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Toda grávida sonha com o parto perfeito, o bebê perfeito, aquele momento onde o bebê nasce e vai direto para seus braços e tudo acaba com um final feliz! Na grande maioria das vezes é isso que acontece, não importa se foi parto normal ou cesárea, tudo dá certo. Mas em alguns casos isso não acontece. Em quase 200 partos já vi bebês nascendo bem, já vi bebês nascendo não tão bem, e já vi bebês nascendo bem comprometidos (inclusive em cesariana).
 
A primeira coisa que pensamos é: “Por que o US não identificou isso? Tem relação com o parto?”
Sim, muitos bebês nascem com problemas cardíacos, neurológicos, com síndromes que poderiam ser identificadas durante um ultrassom de rotina, mas nem sempre isso acontece. Algumas deficiências são descobertas apenas no momento do nascimento, assim como algumas síndromes, como a síndrome de down por exemplo, que não tem relação com o parto, mas pode passar batido nos exames.
 
Alguns bebês podem nascer afetados por uma infecção durante a gestação, que também não apareceu em nenhum dos exames feitos pela mãe no pré-natal. A realidade é: Nem sempre o bebê nasce bem! É possível se preparar para isso? Não, acho que não. Nenhum casal perde tempo pensando nisso, ”E se o bebê não nascer bem?” porque não é da natureza humana pensar do que pode dar errado. O que toda família precisa é de apoio, do profissional que atendeu o parto, da equipe da UTI neonatal e da própria FAMÍLIA.
 
A primeira coisa que acontece no Brasil, quando o bebê precisa de cuidados especiais, e que o casal desejava parto natural é a culpa. A própria família culpa o casal, culpa o parto e culpa o profissional que atendeu o parto. Mesmo se no final das contas o bebê nasceu de cesárea, a culpa será do trabalho de parto. Mesmo se o neonatologista da maternidade afirma que não tem relação com a via de nascimento, a culpa será do casal e do parto. Infelizmente essa é a nossa realidade no Brasil.
 
Parto normal é o vilão?
Não! Segundo as evidências científicas o parto normal bem assistido (monitorado adequadamente) não tem relação com aumento de sequelas, de paralisia cerebral, entre outros. Vejamos que o Brasil tem mais de 53% de cesáreas, sendo que em algumas cidades chega a 90%, e por acaso caiu a taxa de paralisia cerebral no Brasil? NÃO!
 
“Devemos destacar que apenas 10% dos casos de paralisia cerebral se associam com asfixia perinatal e, ao contrário do que julga o senso comum, não é o parto vaginal o principal vilão da paralisia cerebral, uma vez que na maior parte dos casos causas antenatais (sobretudo prematuridade e intercorrências obstétricas) podem ser identificadas” – Melania Amorim
 
Portanto se o seu bebê não nasceu bem, não se culpe, entenda que faz parte da natureza, que nem sempre tudo sai como o planejado e busque apoio e ignore os julgamentos. Procure ajuda de um profissional especialista em aleitamento materno, e até mesmo um psicólogo depois, você vai precisar. Conheça seus direitos, visite seu bebê várias vezes na UTI neonatal, AMAMENTE, faça contato pele a pele, converse com ele, e curta seu bebê.
 
Leia também: “Quando um bebê morre antes de nascer”
 
Um abraço forte!
Cristina Melo
 

1 comentário

denise · 20 de outubro de 2013 às 13:17

adorei este post, tenho um “bebe” 5 anos rsrrs com paralisia cerebral ficamos no HU e tivemos uma equipe medica maravilhosa, desde o primeiro momento tivemos acompanhamento com psicólogos, incentivo a amamentação, fizemos método canguru e entravamos e saímos da UTI tempo td rsrsrs, as mães que ficavam la faziam trabalhos manuais para ajudar a distrair um pouco, desde a primeira semana o Gabriel teve acompanhamento com neurologista e td equipe medica sempre foi muito sincera sem ser grosseira, olha que foram 57 dias de UTI…. Gabriel foi atendido pelo DR. Rogerio Tessler ate os dois anos de idade, esmo depois de receber alta da neonatologia com @ anos td vez que precisei do Dr. Rogerio ele me atendeu prontamente……não sinto saudades dessa época mais sim da equipe medica…:)

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