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Outro dia uma amiga que ainda não é mãe comentou que foi na maternidade visitar uma mulher que havia acabado de parir e que se espantou porque a encontrou chorando.

Me lembrei das primeiras visitas que recebi com o Samuel ainda pequenininho, em que eu mal conseguia conter as lágrimas. Me lembrei de momentos do pós parto em que eu chorava de soluçar, sem saber sequer explicar o motivo com palavras.

Quer entender por que diabos essa mulher que acabou de ter um bebê lindo e perfeito chora? Sabe quando você está naquele momento mais frágil da TPM em que desaba a chorar só de ver um cachorrinho bonitinho na rua? Então, multiplique essa sensação – que é causada pelo descontrole hormonal – por três.

Depois disso, some o resultado a um cansaço físico e mental, junte talvez alguma provável dor no pós parto (desde dores musculares por conta de esforço e tensão, até cortes de lacerações, ou mesmo as cicatrizes de uma epsiotomia ou de uma cesárea), adicione uma responsabilidade enorme, e mais uma infinidade de novas experiências com um serzinho que depende absolutamente e completamente de você.

Difícil, né? Pois é! Aquelas atrizes famosas que saem da maternidade lindas da cabeça aos pés, com o cabelo impecável, a maquiagem feita, e magérrimas não são pessoas de verdade, sabia? Elas vivem da imagem que passam pra você aí, e precisam que você pense que a vida delas é essa maravilha completa que você acha, o conto de fadas materializado. Quer que você pense que a vida delas é sempre cor de rosa e perfeita. Mas nem sempre é assim, tá?

Muitas mulheres não passam por isso, é verdade. Mas algumas passam, e é muito importante saber que pode acontecer com você, e que é completamente normal. Essa sensação de fragilidade, impotência, ansiedade, e irritabilidade, tende a passar quando a “poeira baixar”, ou seja, quando os hormônios se estabilizarem e a mulher se sentir mais dona da situação, certa de que pode dar conta de todas as mudanças pelas quais está passando.

É preciso atenção para diferenciar essa melancolia pós-parto, ou baby blues, como também pode ser chamado, da depressão pós-parto, um quadro muito mais grave e que requer tratamento médico adequado.

Algumas dicas para lidar com o tal baby blues: Ajuda muito não forçar situações desconfortáveis no começo da vida de mãe. Em primeiríssimo lugar, não se acanhe em controlar as visitas – nada de gente lotando a casa, dando trabalho e te julgando. Peça pra alguém próximo dispensar sem cerimônias as visitas que mais atrapalham do que ajudam. Pode incluir os avós na lista sem receio nenhum. Quem gosta mesmo da gente é capaz de entender e respeitar.

Em segundo lugar, peça ajuda. Na primeira semana de nascimento do Samuel a esposa do meu pai cuidou da comida lá de casa e só eu sei o quanto foi importante pra mim não precisar me preocupar em cozinhar naqueles dias em que tudo era novo e às vezes tão complicado.

A terceira dica é bem simples: deixe a tristeza vir. Chore, desabe, desague. Faz bem, alivia o peito, desafoga, é ótimo. Avise o companheiro que o desabafo é necessário já que homens costumam se assustar com lágrimas femininas. Aproveite pra contar pra ele que um abraço forte faz milagres nessas horas e que tudo o que você precisa é saber que ele está ali, do seu lado.

Em último lugar, venho aqui repetir o velho mantra: “Isso passa!”. Passa sim, pode ter certeza disso. E enquanto não vai embora, que tal colocar um aviso providencial na porta de entrada, para prevenir os desavisados: “Cuidado, frágil!
Fonte: http://www.mamiferas.com/blog/2011/01/cuidado-fragil.html#.Tx_5OMP4NoE.facebook


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