por que ainda tinha dúvidas sobre a duração do trabalho de parto.

Qdo cheguei perto do carro, senti meu quadril tremer, REALMENTE tremer. A dor estava muito intensa e as contrações durando cada vez mais tempo, aproximando uma da outra.Entrei no carro e avisei minha doula e a minha obstetra que estávamos indo para a maternidade.

O caminho foram os 20 minutos mais doidos das nossas vidas. As contrações estavam a cada dois minutos e durando mais de um minuto, ou seja, estava com contrações quase o tempo todo.

Márcio super focado em fazer o melhor caminho e chegar rápido. Eu focada em manter o Leon dentro de mim. Na metade do trajeto comecei a sentir vontade de fazer força expulsiva, ou seja, fazer força para o Leon nascer. Imagine uma vontade incontrolável. É isso. Me deu vontade de pedir para o Márcio parar o carro, chamar a ambulância e começarmos o parto ali mesmo. Essas coisas que a gente pensa no desespero e que não fazem sentido.

Lembro de estarmos passando na frente da UFSC e o carro na nossa frente parar para uma senhora atravessar na faixa de pedestre. Eu queria botar a cabeça para fora do carro e gritar.

Quando consegui ver a entrada da maternidade comecei a deixar a força expulsiva acontecer até porque não dava mais para segurar.

Chegamos lá, Márcio saiu correndo do carro dizendo: “minha esposa está tendo nosso bebê” (sim, igual cena de novela). Cheguei na recepção e a moça queria que nós fizéssemos o cadastro. Márcio educadamente começou a explicar que não ia rolar, não ia dar tempo. Mas foi só eu começar a ter contração e dizer que estava precisando fazer força e a recepcionista mudou a abordagem.

Entrei na sala de triagem, outra contração. Comecei a tirar a roupa e colocar o avental. Deitei na maca, bolsa estourou. Ufa! Agora já estava na maternidade.

Médico foi fazer exame de toque e chamou o Márcio: “Olha aqui, dilatação máxima, já dá para ver a cabeça do seu filho. Vamos ter que fazer o parto aqui mesmo na triagem, se formos para sala de parto, ele vai nascer no meio do caminho”.

Em pouquíssimos minutos a pediatra chegou, trouxe tudo o que precisava para o Leon nascer. Eu fiz força três vezes. Quase arrebentei a mão do Márcio, pois eu a apertava na mesma intensidade que fazia força. Te amo, Márcio.

parto

                                                              E pronto, às 21h16 nasceu o Leon.

Assim que ele nasceu, ele já mamou, que alívio ver que estava tudo bem. Foram pesá-lo, que alegria saber que meu filho nasceu com 3,9 quilos, que delícia saber que meu corpo foi uma boa morada para ele. O desafio agora é ajudar a fazer deste mundo um local tão bom quanto.

Depois que vi que estava tudo bem, que a “poeira abaixou” que comecei a perceber o que tinha acontecido naquelas 2 horas. Uau, que 2 horas intensas. Quanta emoção de parir pela segunda vez, conseguir fazer parto normal e a maior emoção de todas, dizer e sentir que sou mãe de dois filhos, duas lindas crianças. Viver a emoção de perceber que nossa família aumentou, que agora somos 4. Minha doula muito atenta e atenciosa percebeu que eu estava processando o que houve me acompanhou, conversou comigo, me acalmou.

Eu tinha tido mil ideias sobre as mais de 12 horas de trabalho de parto que imaginei que teria, me imaginei na banheira, no banho, na bola, recebendo massagem, ouvindo as músicas que eu havia escolhido, em um quarto a meia luz. Leon nasceu comigo e com o Márcio (e três “estranhos” que fizeram um excelente trabalho. E era isso que ele precisava, ele precisava de algo rápido, efetivo, com amor.

Agradeço ao Dr Claudio, enfermeira Soraia e à pediatra que nos atendeu (acho que nem perguntei o nome dela, de tão rápido que foi).
Agradeço Dra Juliana e Cris Doula, mesmo chegando minutos depois que ele nasceu, a presença delas nas nossas vidas foram super importantes no “antes” e no “depois”.
Agradeço minha mãe que veio de Ctba nos acompanhar neste momento.
Agradeço a Laís por tentar entender o que está acontecendo, querer participar e ser uma irmã mais velha tão carinhosa.  Agradeço a Deus e ao meu pai, sei que tivemos ajuda.
Agradeço minha irmã e meu cunhado que no dia seguinte já estavam em Floripa para conhecer o afilhado. Mas agradeço principalmente ao Márcio, pela família que estamos construindo e pela segurança que ele me traz de que estará comigo nos momentos mais importantes da minha vida.

 


1 comentário

Vera Mattos · 20 de novembro de 2016 às 0:55

Que emoção ao ler este depoimento. Que gostoso reencontrar uma pessoa especial num momento luminoso da sua vida! Obrigada meu Deus pela possibilidade que a tecnologia nos trouxe. Abençoe a Ana, o Márcio e seus filhos amados!

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