Relato da Michelle – Nascimento Rafael (Parto Normal) – 14/06/16

13 de junho de 2017

Nascimento Rafael Junckes Corrêa

No dia 13/06/2016 as 05h50min acordei com a bolsa das águas rompendo, chamei pelo André para pegar uma toalha para mim, ele assustado saiu correndo. Nosso Rafael enfim queria nascer.

Eu tranquilamente me levantei fui até o banheiro e deixei toda aquela água sair. Voltei para cama e auscultei o BCF, e la estava o coraçãozinho vigoroso. (A Michelle é Enfermeira Obstetra)

André perdido sem saber o que fazer, então fiquei calma e comecei a planejar tudo, como boa virginiana que sou.

“Amor não fique ansioso, esta tudo bem, não precisa ligar ainda para o Dr. Fernando e nem para a Cris (doula) as contrações ainda estão muito espaçadas.”

Então André: “Tenho algumas coisas para resolver no escritório”.

E deixei-o tranqüilo para ir “trabalhar” um pouquinho. Ele foi e eu fiquei sozinha, ou melhor, eu, Rafael e Tobias. Fui para o banho, e fiquei La por um longo tempo, sai fechei as malas, e terminei de me arrumar.

Foi então que comecei a falar com o Dr. Fernando e Cris por whatsapp: “Bom dia, a bolsa rompeu as 05h50min, líquido claro em grande quantidade, sem DU, BCF 140 bpm, PA 110x60mmhg, e ele não se mexe desde ontem” (vai ver o Rafinha já estava poupando  energia para tudo que viria).

Então André voltou do escritório, tomamos café, e as 08h00min saímos para maternidade.

Eu estava em um misto de sentimos, ansiedade, medo, felicidade.

Sabia que para quem queria um parto normal, estava indo muito cedo para maternidade, já que ainda não tinha dinâmica uterina, mais fiquei com medo de ficar em casa, ainda mais morando no continente e a maternidade sendo na ilha.

Chegamos à maternidade, o Dr. Fernando me examinou, e estava tudo bem, ele até perguntou se a gente não queria voltar para casa, mais também sabia que ele iria viajar no dia seguinte, e queríamos muito que ele fizesse nosso parto.

Fizemos a internação, eu sabia que não poderia ficar deitada esperando, então comecei a caminhar pela clínica, subia e descia aquele morro do estacionamento. As contrações até se “empolgavam”, mais era eu parar que elas espaçavam novamente.

Então às 14h o Dr. Fernando iniciou a indução. Ai que medo, agora era para valer. Então comecei a usar a Bola. As 18h mais medicação. As 19h30min eu já estava pedindo para ser levada para sala de parto, queria ficar mais ativa, acreditava que la teria mais mecanismos para me auxiliar e acelerar o trabalho de parto. As contrações eram espaçadas ainda, porém mais intensas. As 20h a Cris chegou, e logo após o Dr. Fernando, me examinou e nada, 1 cm.

Então ele foi para casa jantar e fechar as malas para sua viagem. A Cris, já não deixei mais ir embora.

Com as dores mais intensas, a Cris me levou para o chuveiro, porém o trabalho de parto se tornou efetivo mesmo 1h da madrugada, foi então que a Cris e o Dr. Fernando resolveram me levar para sala de parto, estava com 3 cm. Chegando la voltei para o chuveiro, até arrumarem a banheira, eu já precisava muito dela, porem ela não funcionou, para meu desespero.

Acabei ficando no chuveiro, já estava cansada, não tinha mais posição, as contrações não davam mais nenhuma trégua, era uma seguida da outra, eu gritava muito, de acordo com o André, Pantanal inteiro sabia que eu estava parindo, e a Cris sempre ali do meu lado, me dando sua mão seu apoio, sua massagem milagrosa nas costas, e claro acalmando o André, porque eu já gritava muito.

Comecei a vomitar por conta das contrações intensas, la pelas 3h o Dr. Fernando me examinou novamente, e tínhamos uma notícia boa e outra ruim, a boa era que eu estava com 7cm e a ruim era que o Rafael tinha virado, estava em OS, para meu desespero. (A cabeça estava virada ao contrário)

Sem condições de raciocínio, cansada, vomitando muito, com muita dor pedi a cesariana, então o Dr. Fernando sabendo o quanto eu queria o parto normal nos deu 2 opções: “Posso te levar para cesárea ou podemos tentar a analgesia para você tentar relaxar e o Rafa virar novamente e a dilatação se completar”. Eu de imediato queria a cesariana, não agüentava mais. Porem a Cris com toda sua paciência e carinho, novamente me incentivou a tentar mais um pouquinho, já tinha chegado até ali, quem sabe eu conseguiria ir até o fim, então vamos la, analgesia era a opção do momento.

Mais ninguém alem do André sabia do meu pavor a agulha, e para piorar eu conhecia bem o tamanho da agulha, e para piorar mais ainda seria uma residente que iria me anestesiar, nada contra a profissional, todos precisam de situações como essa para aprender, MAIS NÃO EM MIM, eu tenho pavor a agulha.

Já eram acho umas 4h, ou seja, no meio da madrugada, a anestesista com uma residente, acredito que a anestesista queria acabar logo, já foi me posicionando na maca, eu falando que tinha pavor a agulha e ela não me escutava, morrendo de dor, ela so queria me posicionar. Então a residente veio puncionar minha veia, e eu sabendo que era ruim de acesso, mostrava aonde puncionar, porem ela não me escutava, e fez do jeito dela, claro que no dia seguinte eu estava até com o braço roxo de tanto a anestesista apertar, bom mais voltando, eu comecei a ficar muito nervosa e pedia para me tirarem dali, e pior a Cris tentava se aproximar e a anestesista não deixava, até que o Dr. Fernando espiando do lado de fora, entrou e pediu um tempo, conversou comigo, realmente não lembro o que, mais sei que foi nesse momento que a Cris conseguiu chegar perto de mim novamente, me abraçou, e disse você consegue, estou aqui com você, nossa estou emocionada aqui relatando isso depois de 1 ano, como ela e o Dr. Fernando foram importantes.

E realmente eu consegui me acalmar e deixar “as profissionais” trabalharem. Aquela dor insuportável começou a diminuir, o André entrou, e agora já conseguindo novamente pensar, minha preocupação era o Rafael, o Dr. Fernando iniciou o monitoramento, o BCF tinha caído, ai Jesus o que fiz, rapidamente eles me posicionaram de lado e aos poucos o nosso guerreiro estava estável novamente. Fomos todos para sala de parto. Fiquei na posição de cócoras, Dr. Fernando me examinou novamente e somente boas notícias, dilatação total e o Rafael havia virado novamente para posição ideal. Depois de alguns minutos na posição cócoras o Dr. Fernando percebeu que o Rafinha não descia, então pediu para a Cris me acompanhar até o banheiro, pois provavelmente minha bexiga estava muito cheia, advinha, por conta da analgesia eu não conseguia fazer xixi.

Volta para sala de parto, passa sonda de alívio, e la se vai 1 litro de urina. Neste momento o André já estava avisando a família para irem à maternidade porque o Rafa ia nascer. Volta para posição cócoras, então o Rafael começou a descer e quando estava no plano de Lee positivo, adivinha, eu já não tinha mais força nas pernas. Dr. Fernando: Então vamos deitar, outro terror passa pela minha cabeça ele vai ter que fazer epsio, ou vai lacerar muito, mais agora também já não me importo mais, quero o Rafa aqui no meu colo, vamos então.

Era o André atrás da minha cabeça, a Cris em uma perna, a técnica da clínica na outra e o Fernando no parto, eu já não sentia mais a contração, então o Dr. Fernando e a Cris me avisavam quando ela estava vindo para eu fazer força. Todos me ajudavam, até que o Rafael começou a coroar, e coloquei a mão para sentir a cabecinha dele, tanto cabelinho, e eu fazia força, força, e nada. Então o Dr. Fernando, “vou ter que usar o vácuo”, ai Jesus o que eu fiz, e novamente o Dr. Fernando e a Cris nos acalmaram, e na terceira tentativa com o vácuo, as 05h18min do dia 14/06/2016, 24h após o rompimento da bolsa, o Rafael nasceu, lindo, vigoroso, todo rosadinho.

Eu e André emocionados, toda a equipe visivelmente cansada, todos pariram comigo. Dr. Fernando ainda deixou o cordão pulsar por 1 min., a nossa querida amiga Enfermeira Myrella Martinelli fez a coleta para célula tronco, e o Dr. Fernando passou a tesoura para o André cortar o cordão umbilical.

Eu consegui, nos conseguimos, e meu sonho se concretizou somente porque eu havia escolhido os profissionais certos, Dr. Fernando Pupim e a Cris (doula).

Hoje 1 ano após, tenho que agradecer a eles e ao meu marido André, que mesmo vendo todo aquele processo, para ele desesperador, sempre confiou em mim e nesses profissionais maravilhosos que eu escolhi para trazer nosso filho ao mundo, sou muito grata a vocês 3. E graças a vocês hoje vibro e comemoro pelo aniversário de 1 ano do nosso pimpolho, sapeca, feliz, e cheio de saúde.

Eu, André e Rafael amamos vocês. Nosso muito obrigada. Com vocês faria tudo novamente. Muitos Beijos Mi.

 

Relato da Viviane – Nascimento Antônia – Parto Natural 06/08/2016

28 de maio de 2017

Vou começar o meu relato contando um pouco da minha gestação. Eu e o Gu descobrimos que estava grávida com 3 semanas. Foi na primeira tentativa que “engravidamos”. Com um dia de atraso da menstruação, fiz o exame de sangue. Positivo. Daquele dia em diante sabia que nossa vida iria mudar.
Tive uma gravidez super tranquila. Com 13 semanas descobrimos o sexo: Antônia estava a caminho. Com 17 semanas a senti pela primeira vez e ao longo de toda a gestação ela sempre mostrando que estava ali.

O parto normal sempre foi o meu sonho, mesmo quando não estava grávida. Como enfermeira, estudei e acompanhei partos na graduação e sabia o benefício que ele traria pra mim e para o bebê. Quando engravidei comecei a ler mais relatos de parto e a ideia de fazer o parto normal só se fortalecia. Tinha muita curiosidade em saber como seria o meu trabalho de parto. Muitos me chamavam de corajosa, poucas foram as que me incentivaram. Mas nunca desisti do que eu sempre idealizei e sonhei. Claro que no final, quando sabíamos que a Antônia já podia vir, foi dando  friozinho na barriga.
Na quarta-feira, dia 03 de agosto, fui consultar com o Dr. Fernando.

Ele me examinou, viu a altura, bcf. Estava tudo bem. Mas a Antônia ainda estava alta. Estava de cabeça para baixo, mas ainda não estava totalmente encaixada. Provavelmente só viria na outra semana ainda. Mal sabia eu (e ele), que essa seria a última consulta do pré-natal. Na sexta-feira, dia 05, pela manhã fiz as unhas e pela tarde as sobrancelhas. O salão que faço as sobrancelhas fica mais ou menos a um quilômetro da minha casa. Como o Dr. Fernando falou que provavelmente só viria na semana seguinte, fui a pé até o salão pra ver se dava uma “acelerada” e Antônia encaixasse.

Deu certo, muito certo aliás. Com 39+1 entrei em trabalho de parto. No caminho de volta do salão comecei a sentir algo diferente. Não tinha dor e por isso nem imaginei que já pudesse ser uma contração. Às 15h, quando cheguei em casa senti uma cólica, diferente das que eu já tinha sentido. Senti mais uma vez, outra e mais a cada 15/ 20 minutos. Mandei uma mensagem pra Cris. Mas não criei expectativas, pois poderiam ser somente pródromos, o que se estenderia por mais alguns dias.

Então, relaxei. Não avisei ao Gu. Ele estava indo pra Joinville e não quis preocupá-lo. Sabia que não iria sossegar. Lá pelas 19 horas as contrações já estavam um pouco mais fortes e mais frequentes. Junto com meus pais e minha irmã, fomos jantar na casa dos meus sogros. O Gu só foi chegar as 22 horas e as contrações cada vez mais fortes. Fomos para a maternidade avaliar. Estava somente com 1cm de dilatação e fui orientada a retornar para casa e voltar para reavaliar a 1 hora da manhã. Já em casa fui para o banho e deitei um pouco, tentei descansar, sabia que o TP entraria madrugada a dentro. Voltei para o Ilha as 2h da manhã, quando comecei a sangrar.

Era o colo abrindo. Agora já com 4cm, internei e o Gu ligou pra Cris. No quarto, não via a hora da Cris chegar, sentia que iria me sentir mais segura. E foi isso mesmo. Cris chegou rapidinho e me deixou muito aliviada. Dali fui para o banho, para a cama, para o banho e para cama. Logo fomos para o quarto da banheira, que era o meu sonho ter minha filha na água. Mas quando cheguei no quarto e olhei para ela (banheira) não consegui entrar. A bola então, não podia nem ver na minha frente. A playlist que tínhamos escolhido, não consegui escutar uma música. Estava irritada, só queria ficar quieta. Meu deus, planejamos tanta coisa para o TP e na hora, saiu totalmente diferente. As 4:30 Dr. Cláudio veio fazer um toque. 7cm. É, tava chegando.

A pergunta era, será que demoraria muito? Finalmente consegui entrar na banheira e foi a melhor coisa. Como me senti bem ali. Depois disso não tinha mais noção de tempo. O Gu falou que dormiu quase uma hora, pra mim foram 5 min. Tudo passou muito rápido, pelo menos pra mim. As contrações já eram muito mais fortes e muito mais frequentes. Lembro que dizia que não ia aguentar. Tentava me focar que era menos uma, mas era difícil.



Comecei com os famosos puxos, a bolsa estourou  e a vontade de empurrar só crescia. De repente não sentia mais a dor das contrações. Sentia a Antônia descendo. Foi tudo muito rápido. A Cris pediu pra chamarem o obstetra porque estava nascendo. Foi acabar de ligarem, Antônia nasceu num lindo e emocionante parto a jato pelas mãos da Cris, minha Doula/”parteira” as 6:45 do dia 6 de agosto. Veio direto para o meu colo. Tão frágil, tão pequena e daquele momento em diante mudou a minha vida. Até hoje não consigo explicar com palavras esse momento.



Foi a coisa mais incrível que já fiz. Sim, eu consegui. Me senti realizada. Só conseguia olhar para aquele serzinho que tinha acabado de sair de mim. Antônia me transformou. Hoje sinto muita, mas muita saudade daquele dia. Vontade de voltar no tempo. Obrigada Cris e Gu por não me deixarem desistir, por acreditarem que eu conseguiria. E obrigada Deus pela minha filha!

Créditos: Fotonascer

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