Por Cris De Melo

Cada dia que passa, cada parto que acompanho, eu tenho uma certeza ainda maior, está na hora do poder do parto voltar para nossas mãos. Nós mulheres, nossos corpos, nosso filhos, nossa dedicação. Quando foi que o parto virou um ato médico? Quando foi que nos tornamos tão incapazes de parir o que geramos? Na verdade não somos incapazes, o sistema que é incapaz de deixar um parto acontecer naturalmente.

Ano passado eu fiz um post com o título ” Quanto vale o seu parto?” que fala sobre algumas mulheres grávidas podem dar tanta importância para coisas supérfluas como berços, quartos de revistas, carrinhos da moda e acharem besteira investir no parto!
O que o bebê precisa mais? Um quarto inspirado em uma celebridade ou uma assistência de qualidade? O quarto logo deixa de servir, é preciso trocar tudo, mas e a experiência do parto? Dá de voltar atrás e fazer diferente?

E quando foi que parir com dignidade se tornou algo apenas para quem tem dinheiro para pagar por uma assistência decente? Por quê  a mulher do SUS que paga seus impostos, recebe menos do que a mulher do convênio ou a mulher que paga em dinheiro?

Quando foi que o mundo virou tão capitalista? Claro que todo mundo, e eu me incluo nisso, deve receber pelo seu trabalho, médicos, parteiras, doulas, pediatras etc.  Mas e quando não é possível acertar o valor X? Eu tenho a HONRA de conhecer profissionais, e novamente me incluo nisto, já diminuíram pela METADE o valor que cobram normalmente, profissionais que disseram: ” Me diga quanto você pode, e está fechado!”
Poxa, será que é realmente necessário cobrar 10 mil reais para assistir uma mulher parindo? Sim, porque em algumas regiões do país este é mais ou menos o valor para ter um profissional a favor do parto natural.

Hoje em dia, para parir com respeito, é extremamente fundamental ter uma equipe que inclui um obstetra ou parteira, uma doula, um pediatra, materiais, etc. Quando o Brasil vai evoluir e colocar obstetrizes e enfermeiras obstetras atuando nos hospitais públicos e maternidades?
Porque parir hoje pelo convênio é PRATICAMENTE impossível! As maternidades cada vez mais focadas no dinheiro e menos nos clientes, os médicos de plantão cada vez mais impacientes, focados na produção em série. Se você parir pelo SUS já vai com medo, porque sabe que lá nem assistência adequada terá, são 50 parturientes para nem 10 profissionais.

Estar grávida hoje em dia é muito difícil, parir mais ainda, como não optar por uma cesárea? Quantas mulheres vão logo pra faca porque é MUITO mais barato, e o estresse é muito menor. Quem quer parto natural no Brasil sabe como é difícil, são trocas e trocas de médicos, procurando um que atenda pedidos simples do SEU parto.

E os grupos e cursinhos de gestantes? Quanto cursinho eu já conheci que não ensina NADA, médicos cesaristas que cospem informações equivocadas, e no final o cursinho só serviu pra uma coisa: maketing de quem está oferendo o curso!
Também tenho a HONRA de conhecer uma empresária que pensa diferente, que faz cursos gratuitos que REALMENTE ensinam tudo do início do trabalho de parto ao fim!

Mulheres, vamos parir? Vamos tomar de volta o que sempre foi nosso? Informem-se, leiam, e lutem pelo que é direito de vocês. Fiquem em casa, com ou sem doula, se você planeja um parto hospitalar, espere a hora certa antes de ir, parto é fisiológico e não médico! Eu não apoio o parto desassistido, apesar de já ter conhecido algumas pessoas que fizeram. Mas eu acho que logo logo se esse mundo da humanização não mudar, esta será a nossa melhor alternativa.

2012 é o ano da revolução, o parto, é Nosso!

Cris De Melo
Téc. Enfermagem
Mãe & Doula! 


1 comentário

Renata Jacques · 18 de janeiro de 2012 às 0:50

Cris… Parabéns! Amei esse post, estava falando disso com meu marido e pluft! Seu post aparece no facebook! rsrsrrs Como é difícil, ne?
Mas a informação é uma arma poderosa, e infelismente, muitas mulheres não têm acesso à ela, além disso, existe a cultura da total confiança no médico aqui no Brasil, o que o primeiro médico que se esbarra falou, é lei, se foi caro então… Uau, sem questionamentos… é triste! E quem quér algo como um parto domiciliar fica como maluco… è uma pena! Parabéns pela luta! Estamos juntas 😉

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